A adolescência é uma fase problemática para a maioria das pessoas. Esperam-se sempre grandes mudanças no corpo, na personalidade… mas o que tenho reparado (começo a achar que se calhar demorei tempo demais a perceber isto) é que, ao invés de alterações radicais, as nossas características pessoais mantém-se e tornam-se mais definidas.
Aquele menino que, na escola primária, chorava mais do que os outros quando se separava da mãe e nunca queria correr e jogar à bola é no liceu o rapaz “sensível” e pouco sociável que se senta na última fila. A menina de caracóis louros que usava os melhores vestidos e se via rodeada de amiguinhas que a admiravam é hoje a chefe de claque (peço desculpa pelo cliché tão indecentemente copiado dos filmes americanos) que as amigas continuam a admirar/ invejar e que todos os rapazes desejam (bem… talvez não aquele rapaz “sensível” da última fila de que falei há pouco).
Afinal, aqueles psiquiatras e psicólogos de que ouvimos falar (Freud, Piaget…) tinham mesmo razão e a primeira infância é, salvo casos pontuais, determinante no desenvolvimento dos traços mais marcantes da nossa personalidade. Então o que acontece connosco durante todos aqueles anos até à idade adulta? Nada senão o acréscimo de pequenas coisas a uns sólidos alicerces? Pois… parece que sim. Dizem que construímos um superego e aprendemos a interagir melhor em sociedade; que nos esquecemos de alguns instintos, fundamentais para a sobrevivência do indivíduo e da espécie, que vieram connosco da maternidade, e amadurecemos…
domingo, abril 11, 2004
quinta-feira, abril 08, 2004
From Cairo...
Ola portugueses e portuguesas,
Consegui arranjar uma mini-pausa entre tanta aprendizagem por imersao cultural, para vos vir deixar umas palavrinhas. Escrevo do Cairo e por isso e que nao consigo usar acentos. Mas tambem desta vez tenho desculpa... Eu queria ver o que e que voces conseguiam fazer com um teclado em arabe, no qual mal se veem as letras ocidentais.
Quando olho para a minha esquerda vejo o Nilo e a ilha de Zamalek... a Torre do Cairo, os barcos, algumas folhas de palmeira tapam a minha visao. Quando olho para a direita vejo uma parede... OK, tambem nao podia ser fantastico para todos os lados, nao e? Agora demorei horas para descobrir um ponto de interrogacao, valha-me... Ala...
Como o Hotel Sheraton leva caro pelos minutos de internet, nao vos posso escrever muito mais, ate porque tenho de ir apanhar o autocarro para ver o espectaculo de luz e som nas Piramides de Gize. Mas deixo-vos ca um ate breve... provavelmente em Lisboa... que vou voltar a fingir que estou, como ha alguns dias acontecia no deserto e la mais para sul, fora de qualquer contacto civilizacional...
O meu grande Shokran (obrigado em arabe) a todos por irem aparecendo por ca... e um "estao a portar-se bem" aos meus colaboradores... que ja vi que continuam activos ;) Nao tive foi tempo para ler tudo o que escreveram...
From Cairo with love...
terça-feira, abril 06, 2004
Dietas
Há dietas para todo os gostos. A dieta da salada, a dieta da fruta, a dieta da água, a dieta da seiva, a dieta dos batidos, a dieta da beterraba, and so on and so on...
O mais curioso, como certamente a maioria já reparou, é como as pessoas se lembram destas coisas quase quase em cima do Verão. Afinal, vem aí o bom tempo, vai apetecer ir para a praia, as roupas vão começar a encolher, t-shirts passam a tops, calças a calções, saias a mini-saias, e ninguém vai querer andar a exibir alegremente o seu pneuzinho.
Pois é, tudo normal até aqui. O problema surge quando a Primavera nos resolve pregar das suas e nos presenteia com dias de sol magníficos, em que as temperaturas sobem sobem e parece que não há nada que apeteça mais que um mergulho na piscina ou mesmo no mar.
'O problema?' estarão vocês a pensar, qual é o problema disso, afinal toda a gente gosta de sol! Lá isso é verdade, mas agora reparem bem em quantas das vossas amigas (peço desculpa por referir especificamente o sexo feminino nesta rubrica, mas hão de convir que estas coisas se aplicam mais às moças que aos moços...) respondem prontamente a uma ida à praia, e mesmo entre as que acabam por ir quantas é que debaixo de um sol que chega a fazer inveja a certos dias de Verão deixam ficar a sua t-shirt (exactamente uma t-shirt e não um top!!!) e o seu paréu? Parece que a época balnear veio cedo demais para algumas pessoas que se sentem incomodadas com as suas pequenas 'imperfeições' ainda por corrigir, não permitindo que desfrutem das oportunidades que o nosso solarengo Portugal vai oferecendo, o que é um tremendo desperdício!!!
Por isso (e retirando todo e qualquer sentido prejurativo à minha afirmação seguinte) dispam-se de preconceitos e aproveitem enquanto podem, vão ver que vale a pena! =)
O mais curioso, como certamente a maioria já reparou, é como as pessoas se lembram destas coisas quase quase em cima do Verão. Afinal, vem aí o bom tempo, vai apetecer ir para a praia, as roupas vão começar a encolher, t-shirts passam a tops, calças a calções, saias a mini-saias, e ninguém vai querer andar a exibir alegremente o seu pneuzinho.
Pois é, tudo normal até aqui. O problema surge quando a Primavera nos resolve pregar das suas e nos presenteia com dias de sol magníficos, em que as temperaturas sobem sobem e parece que não há nada que apeteça mais que um mergulho na piscina ou mesmo no mar.
'O problema?' estarão vocês a pensar, qual é o problema disso, afinal toda a gente gosta de sol! Lá isso é verdade, mas agora reparem bem em quantas das vossas amigas (peço desculpa por referir especificamente o sexo feminino nesta rubrica, mas hão de convir que estas coisas se aplicam mais às moças que aos moços...) respondem prontamente a uma ida à praia, e mesmo entre as que acabam por ir quantas é que debaixo de um sol que chega a fazer inveja a certos dias de Verão deixam ficar a sua t-shirt (exactamente uma t-shirt e não um top!!!) e o seu paréu? Parece que a época balnear veio cedo demais para algumas pessoas que se sentem incomodadas com as suas pequenas 'imperfeições' ainda por corrigir, não permitindo que desfrutem das oportunidades que o nosso solarengo Portugal vai oferecendo, o que é um tremendo desperdício!!!
Por isso (e retirando todo e qualquer sentido prejurativo à minha afirmação seguinte) dispam-se de preconceitos e aproveitem enquanto podem, vão ver que vale a pena! =)
Feira Curta
Nos dias 26, 27 e 28 de Março decorreu em Lisboa a Feira do Livro Estrangeiro. Pois… podia ter avisado mais cedo mas ainda não escrevia neste blog – como é que ia publicitar o evento? Mesmo eu só soube da sua ocorrência através de um postal free que um amigo fez o favor de apanhar… do chão!
É que estes acontecimentos que têm o mérito de tornar o conhecimento acessível ao grande público são sempre tão bem divulgados e têm uma duração tão longa, não acham? Se se tratasse da Feira de Enchidos do Continente tinha durado uns bons 15 dias… até se esgotar o stock de chouriços de porco preto. Assim, como se vendem clássicos da literatura estrangeira a preços convidativos, ninguém se interessa… Quem dá 2 euros por Dickens, Wilde, Victor Hugo, se com a mesma quantia se pode comprar uma farinheira ou um suculento naco de presunto?
Tendo ido à feira, percebo que a meia dúzia de cidadãos que a frequentava não justificava o seu prolongamento por mais tempo …
Aos meus amigos P.C., pelo postal, A.M., pela companhia, e J.P., por não acreditar que a feira fosse tão curta.
É que estes acontecimentos que têm o mérito de tornar o conhecimento acessível ao grande público são sempre tão bem divulgados e têm uma duração tão longa, não acham? Se se tratasse da Feira de Enchidos do Continente tinha durado uns bons 15 dias… até se esgotar o stock de chouriços de porco preto. Assim, como se vendem clássicos da literatura estrangeira a preços convidativos, ninguém se interessa… Quem dá 2 euros por Dickens, Wilde, Victor Hugo, se com a mesma quantia se pode comprar uma farinheira ou um suculento naco de presunto?
Tendo ido à feira, percebo que a meia dúzia de cidadãos que a frequentava não justificava o seu prolongamento por mais tempo …
Aos meus amigos P.C., pelo postal, A.M., pela companhia, e J.P., por não acreditar que a feira fosse tão curta.
domingo, abril 04, 2004
Sit! Good dog.
Acho que de tantos nomes possíveis para se dar a um cão o nome Dick é o pior que se pode escolher! E como é que me lembrei disto? Num domingo qualquer fui visitar a minha família a uma aldeia do interior (sim, esses parentes afastados… sim, os que não param de dizer como estamos crescidos!) e dou por mim a entrar em casa de pessoas que não conhecia bem mas que insistiam em mostrar-me a intimidade dos seus lares e dos seus quintais… Ora, havia em todos eles (os quintais) um ponto em comum: um cão vadio, maltratado, de pêlo escasso e desordenado, preso à casota por uma trela que lhe dava uma pequena área, correspondente a um semicírculo, para se esticar (acho bem… os animais não prezam nada a liberdade…). Estes cães chamavam-se, invariavelmente, Dick.
E porque não Bobby, Snoppy, Farrusco? Como é que com uma gama tão vasta de nomes – e reparem como os que mencionei são bem menos sugestivos do aparelho genital externo masculino – se escolhe o nome Dick? Não percebo… E coloco outra questão: onde é que estas simples e puras pessoas da província ouviram este nome? Será por ser diminutivo de Richard? Mas onde é que elas conheceram um Richard? Na série Dallas? Cá está a televisão outra vez a corromper as pessoas …
Não interessa. O relevante é que o nome foi bem acolhido e não se sabe como nem porquê. E ninguém me demove da crença de que algures na América profunda deve existir um cão chamado Pilinha…
E porque não Bobby, Snoppy, Farrusco? Como é que com uma gama tão vasta de nomes – e reparem como os que mencionei são bem menos sugestivos do aparelho genital externo masculino – se escolhe o nome Dick? Não percebo… E coloco outra questão: onde é que estas simples e puras pessoas da província ouviram este nome? Será por ser diminutivo de Richard? Mas onde é que elas conheceram um Richard? Na série Dallas? Cá está a televisão outra vez a corromper as pessoas …
Não interessa. O relevante é que o nome foi bem acolhido e não se sabe como nem porquê. E ninguém me demove da crença de que algures na América profunda deve existir um cão chamado Pilinha…
sábado, abril 03, 2004
Cafageste
Sempre achei imensa piada a esta palavra brasileira... Não sei porquê, mas sempre achei! E acho que já que ela não é utilizada no nosso dia-a-dia, poderia ser utilizada noutras situações.
Como por exemplo: uma empresa de gestão de stock de cafés podia obviamente chamar-se "Cafageste - Gerimos o stock do seu café!". Claro que isto poderia causar alguns inconvenientes, porque, imaginemos que o dono do café é brasileiro e telefona para a linha de apoio a clientes da Cafageste S.A. Do outro lado dizem-lhe "Cafageste, boa tarde, fala a Marta, em que posso ajudá-lo?". E é óbvio que o senhor leva a mal... porque aquilo na sua terra natal é ofensa...
Quem também podia ter utilizado este nome (ou quase) era o gestor de carreira do Franz Kafka (caso ele o tivesse tido, não é?)... Era a chamada "Kafkageste"...
Há ainda mais uma nuance a acrescentar... No nordeste transmontano ou na Beira Interior... o som "cafageste" pode bem ser igual a "Cá fizeste", quando dito por certas pessoas em certas ocasiões... Já viram isto? Até antropologia social vocês aprendem neste blog... ;)
sexta-feira, abril 02, 2004
Esperem... falto eu!
Um segundo de distracção e já todos escreveram um texto para o blog menos eu! Fiquei para trás e estaria menos envergonhada se o “patrão”, como diz a Joana, não tivesse ralhado comigo. É que ele é um editor bastante exigente: impõe regras severas e obriga-nos a cumprir os compromissos que assumimos! Bem… talvez não seja bem assim mas como estava em falta senti necessidade de me justificar de alguma maneira…
E sim, eu também fui convidada para colaborar na elaboração deste blog. Não sou suficientemente audaz para, por livre iniciativa, me oferecer para esta tarefa hercúlea! :)
Não tenho relatos maravilhosos de viagens fantásticas, não trabalho na rádio e não sou o sucesso da tuna médica de Lisboa... Só passo à frente porque tenho 3 narizes em três gatos diferentes e isso deve contar alguma coisa… esperemos que sim!
Em comum com os outros blogueadores tenho a vontade de colocar a minha criatividade ao serviço da Oranginalidade e prometo que de ora em diante vou tentar fazê-lo tão assiduamente quanto puder. E tudo isto por vós, fiéis leitores (agora estive quase a escrever “por vocês, este público maravilhoso” mas parecia uma frase de cantor popular e não emprestava muita dignidade a este texto)!
E sim, eu também fui convidada para colaborar na elaboração deste blog. Não sou suficientemente audaz para, por livre iniciativa, me oferecer para esta tarefa hercúlea! :)
Não tenho relatos maravilhosos de viagens fantásticas, não trabalho na rádio e não sou o sucesso da tuna médica de Lisboa... Só passo à frente porque tenho 3 narizes em três gatos diferentes e isso deve contar alguma coisa… esperemos que sim!
Em comum com os outros blogueadores tenho a vontade de colocar a minha criatividade ao serviço da Oranginalidade e prometo que de ora em diante vou tentar fazê-lo tão assiduamente quanto puder. E tudo isto por vós, fiéis leitores (agora estive quase a escrever “por vocês, este público maravilhoso” mas parecia uma frase de cantor popular e não emprestava muita dignidade a este texto)!
O Sofrimento de Cristo
Primeiro que tudo, esclareço o título do meu post. O título original do filme (The Passion of the Christ) foi assim dado porque o termo "Passion" deriva da palavra latina "passio" para "sofrimento", daí a segunda leitura do título dado.
A seguir, tenho de dar os parabéns ao realizador e co-argumentista Mel Gibson, pela forma brilhante com que consegue retratar no ecrã as últimas doze horas da vida de Jesus Cristo... tanto do ponto de vista histórico e bíblico, como do ponto de vista cinematográfico. Após estes elogios, achei interessante expor a minha perspectiva sobre duas grandes polémicas que se levantaram em torno do filme.
Primeiro, a crítica da comunidade judaica, através da acusação de anti-semitismo ao filme. É realmente confuso ver esse tipo de condenação... A pessoa mais cega é sempre aquela que não quer ver... E quem tenta esconder o seu passado também não me parece estar no bom caminho. Um facto que devia fazer a comunidade judaica reflectir e ultrapassar pormenores históricos menos abonatórios (que todas as religiões têm, aliás...) foi utilizado pela mesma para criticar o realizador do filme e a forma como a história foi contada. Tiro uma conclusão disso: é que agora, como então, o povo judeu continua a ver as coisas por um filtro muito específico, e sempre com sentimentos muito próprios. Julgo que desconfiar de tudo, até da Verdade, e facilmente "entregar" o próximo, sem o julgar adequadamente, continuam a ser alguns desses defeitos, tal como há dois mil anos o eram. E assim se mostra que nem a História é boa conselheira para alguns...
Depois, a acusação de que o filme é violento. O filme é, de facto, muito violento. Mas... é violento como o foi a história que é contada. Muitas vezes o nosso defeito encontra-se na tentativa de tornar romances as maiores desgraças que encontramos perante os nossos olhos. Mas, será essa a solução? Eu não acho que o seja... e acho que muitas vezes as consciências só são alertadas pelo choque. A mim... este filme marcou-me, tal como espero que marque muitos de vós. O sofrimento de Jesus Cristo, a Sua fé, a Sua força, os Seus valores, mesmo na hora da morte, são um ensinamento para todos nós, e nunca é de mais trazer isso ao nosso presente. Mesmo quem não seja crente pode tirar uma boa lição ao ver este filme.
Assim, só espero que aqueles que O seguem sintam no filme mais um recordar do que Ele nos quis ensinar... e que os que não O seguem, sintam pelo menos por uma vez, ao ver o filme, porque é que quem acredita sente vontade de acreditar e acredita!
quinta-feira, abril 01, 2004
O Grande Golpe
Portugal sabe-a toda!
Estou verdadeiramente maravilhado com o trabalho de Gilberto Madaíl, esse grande IECA (isto é uma piada privada para estudantes de Medicina...), bem como de Luiz Felipe Scolari, esse mágico, esse mestre, essa pérola que nos chegou do país irmão. É que, realmente, nunca pensei que conseguissem imaginar e pôr em prática um plano tão brilhante como este que estamos a observar.
É delicioso ver como a selecção nacional se arrasta em todos os jogos que faz... não joga nada à bola... e também não consegue o mínimo resultado decente. Vê-se logo... não é que os malandros dos jogadores também são cúmplices no "Grande Golpe"?
É que assim já quase se estão a denunciar! Já muita gente percebeu que o truque é fingir que não jogamos nada, que andamos muito em baixo e que não conseguimos criar a mínima coesão de equipa. Quando chegarmos ao Europeu... surpreendemos tudo e todos e a Europa em peso vai ficar tão abananada, que quando se aperceberem do sucedido... já nós estamos em plena Praça do Comércio com a taça e a festejar...
Estas cabeças na FPF não param... é gente de outra estirpe... de outro nível de inteligência!!!
Quem sou eu? O que é isto? O que é que eu tenho que dizer? Dói?
Ainda bem que arranjei emprego! Isto de viver de subsídios tinha que acabar. Permitam-me dizer que o “Patrão” deste blog tem um grande coração (por ser estudante de medicina é natural que tenha implantes a metade do preço). Na verdade, os motivos que o levaram a convidar-me passam-me ao lado e acredito que vão passar ao lado de quem leia isto. Perguntem-lhe directamente. O número é 911... (estão aqui a fazer-me sinais... pois... ah, não convém dar o número? Tudo bem.)
Passo a apresentar-me. Quero dizer, eu até gostava de me apresentar, mas com 26 anos ainda tenho crises de identidade. Passemos à frente.
Acordo (acordava... uma das vantagens de escrever para um blog é trabalhar a partir de casa, li o anúncio no tronco de uma árvore... “Trabalhe a partir de casa”... pensei, aí vem mais um parti-time a lamber envelopes. Mas não. Isto é a sério, caramba. Um emprego a sério e igual a tantos outros. Trabalha-se primeiro, recebe-se depois, em data a combinar e indefinida) Acordo, dizia eu, às 5 da manhã e passo o dia fora de casa. O que faço? Respiro, e já me considero uma mulher de sorte se respirar em condições aceitáveis. A bomba da asma é a minha melhor amiga. Não tenho muitos mais, para ser sincera. No regresso a casa... Ah! O regresso a casa às 10 da noite. Alguém me espera. É tão gratificante ter alguém à espera mesmo que esse alguém, ou esses alguéns, sejam duas bolas de pêlo com uma vida activa de fazer inveja: comem, dormem, e pouco mais (e acreditem o pouco mais não é dos cheiros mais agradáveis....). Ah!! E têm dois narizes... porque são dois... dois gatos com dois narizes, um de cada gato entenda-se! Tenho piada não tenho?
Não estão com vontade de trocidar o “Patrão” da oranginalidade?? Era oranginalidade, não imbecilidade, digam-lhe!
Ah!! Também não tenho histórias de viagens para contar, porque sempre que viajo é em trabalho (sim, eu sei, estou a contradizer-me... afinal trabalho ou não trabalho? Eis a questão... já dizia... como é que é mesmo? Aníbal Cavaco Silva. Sou culta, sou muito culta!).
E... shame on me! Não conheço Nova Iorque.
Será que vou conseguir manter o meu emprego de bloguista? Aceitam-se apostas.
Passo a apresentar-me. Quero dizer, eu até gostava de me apresentar, mas com 26 anos ainda tenho crises de identidade. Passemos à frente.
Acordo (acordava... uma das vantagens de escrever para um blog é trabalhar a partir de casa, li o anúncio no tronco de uma árvore... “Trabalhe a partir de casa”... pensei, aí vem mais um parti-time a lamber envelopes. Mas não. Isto é a sério, caramba. Um emprego a sério e igual a tantos outros. Trabalha-se primeiro, recebe-se depois, em data a combinar e indefinida) Acordo, dizia eu, às 5 da manhã e passo o dia fora de casa. O que faço? Respiro, e já me considero uma mulher de sorte se respirar em condições aceitáveis. A bomba da asma é a minha melhor amiga. Não tenho muitos mais, para ser sincera. No regresso a casa... Ah! O regresso a casa às 10 da noite. Alguém me espera. É tão gratificante ter alguém à espera mesmo que esse alguém, ou esses alguéns, sejam duas bolas de pêlo com uma vida activa de fazer inveja: comem, dormem, e pouco mais (e acreditem o pouco mais não é dos cheiros mais agradáveis....). Ah!! E têm dois narizes... porque são dois... dois gatos com dois narizes, um de cada gato entenda-se! Tenho piada não tenho?
Não estão com vontade de trocidar o “Patrão” da oranginalidade?? Era oranginalidade, não imbecilidade, digam-lhe!
Ah!! Também não tenho histórias de viagens para contar, porque sempre que viajo é em trabalho (sim, eu sei, estou a contradizer-me... afinal trabalho ou não trabalho? Eis a questão... já dizia... como é que é mesmo? Aníbal Cavaco Silva. Sou culta, sou muito culta!).
E... shame on me! Não conheço Nova Iorque.
Será que vou conseguir manter o meu emprego de bloguista? Aceitam-se apostas.
É doido
Ora digam lá,
Se eu vos disser Oranginalidade em quem é que vocês pensam logo?
Exactamente, lembram-se do gato de dois narizes, do Jean d'Orange, dum Vic Vapospray gigante do deserto, dum Al Capone campeão da bisca dos três, e os mais atentos certamente lembrar-se-ão dum JP. Era esse a quem eu queria chegar. Pois bem, parece que este senhor conhecido pela 10ª e 16ª letra do alfabeto (não esquecendo de contar o 'k', porque, quer-se dizer lá por nós não o utilizarmos não significa que ele não exista, não vale a pena estar a discriminá-lo só por isso) achou que devia convidar colaboradores para o auxiliarem na sua tarefa de oranginalizar, e vá-se lá saber porque carga de água resolveu convidar-me... não sei o que lhe terá passado pela cabeça, se foi deliberado ou apenas um momento de devaneio, mas a verdade é que agora o mal está feito!
Aceitei o convite sem grandes pretensões. Porventura não terei a minha veia literária desenvolvida o bastante, nem tão pouco terei o sentido de humor suficientemente apurado, mas espero de uma maneira ou de outra poder dar um pequeno contributo a este blog tão oranginal.
Por isso já sabem, quando mais dia menos dia virem um post diferente não se assustem, é tudo pela oranginalidade!!!
Se eu vos disser Oranginalidade em quem é que vocês pensam logo?
Exactamente, lembram-se do gato de dois narizes, do Jean d'Orange, dum Vic Vapospray gigante do deserto, dum Al Capone campeão da bisca dos três, e os mais atentos certamente lembrar-se-ão dum JP. Era esse a quem eu queria chegar. Pois bem, parece que este senhor conhecido pela 10ª e 16ª letra do alfabeto (não esquecendo de contar o 'k', porque, quer-se dizer lá por nós não o utilizarmos não significa que ele não exista, não vale a pena estar a discriminá-lo só por isso) achou que devia convidar colaboradores para o auxiliarem na sua tarefa de oranginalizar, e vá-se lá saber porque carga de água resolveu convidar-me... não sei o que lhe terá passado pela cabeça, se foi deliberado ou apenas um momento de devaneio, mas a verdade é que agora o mal está feito!
Aceitei o convite sem grandes pretensões. Porventura não terei a minha veia literária desenvolvida o bastante, nem tão pouco terei o sentido de humor suficientemente apurado, mas espero de uma maneira ou de outra poder dar um pequeno contributo a este blog tão oranginal.
Por isso já sabem, quando mais dia menos dia virem um post diferente não se assustem, é tudo pela oranginalidade!!!
Surpresas 2.0
Está imenso trânsito! Assim nunca mais vamos chegar a horas a Paris... e temos de parar para almoçar. Qual é a próxima saída? Ah, é para Gent... no mapa até parece não ser feio...
Apontar ao centro é o truque nalguns casos. E aqui é um exemplo. Estaciona-se junto da Catedral e, como a fome aperta, procura-se rapidamente, numa rua minúscula, um restaurantezinho para almoçar. Depois de alguma busca, lá se encontrou uma cervejaria "à la Flandres", onde umas deliciosas "Moules avec des frites" foram saboreadas...
Mas a surpresa estava guardada para a fase pós-prandial. Rica surpresa esta cidade de Gent... Nas margens do rio há uma quantidade tal de palácios e edifícios majestosos, que surpreende qualquer um... E logo bem perto, também as típicas casas da região se recortam na paisagem pitoresca. O cenário ideal para pintores, escritores, estudantes, enfim... para quem se queira inspirar.
Foi curta a minha visita a Gent... mas ficou bem premente o desejo de lá voltar...
terça-feira, março 30, 2004
Tsé Tsé
Quem é que se lembra de chamar "tsé-tsé" a uma mosca? O tipo que inventou o nome devia estar com uma dose de sono das grandes. Provavelmente por ter sido mordido pela mosca. E quando foi encontrado a dormir no meio de uma avenida africana e lhe perguntaram "O que é que o amigo tem?", ele deve ter respondido num tom letárgico... "Fui morrrrdiiiidoooo por uma mozzzzzzzcaaaa".
T: "Por uma mosca?"
D: "Ziiiiiiimmmmm...."
T: "E era uma mosca normal?"
D: "Era uma mozzzzzzzzz... tzzzzzz.... tzzzzzz"
E só porque não conseguiu dizer a palavra "mosca" até ao fim, o dorminhoco (daí o D nos diálogos...) induziu os trauseuntes (óbvio significado do T) em erro e estes telefonaram logo para a Enciclopédia Britânica a comunicar...
E: "Enciclopédia Britânica, boa tarde, em que lhe posso ser útil?"
T: "Era para comunicar uma nova espécie de mosca!"
E: "Com certeza, vou já passar à nossa secção De Maionese a Mulan..."
T: "..."
E: "Secção Maionese - Mulan, em que lhe posso ser útil?"
T: "Olhe, era para registar uma nova mosca, com o nome tsé tsé"
E "Muito bem, vou já passar para a secção De Mosca Amélia a Mosca Zombadora"
E depois de uma chamada intercontinental bem cara... os trauseuntes lá registaram erroneamente a mosca... que não era mais do que uma mosca-da-fruta...
segunda-feira, março 29, 2004
O Queijo Ralado
O pão e o queijo sempre viveram juntos. Muitos comentavam a sua relação e davam diversos palpites sobre o futuro da mesma.
Como por exemplo esta conversa que consegui interceptar entre o esparguete, que será conhecido no diálogo como E e a manteiga, representada por M.
M: Estou-lhe a dizer... andou na má vida até às tantas e quando voltou para casa nem sequer conseguia fazer o oito!
E: Ó dona Manteiga, isso não me parece nada de alguém da compostura do pão... Não devia estar para aí a tratar o homem como se ele tivesse bolor. Até porque lembre-se que a acusaram de se atirar a ele.
M: Sabe que isso não era verdade!!! Eu sou muito fiel ao bife e não o trocava pelo pão. O senhor é que se põe para aí a enrolar a conversa... e não tem um bocadinho de pena do queijo, que até gosta tanto de se meter consigo...
E: Mas eu não dou para esses lados... Mas mesmo assim faz-me pena se realmente o homem se andou a embebedar até tão tarde...
M: Pois é! Mas foi o que se passou...
E: Imagino quando chegou a casa...
M: Nem queira imaginar... umas horas daquelas e o queijo... o queijo ralado...
Oranginalidade Múltipla...
Caros leitores,
À medida que este polvo cresce, senti necessidade de lhe dar mais braços.
Por isso, vão em breve começar a ter o privilégio de ler textos dos novos colaboradores do Oranginalidade.
O facto de entrarem novas pessoas não choca minimamente com a promessa que vos foi feita, aquando da abertura deste blog, de que a criatividade e a originalidade pretendem ser as traves-mestras desta casa que tem tanto gosto em vos receber.
Pela Oranginalidade,
JP
À medida que este polvo cresce, senti necessidade de lhe dar mais braços.
Por isso, vão em breve começar a ter o privilégio de ler textos dos novos colaboradores do Oranginalidade.
O facto de entrarem novas pessoas não choca minimamente com a promessa que vos foi feita, aquando da abertura deste blog, de que a criatividade e a originalidade pretendem ser as traves-mestras desta casa que tem tanto gosto em vos receber.
Pela Oranginalidade,
JP
domingo, março 28, 2004
Surpresas 1.0
Há destinos que correspondem às nossas expectativas. Outros que são uma desilusão... e finalmente há os que são uma agradável surpresa.
Sem dúvida que Bremen é uma agradabilíssima surpresa!
Quando se entra na cidade, provavelmente ninguém diz que eu tenho razão. Como boa cidade alemã, tem muita confusão, muita falta de indicações, muitos carros, muita indústria, muito sentimento de "tirem-me daqui para fora". Com uma boa dose de paciência e um olho vivo para as setas de "Zentrum"... lá se chega a uma zona que nos parece melhor. Um parque verde e um moinho em funcionamento parecem ser locais centrais, e, como tal, estaciona-se.
Saio do carro e percorro as ruas de Bremen, sem trânsito e com muitas lojas. É um passeio agradável, mas quase banal, até chegar à Praça Central, onde a estátua dos quatro animais músicos é o prelúdio das maravilhas que se seguem.
Entrar no bairro velho de Bremen é como entrar num sonho, ou melhor, é como viajar no tempo. Voltar ao ano 700 torna-se uma realidade e a mística que nos envolve é indisfarçável. Património antiquíssimo, bem cuidado e valorizado. Lojinhas que aproveitam a história e a fama da cidade. Museus que complementam o museu vivo que a própria Bremen é... Temos de tudo ali. Até belas cervejarias em que nos podemos perder e deliciar com magníficos bifes alemães e gigantescas canecas de cerveja, para quem gosta... E quem não gosta, que beba as gigantescas canecas, mas de cola ou assim... E que se termine com o sempre delicioso "apfëlstrudel"!!!
Bremen é daqueles sítios em que ninguém consegue ficar indiferente... a paixão é instantânea... e deixa marcas!
sábado, março 27, 2004
Al Capone
Al Capone, Al Capone...
Um bom homem, criminoso de profissão e travesti nos tempos livres. Al costumava dizer: "Meu Deus, eu matava por uma boa chouriça". E foi isso que fez. Obviamente, nunca conseguiu a chouriça... mas isto porque os seus contactos não chegavam tão longe como a região centro-norte de Portugal.
Já viram bem? Um homem que controlava a região centro-norte dos Estados Unidos não conseguia fazer o mesmo à correspondente lusa. E isso bem que o irritou. Há quem diga até que um dia, Capone anunciou: "A partir de hoje, quem quiser ser um gangster à séria tem de se ir formar na Cova da Moura ou no bairro da Belavista em Setúbal". Mais uma vez pensaram que ele estava a brincar e olha... os grandes gangsters só apareceram umas décadas depois.
No campo do travestismo, Al foi o que se pode chamar um vanguardista, ao só usar um elemento identificativo dessa sua faceta: o baton.
Além disto, que todos vocês já sabiam, descobriu-se também recentemente (mesmo recentemente... há coisa de segundos no meu cérebro...) que Al Capone foi campeão estadual do Illinois, em bisca de três.
Pois é, pois é, pois é...
sexta-feira, março 26, 2004
Tragicomédia do homem que mordeu a cascavel
Muitos de vocês se perguntam, e com razão, porque é que o facto da Esfinge não ter nariz deriva do homem que mordeu a cascavel...
Como eu sei que vocês gostavam mesmo muito de saber isso, passo a explicar como tudo se passou...
Um belo dia, um homem saiu para ir à caça no deserto árabe (Deus queira que haja cascavéis lá... senão tenho de descalçar um erro geográfico...), à caça de cactos, como é óbvio... Muito silenciosamente, lá foi progredindo, para que os cactos não o ouvissem, e quando estava quase a apanhar um bem grandinho, ouviu o zumzum de uma cascavel e foi logo mordido. Irritadíssimo por perder o cacto, que logo fugiu, o Homem não esteve para meias medidas. Correu alguns metros atrás da cobra, e desferiu-lhe uma valente mordidela...
Como seria de esperar, a cobra desatou a correr... ah... opsss... a deslizar... muito depressa, enquanto silvava de dor. Ora... apareceu-lhe no caminho um camião tuaregue, que quando viu a cobra, obviamente, desviou-se violentamente da estrada de alcatrão (quer dizer... era mais terra batida, ou areia). Nisto... foi de encontro a um oásis, e o tuaregue condutor saiu cuspido do camião. Ao voar, bateu numa palmeira que, como toda a gente sabe, funciona como uma fisga e o lançou para muito, muito longe.
Embora fosse parar muito longe, foi logo cair em cima de um camelo, que saiu dali disparado, e sem ver os trajectos que pisava, atropelou um pobre de um cacto, que andava na sua vida diária. O cacto praguejou e isso fez eco. O eco dos gritos do cacto chegou a uma gruta do deserto... Os morcegos dessa gruta ficaram doidos, e saíram cá para fora a voar. Ainda meio azamboados foram pôr-se à frente de uma praga de gafanhotos. Os pobres dos bichos descontrolaram-se e acertaram no "Vic Vapospray gigante do deserto". O Vic começou a rodar que nem uma barata tonta, ou melhor... que nem um spray nasal tonto... e o primeiro nariz que encontrou foi o da esfinge... Tentou lá entrar, mas como era gigante, não conseguiu e acabou por arrancar o nariz à coitadita!
quinta-feira, março 25, 2004
Perigoso parar para pensar...
Parece-me potencialmente perigoso parar para pensar.
Porque... perante possíveis perspectivas, pode-se ponderar pensar por pensar ou pensar por si próprio. A probabilidade de punição pós-pensamento é perturbante...
Portanto, parecendo não parecer potencialmente perigoso, pensar é provavelmente pior do que permanentemente persistir na ponderabilidade do uso repetido do "P".
Por isso, permitam-me parar o post, para permeabilizar o potencial do pensamento português.
Para portugueses potentes e pensadores,
jP
quarta-feira, março 24, 2004
O insustentável estado de graça do ser...
Jolter Heinz foi atingido por um rude golpe. Jolter Heinz era boa pessoa. Jolter Heinz fomentava o bom relacionamento entre todos os cidadãos do mundo. Jolter Heinz sentia-se bem a fazer isso.
Um dia... Jolter Heinz cometeu um erro. Jolter Heinz admitiu o erro. Depois... pensou que tudo iria melhorar daí em diante.
Jolter Heinz desiludiu-se... descobriu que há muito que os castelos e as grandes terras à volta e a justiça e a bondade são meros contos de fadas.
Apetecia a Jolter Heinz partir e não voltar tão cedo. Dar uma, duas, três voltas ao mundo, sem destino, sem obrigações, sem necessidade de hipocrisias. Mas não o fez! Porque Jolter Heinz não era fraco. Conseguia viver por si. Se o mundo tomasse a medida de nunca mais lhe dirigir a palavra... Jolter Heinz sobreviveria. A sua imaginação era o seu porto de abrigo. Podia pensar até querer, até tanto aquecer os motores... que quase não lhe apeteceria pensar mais.
Jolter Heinz aprendeu duas grandes lições! A não ser mau... porque isso havia sido muito incómodo e perturbante para ele, mas também a não ser bom de mais noutras ocasiões. Afinal... o passado era algo tão volátil como um gás muito volátil. Ninguém o julgaria por isso. Tal como ninguém tinha sido justo a julgar outro J... JC, alguns milhares de anos antes...
terça-feira, março 23, 2004
República das Bananas
É interessante este conceito de república das bananas... Dantes a banana deveria ser vista como o principal fruto proveniente de países menos desenvolvidos, e seria essa a justificação para tal designação.
No entanto, acho que o aperfeiçoamento alimentar nas mesas portuguesas... começa já a ser compatível com nomes como "república das mangas" ou "república das papaias"... Ou até, se não estivermos a falar de fruta, "república da picanha"... já que hoje em dia qualquer restaurante português tem esta espécie...
Acho até que as crianças no futuro, ainda vão acabar a pedir uma "picanha com ovo a cavalo", essa especialidade tão nossa... Ou as ementas vão passar a mostrar nomes como "picanha da vazia", "picanha do lombo", "picanha à Portugália"... ou mesmo "picanhinhas de perú com cogumelos"...
segunda-feira, março 22, 2004
East River Boy (3) (não aconselhado a quem se impressione facilmente com linguagem violenta... a sério...)
- Dinheiro... o problema é dinheiro então...
- Mas dou-lhe todo o que quiser!!! - implorou Bernstein.
- Todo o que eu quiser? A sério? O valor que eu achar decente?
- Sim, desde que eu o tenha... é seu!
- Hmmm, então diga-me lá... quanto vale esta sua mão direita que deve usar para assinar os depósitos no banco?
E sem que Bernstein tivesse tempo de reagir... viu uma espada da idade média reflectir a luz da lanterna e viu a sua mão direita voar para a escuridão...
A estridência do berro de dor deve ter sido propagada quase até à nascente do East River.
Terminado o horror inicial, Bernstein ia começar a praguejar... quando a espada voou novamente e desta vez acertou em pleno joelho esquerdo, com uma violência de golpe tal que lhe amputou a perna daí para baixo...
- Mate-me, mate-me, por favor!!! Eu não fiz nada para merecer isto...
- Ai não? E o que dirão as famílias das vítimas dos assassinos que tu defendes?
- Mas... mas... é o meu trabalho... a minha profissão... cada um faz aquilo que sabe...
- Aí tens razão!
E com esta frase, o homem do chapéu accionou uma alavanca que Bernstein não conseguia ver... e este último reparou que as correntes que o apertavam se começaram a mexer. Foi arrastado pelo chão e de repente... começou a ver alguma claridade... luzes verdes e encarnadas...
Rapidamente as reconheceu como sendo luzes da margem do rio... cada vez mais perto. E subitamente, o chão desapareceu, Bernstei caiu e sentiu-se a entrar lentamente na água com as correntes a conduzir o advogado para o fundo...
Duas horas depois, o homem retirou as correntes da roldana, deu meia-volta e abandonou o armazém. Não sem antes limpar o sangue que sujara a sua espada... nos estofos de um Lexus que prontamente destravou e encaminhou para junto do dono.
E Bernstein voltou a ser notícia de projecção nacional passados três dias... embora por motivos ligeiramente diferentes dos daquele dia...
Tenham muito cuidado... nunca se sabe quando vai aparecer o East River Boy...
domingo, março 21, 2004
East River Boy (2)
Má ideia ter feito isso... Sentiu que algo de estranho se passava. O vento parecia ter parado de soprar, a noite parecia-lhe mais escura e até um gato que rondava o local se tinha evaporado, como que por artes mágicas...
De repente Bernstein ouviu passos... Olhou para trás de si e não viu nada... Está bem que a sua visão estava algo turva, mas mesmo assim... Pneus furados e passos aterradores, tinha de ir embora o mais rápido possível!
A última coisa que viu foi um reflexo no seu vidro quando tentava abrir a porta... A seguir acordou dorido e a sentir o molhado do chão. Não conseguia ver um palmo à frente do seu nariz, mas pareceu-lhe estar numa espécie de armazém. Porque cheirava ao de leve a peixe e ouvia o som de água a pingar.
Abrindo os olhos lentamente... começou a distinguir um pequeno brilho do lado esquerdo do seu campo de visão... o que aparentava ser uma lanterna apontada à distância. Junto da lanterna, pareciam também notar-se os contornos de um homem de gabardine e chapéu... mas simplesmente imóvel e sem aspecto de se vir a mexer. Bernstein continuou a observar esse local e apercebeu-se de que a lanterna se aproximava agora de si, carregada pelo vulto.
Com a fortíssima luz a um metro de distância, o acorrentado não conseguia ver nada para além do brilho, acabando por ouvir:
- Mas quem é que é capaz de defender uma pessoa, sabendo que é um assassino?
- Desculpeee.... Quem... Quem é vocêêê...? - perguntou Bernstein muito a custo.
- E o que é que isso te interessa? Parece-me que não olhas a nomes, alturas, cores ou atitudes para escolher os clientes que defendes. Por isso também não te devias preocupar em definir quem te faz frente.
- Eu tenho dinheiro, muito dinheiro... Se me tirar daqui, posso dar-lhe uma vida descansada para o resto dos tempos!!!
- Aaaaaaaaaaah aaaah aaah!
A gargalhada do homem do chapéu ecoou fria pelo armazém em que se encontravam....
sábado, março 20, 2004
East River Boy
Era o rei da margem oriental do rio. A sua simples aparição provocava os mais terrivéis calafrios a quase todos... Ninguém tinha coragem de lhe fazer frente!
A própria corrente do rio parecia fugir para o outro lado, com o terror instalado nas suas turvas águas. E com alguma razão... Muitos já ele fizera terminar os seus dias no fundo do East River. Os seus métodos eram muito particulares... As vítimas nunca apareciam. Pelo menos inteiras... já que por vezes eram recolhidos pedaços de carne, do que se pensava ser uma fábrica de conservas de carne, na margem do rio, bastante a juzante do bairro do Boy.
E a escolha das vítimas também não era criteriosa. Tanto podia ser quem o confrontasse, como quem lhe parecesse dar um bom esquartejado, como alguém que estivesse num dia de azar. Porque quando não tinha de o fazer por necessidade... o Boy fazia-o por prazer...
A morte e o Boy tinham o mesmo apelido...
Que o dissesse o advogado Bernstein, que naquele dia saiu do tribunal com um ar triunfante. Tinha acabado de ganhar um caso. Bem mediático, por sinal. Defendeu, sem escrúpulos, um assassino convicto, que foi ilibado com a ajuda de psiquiatras que confirmaram a sua inocência por problemas psíquicos. O triunfalismo de Bernstein acompanhou-o a um bar nas docas, onde os amigos Oliver e Joshua o esperavam. Foi com alegria que o receberam, já tinham aliás sabido da vitória do seu compincha, pela rádio. O álcool falou mais forte e os festejos foram de arromba.
Já passava das duas horas da madrugada quando Bernstein se despediu dos amigos e saiu do bar em direcção ao seu Lexus topo de gama. Ao chegar ao carro, mesmo embriagado, conseguiu ver que os pneus da frente estavam mais baixos que os de trás... E foi confirmar o que se passava...
sexta-feira, março 19, 2004
Pai Power
"Pai, é verdade que os pais sabem sempre mais que os filhos?"
"É sim, meu filho."
"E quem é que inventou a lâmpada, pai?"
"Foi Thomas Edison, meu filho."
"Então porque é que não foi o pai dele?"
Acho que os pais sabem mesmo mais do que os filhos...
E se há pessoas que têm a infelicidade de ter um pai que apenas o é por motivos fisiológicos... porque, tirando um caso há dois mil e tal anos... ninguém nasce só de uma mãe... muitos outros têm a sorte de ter um pai que o é realmente.
Que partilha os maus momentos, que partilha os bons momentos, que partilha os momentos que não o são, enfim... que está lá, sempre que é preciso, para assumir o amor que essa posição suprema de pai lhe confere.
Por isso, neste dia, o meu post é dedicado a todos os pais dedicados (passe a redundância) ... inclusive ao pai do Thomas Edison... e especialmente ao meu, que ainda é mais super que o senhor careca da série da TVI.
quinta-feira, março 18, 2004
Não é fácil...
Há dias em que até os imortais se sentem incomodados... Quanto mais o vosso amigo, nada mais que um comum dos mortais...
Não há lá muito glamour em ficar "à filme", quando isto significa... "à filme para rir", à "personagem que levou uma tareia tal que não consegue virar o pescoço". Assim ficou alguém hoje... A noite lembrou-se de fazer das suas e o rigor que hoje atravessa a minha pessoa... existe não noutros campos... mas particularmente no pescoço, ombros e costas.
Por isso... hoje ninguém use frases como "Fiquei petrificado" ou expressões como "Freeze!", não vá dar-se o caso de eu me ofender...
terça-feira, março 16, 2004
O Gato das Botas
Não tem dois narizes, mas podia ter! E pelo sim, pelo não, tem duas botas. Já tem "duas" vezes qualquer coisa...
Por isso, quando o encontrarem na rua... sejam simpáticos com ele. Quer ele venha a ser, ou não, seleccionador nacional... a nossa bondade e o nosso gosto interminável por esses seres fabulosos que são... as botas... levam-nos a nutrir um carinho especial e a esperar que, sim, talvez, quiçá, um dia, por hipótese, nunca se sabe, a vida é feita de surpresas, o inesperado está ao virar da esquina, pode sair um coelho da cartola, inesperadamente... o gato além de duas botas ganhe dois narizes!
segunda-feira, março 15, 2004
Estranho mais estranho... não há!
Depois de sair de Las Vegas de carro em direcção a norte... deparamo-nos com umas boas seis ou sete horas de... nada! Deserto, cactos, poeira, recordações de assassínios em filmes, e por aí fora.
Lá para o fim da tarde, chega-se à pequena localidade de Lee Vining. Para vos dar uma ideia... nunca me tinha sentido tão dentro de um episódio dos Ficheiros Secretos. É que esta aldeia é mesmo perturbante. Para começar... o facto de estar muito distante de qualquer outro foco de vida humana já dá que pensar. Depois... está à vista do mais estranho lago à face da Terra, o Mono Lake... que é um lago salgadíssimo (resquício de um antigo mar), do meio do qual emergem estranhas formações piramidais... ao que parece também feitas de sal.
Como se isto não bastasse... a rua principal de Lee Vining é a estrada, e entre a placa de entrada e a de saída na terrinha... vão escassos metros. E só há uma fila de casas de cada lado da estrada...
E depois... tem um motel, um café e um restaurante.
No dia em que cheguei, fui jantar ao restaurante, de qualidade nada recomendável... No dia seguinte, fui tomar o pequeno-almoço ao café e... não é que os empregados eram rigorosamente os mesmos da noite anterior? Mas isso não é o mais arrepiante. É que tinham fardas diferentes... e até chapéuzinhos diferentes... e não é que o pequeno-almoço até era espantosamente bom??? E a cozinheira devia ser a mesma...
Contente de sair vivo de Lee Vining... algo de estranho se passa ali...
Vale pelo céu límpido, que à noite deixa ver aviões, cometas e estrelas de uma forma impressionante!
domingo, março 14, 2004
Double Payment
O conceito de duplo pagamento é algo que começa a ser hábito no nosso país. E um dos locais onde isso é bastante visível... é precisamente no meio da rua.
Sim... no meio da rua! Porque não sei se vocês já repararam, mas são muitos os locais em que, para estacionar, temos de pagar a duas entidades. E essas duas não são a EMEL e a PSP... Isso é para as multas... É outra história... Fica para outro dia. Agora, para parquear o veículo, o que é frequente é ter de dar a moedinha simultaneamente ao arrumador e ao parquímetro! Não deixa de ser um conceito interessante...
Só acho que, no estado em que infelizmente se encontram alguns dos arrumadores, um dia destes vamos ver cenas de pancada entre estes e os "papa-moedas". Parece que já estou a imaginar um arrumador a bater num parquímetro e a dizer. "Ó sócio... esta zona aqui é minha... não podes trabalhar aqui, meu, tá-se??? Põe-te mas é a andar se não queres que eu chame o Vasily ou o Camundongo! Aiiii!"
sábado, março 13, 2004
Paquidérmico
Numa altura em que se fala tanto de filmes que impressionam pela violência... é apropriado lembrar o excelente "Elephant" de Gus Van Sant.
Porque a violência de que actualmente se fala... é mais a declarada, física, com doses redobradas de sangue à mistura. E a violência de "Elephant" é muito pior do que isso... É psicológica... E tem a sua base no conhecimento de que a história é baseada nos acontecimentos reais do liceu de Columbine.
Com uma realização deliciosa... são expostas, mais uma vez, através do argumento, todas as permeabilidades do nosso mundo actual, e a facilidade com que indivíduos com padrões de comportamento alterados conseguem levar a bom porto as suas terrivéis iniciativas.
Todas as histórias mirram perante o agigantar de uma única... As histórias que se sabe irem ser cruzadas, acabam por sê-lo da pior forma.
Dá mesmo que pensar este filme...
quinta-feira, março 11, 2004
Bigode Obrigatório
Há certos aspectos da vida quotidiana que nos passam despercebidos. No nosso país, mais que nos outros, há casos gritantes desta afirmação.
Um dos mais relevantes, a meu ver, é a regra seguida pela Federação Portuguesa de Futebol para contratar os diversos seleccionadores nacionais... e que passa pela obrigatoriedade de os mesmos terem uma bela bigodaça.
Alguns de vós dirão: "Regra? Não estarás a exagerar?". E eu respondo que... bem... regra, regra talvez não seja... mas fetiche pelo menos é. Até porque, os próprios portugueses iriam sentir-se desiludidos se vissem agora à frente da selecção de todos nós um homem sem bigode. É que se criou uma certa mística... E por isso é que Carlos Queiroz não foi convidado para assumir o lugar, visto já ter cortado o bigode, quando o seu nome era falado como possibilidade.
Esta política da Federação, até acaba por nos facilitar a vida... uma vez que assim podemos desde logo pensar em futuros seleccionadores nacionais de futebol após a era Felipão.
E desde já vos avanço que Saddam Husein e o Gato das Botas se apresentam desde já com fortes possibilidades de escolha.
O anormal que vivia na cidade
Imagem proveniente do site "http://www.metrolisboa.pt/"
Era um vez um anormal. O anormal vivia numa cidade europeia, cujo nome vamos omitir, mas que começa por L, acaba em A, e pelo meio tem as letras I, S, B e O, numa ordem perfeitamente aleatória.
Nessa cidade todos diziam ao anormal (e esclareça-se que acho que lhe diziam isso muito bem) para utilizar os transportes públicos. Para não levar a sua anormal viatura para o interior da cidade.
Como o anormal ainda era jovem, até há pouco tempo tinha um passe de Metro para 30 dias, com desconto de Cartão Jovem. E assim ele viajava, e assim ele poupava o ambiente da sua cidade,...
De repente, um dia, o anormal vai comprar o seu habitual passe e surpreende-se. A sua anormalidade fica algo estupefacta quando se depara com o seguinte: não é que deixou de haver desconto para portadores de Cartão Jovem? E... o quê? Será mesmo? Não é que no mesmo dia o próprio passe normal aumentou???
E então... lembra-se de fazer as suas contas anormais, e descobre que, em relação ao mês anterior, o preço do seu passe sofreu um ligeiríssimo aumento de 40%. Num mês... E ninguém se queixa... Ninguém reclama... A vida é mesmo assim e a anormalidade é para ser vivida como parte dela.
E assim... diariamente... o anormal lá vai continuar a usar o seu metro, embora pelo meio da sua anormalidade haja tempo para colocar uma questão:
"Será que eu sou anormal... ou o serviço que me é prestado continua, tal e qual como antes do aumento, simplesmente... péssimo?"
terça-feira, março 09, 2004
O exemplo do orgulho em ser de Bergen
Há terras diferentes.
Há terras em que as pessoas não são meros habitantes.
Há terras em que as pessoas têm orgulho em dizer que são de lá.
Bergen é uma terra às direitas.
Em Bergen, as crianças são desde muito pequenas ensinadas a gostar da sua cidade. São ensinadas a vestir-se com os trajes da sua cidade. Todos os anos treinam a marchar, a cantar e a declamar... até que chegada certa idade, sentem o orgulho de participar na Parada de Bergen, em que numerosos jovens desfilam perante os olhos de todos os orgulhosos bergenses.
E até um dialecto próprio esta gente tem.
E lá vão vivendo, entre os fjordes e os glaciares, entre o salmão e a pesca da baleia, entre o baixo Bergen Brygge e o alto monte onde só se chega de funicular. Freneticamente, Bergen vai existindo todos os dias... e para quem vem de fora... resta concluir: não é, de facto, difícil ter orgulho em algo assim!
Ponham-se os olhos nos Bergenses e dê-se mais valor ao que sentimos como nosso. Mas não apenas num plano conceptual... de boas intenções está o Inferno cheio. Faça-se por isso, por menores que sejam os nossos gestos. Por mais que nos custe, é como nos dizia Pessoa...
"Falta cumprir-se Portugal!"
segunda-feira, março 08, 2004
Esquecido de pagar...
"Paycheck" é mais um filme futurista, de um realizador que vem dando boa conta de si, e com um argumento bem engraçado. Embora seja tremendamente previsível, vê-se bem, e nunca pára... é um movie simplesmente... sempre a andar.
O título em português é "Pago para Esquecer". Só isso é que eu acho menos bem... Em Portugal o que mais há é muita gente esquecida de pagar, por isso, de uma vez por todas... quando é que os títulos dos filmes são bem traduzidos??? É que há que adaptar à nossa realidade...
sábado, março 06, 2004
De volta!
Cá estou eu de novo. Sentiram saudades, não foi? Eu quase não tive tempo para ter saudades vossas...
O ski é realmente um desporto fantástico! A adrenalina é elevada aos limites e ultrapassam-se todos os medos, de uma forma simplesmente inimaginável.
A paisagem é deslumbrante, e tão bem que sabe olhar para ela enquanto as cadeiras continuam o seu interminável percurso ascendente. Lá em cima, o ar rarefeito e a visão dos abismos que nos rodeiam, dão aquela sensação de montanha russa no estômago. Depois disso... tudo toma um novo rumo. A descida é alucinante e não há tempo para medos, falhas ou indecisões. A montanha pede para ser atacada e como tal... nós fazemos-lhe a vontade!
E dos terrenos planos, a verde, do primeiro dia... rapidamente o azul chama por nós e acaba-se a semana no encarnado! E o que vale é que a cor negra está lá à espera para o ano que vem...
Vão a Pas, vão a Grau Roig, tenham aulas com o Hernan, desçam a Isards, desçam a Pastora, desçam até, quem sabe, a Directa ou a Gavatxa...
Façam como bem quiserem, mas... por amor de Deus... vão à neve!!!
(desta vez o post é dedicado aos colegas de descida JV e MLM e também aos professores privados DSG, DdS (estes dois são mesmo muito cromos do ski...) JMS, JL, Mdl, Mrt, FB, LPBF e Gçl)
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