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encontros passageiros

passamos pela vida tão tão passageiramente que me pergunto porque damos o valor que damos ao definitivo? quando passamos as horas e os dias na ânsia do amanhã temos tendência a não conseguir brincar com o presente nem rir sobre o passado. é como se tivéssemos uma caixa cheia de legos de várias cores, tamanhos e formas, e não a despejássemos no chão do quarto para umas boas horas de brincadeira já a pensar no calvário (que não antónio) que será arrumar tudo de novo na caixa no final. não é isto uma ode anti-definitivo. há coisas definitivas que são boas, estão provavelmente na fundação do prédio que acabamos por ser (ou que achamos ser e que acreditamos ter fundações). mas se o prédio tem de ter uma estrutura que resista a ventos e tempestades, os inquilinos ou a decoração das paredes pode (deve?) variar para não se eternizar uma renda que nem actualizada pode ser porque assim ficou acordado há muitos anos. o encontro passageiro e inesperado é muitas vezes o catalizador do brilho no...

meu filho, nasceste para isto

a NBC ter um tipo chamado Bob Costas como jornalista responsável pela natação é no mínimo épico . espero rapidamente que arranjem um José Roda para cobrir o ciclismo e uma Manuela Peso para ver como anda a halterofilia .

sobre decadência

a observação da decadência de um ser vivo traz sempre consigo o peso de não sabermos lidar bem com as descidas . por mais que nos afirmemos corajosos e tentemos fingir que todas as coisas têm um ciclo natural a percepção do ciclo não significa que o mesmo passe a doer menos . tenham um bom dia e aproveitem a vida, porque ela passa mais rápido do que num ápice .

a ditadura dos números

o mundo mudou. só importam os números e as pessoas ficaram para segundo plano, perdidas entre ambições que lhes foram vendidas e que nem sequer sabiam que tinham mas que afinal têm e têm mesmo de lutar por aquilo que há meia hora nem sabiam que existia mas que agora é crucial. quase tão crucial como eu ter usado mais vírgulas na frase anterior, mas todo eu sou a favor de se ficar sem fôlego. o mundo é dos números. por isso não te admires que um dia destes me apaixone pela perna do teu sete.

a página em branco

a página em branco e o cursor a piscar são vendidos ao mundo como sinónimo da desgraça de quem escreve. isso mostra bem como o mundo anda sempre tão dedicado na perseguição da quantidade e tão distraído na aplicação de crivos de qualidade. nas minhas visitas, muito selectivas, pela blogosfera, encontro tantas vezes tanto em tão pouco e outras vezes tão pouco em tanto. com isto não sou apologista de que só os resumos sejam bons. há livros grandes que parecem pequenos e há livros pequenos que parecem enormes de tão chatos que são. cada vez nos é oferecida mais informação, cada vez há mais vias de fazer chegar essa informação. a menos que batalhemos constantemente pela selectividade e pela criação de um limiar pessoal de qualidade na informação que queremos, vamos acabar vítimas desse paradoxo que é saber cada vez menos num mundo que permite saber cada vez mais.

na vida como nas ementas americanas

as ementas nesta terra que me acolheu têm um grave problema de complexidade. por mais agradável que seja a multiplicidade de oferta, almoçar ou jantar fora num restaurante americano é um desafio com laivos de hercúleo. escolher um entre milhares de pratos e quando acharem que a tarefa chegou ao fim ainda vem a altura de vos perguntarem como querem a carne, que molho querem, todos os acompanhamentos à disposição, e por aí fora, o que me faz sempre acreditar que para se ser empregado de mesa nos estados unidos é preciso um curso de decoranço. ou então são só actores sem sucesso em hollywood que vêm parar a esta profissão em segunda instância. há dias em que só nos apetece limitar as dúvidas a dois ou três pratos. e mesmo isso às vezes é demais. a vida moderna sofre do mesmo trauma. vestidos do maravilhoso livre arbítrio que o tempo de agora nos trouxe, temos que, quase do berço, decidir tudo e um par de botas. o que vamos ser, o que queremos fazer, com queremos estar, o que isto, como ...