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Tropical

Era a primeira vez que punha os pés em St. Lucia. O nome trazia-lhe algo da infância. Ainda se lembrava bem de quando tinha tido aulas de órgão (e de quantas piadas infantis tinham sido feitas a esse respeito durante anos a fio) e uma das primeiras músicas que tinha aprendido a tocar era a St. Lucia. Lembrava-se também de como a semelhança entre as palavras órgão e oregão permitiram horas e horas de imaginação a fluir no sentido de não chegar a lado nenhum.

Esta St. Lucia tinha menos melodia mas muito mais harmonia de águas verde esmeralda e colinas verde não esmeralda. Mal se saía do avião o bafo tropical dava as boas vindas quase com tanta vontade como o cocktail tropical que o esperava na zona de recolha de bagagens. Na verdade a bagagem vinha quase vazia, é a melhor parte de viajar para sítios onde o único frio é o do balde de gelo onde se guardam as garrafas de vinho branco.

A viagem de táxi até ao hotel foi tão cheia de percalços como a vida de um técnico oficial de contas. O quarto de hotel esperava por ele como uma criança espera pelo dia de Natal, mas com menos velhos de barbas brancas e mais varandas com vista para o mar. Assim que entrou na varanda saiu para outro mundo, viu as escadas que serpenteavam montanha abaixo até a uma baía privada. Privada de gente mas cheia de vida. Duas tartarugas andavam na sua vida de não lebre e pássaros de várias cores tentavam importunar, com pouco sucesso, as suas existências de ser com carapaça. 

Ouviu ao longe o som de uma harpa, o sinal combinado para avisar os hóspedes da hora de jantar. Desceu a escada de caracol e sentiu o sangue correr por todos os seus poros quando viu o banquete que se desdobrava à sua frente. Salivou pela língua e pelas circunvoluções cerebrais todas, sentou-se e foi servido como um imperador de tempos antigos.

Ia chegar à sobremesa, algo que cobiçava desde que viu tudo o que estava naquela mesa, quando ouviu uma música bem conhecida a tocar em baixo volume ao fundo. O volume era agora cada vez mais alto. Tão tão alto que o forçou a abrir os olhos, acordar e sair da cama para começar um novo dia.

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