segunda-feira, dezembro 31, 2018

papel, pedra e tesoura

há meses que ando a tentar jogar ao papel, pedra e tesoura no central park e o meu sucesso tem sido perto de zero.

só tenho sido feliz na parte da pedra, já as encontrei de variados tamanhos e feitios, guardei-as todas para um dia fazer um castelo e destruí um dedo mindinho entre dois seixos mais atrevidos, mas valeu a pena.


o papel tem muito que se lhe diga. acho que de início entendi mal, andei à procura do papel junto de qualquer pessoa que tivesse ar de vir a sair da broadway. um actor muito simpático recomendou-me um psiquiatra seu amigo e duas actrizes pouco sorridentes fugiram de mim como se tivesem visto a peste negra.


de todos os três, a tesoura é o maior desafio. já encontrei uma de podar, caída no relvado, mas um dobermann com ar ameaçador ladrou mais alto que a minha vontade de aventuras. 


ainda pensei trocar o jogo pelo xadrez, mas rapidamente desisti, eram ainda mais peças para encontrar. resolvi apostar em actividades mais estóicas. observar os pássaros a brincar, alegres, numa poça de água, aquece-me na mesma o coração e lesiona-me muito menos os dedos mindinhos.