domingo, novembro 28, 2004

A Festa do Livro



Na sexta-feira passada fui visitar a Festa do Livro na FIL. Ia com algumas esperanças, já que o evento fora anunciado no Metro, bem como em alguns meios de comunicação.

E num país em que a maior parte das pessoas não lê livros, a desorganização de algumas iniciativas como esta não ajudará sobremaneira a mudar o rumo dos acontecimentos.

Metade do pavilhão tinha livros em segunda (talvez para ser sincero mais em sexagésima segunda) mão, mas não estavam sequer organizados por temas. Assim, a "Anita vai ao Zoo" estava maravilhosamente situada entre "O Segredo de Hitler" e as "1001 maneiras práticas de apertar um parafuso".

A outra metade não era representada por editores livreiros, como a Feira do Livro, mas sim por Livrarias, o que criou a fenomenal coincidência de os mesmos livros serem vendidos em todos os stands.

A aplaudir a ideia, mas a lamentar a execução...

domingo, novembro 21, 2004

12 horas para mim, uma vida nova para outros



O fim-de-semana é provavelmente a altura da semana que mais agrada a 99,9% das pessoas. É aproveitado para descansar, para passear, para ver televisão, para jogar, para pôr coisas em dia, até para estudar, mas também há quem trabalhe.

Ontem das 11 da manhã às 11 da noite, por circunstâncias do meu curso, tive um Sábado diferente, um Sábado de banco. Mas um daqueles bancos de que ninguém se esquece. Em vez dos habituais acidentados rodoviários, enfartes do miocárdio, agudizações de asma, traumatizados cranianos, etc, calhou-me andar pelo serviço de Ginecologia e Obstetrícia e portanto tive o prazer de assistir a uma série de partos.

E acreditem que há poucas coisas mais espectaculares do que ver um pequeno ser vivo a sair do ambiente onde esteve aconchegado durante nove meses, para sair cá para fora e de repente ter de enfrentar uma gigantesca panóplia de estímulos sensoriais e diferenças ambientais. Nem admira que chorem...

Este meu post tem assim de ser dedicado à pequena Ângela (a minha primeira cesariana) e à pequena Margarida (o meu primeiro parto normal), bem como às mães, essas corajosas, acreditem que não é nada fácil!

domingo, novembro 14, 2004

Burfday



Hoje faço 21 anos. 21 Outonos, porque a mim a expressão 21 Primaveras não se adequa! E de quem é a culpa de eu fazer 21 anos? Dos meus pais? Claro que não, estão bem enganados! Não, não sou adoptado, quando muito sou adaptado, mas onde eu quero chegar é ao seguinte... eu ter nascido é que é culpa dos meus pais (ter sido "confeccionado" também terá tido a sua quota parte de importância). Agora o facto de eu fazer 21 anos depende da fantástica dinâmica cósmica, do facto de a Terra distar exactamente estes kilómetros do Sol, de as forças galácticas promoverem uma movimentação tão harmoniosa de todos os corpos celestes. Porque em Plutão ainda seria um bebé e em Mercúrio seria um idoso bem entradote... Isto em termos de idade é claro. Por isso no dia de hoje, mais que os parabéns à minha pessoa, devem ser dados os parabéns aos meus pais, em primeira instância, e ao Universo, por se moldar de forma a proporcionar este facto, em algo que eu chamo de uma visão "JP-cêntrica". ;)

quarta-feira, novembro 10, 2004

O Código de Castelo Branco

O Oranginalidade acaba de descobrir em mais um dos seus magníficos exclusivos que os Da Weasel descobriram a letra da música "Re-Tratamento" no diário de adolescência de José Castelo Branco. Alteraram-na ligeiramente para não chocar as pessoas, mas o Oranginalidade descobriu agora o diário original e lembrou-se de transcrever o texto de JCB "Re-Lacionamento", que fala de uma paixão que o Josésito teve enquanto juvem pubertário. Assim se segue...


Vou levar-te para casa - tomar conta de ti
Dar-te um bom banho, vestir-te um Chanel e…
Fazer-te um foie gras, meter-te na caminha
Ler-te uma historinha e deixar-te bem calminho
Ouve bem: Preciso de alguém do meu lado
Que me dê um bom dia e me deixe bem rasgado
Rasgado pela manhã, pela tarde e pelo fim do dia
Mais um pouco quando sonho era o que eu queria
Não é preciso muito, é muito simples na verdade
Só quero amor bom, carinho, solidariedade
Faz-me gemer e eu prometo que te faço chorar
Trata bem de mim e eu bem de ti vou tratar
Olá bicha, quero tratar de ti
Dar-te um mundo e outro tenho tudo aqui
Chega só um pouco perto de mim
Acredita que nunca me senti assim
Trata-me bem – eu juro que suo em pinga por ti
Faz a coisa certa como o Bruce Lee
Podes usar e abusar tipo brinquedo favorito
Mas tem cuidado, por favor, não o deixes partido…
Dou-te tudo o que puder, tudo o que quiseres
Desde que me jures que não me trocas por mulheres
Já usavas um foguete, vamos dar uma volta sim senhor
Escrevo um livro pelo caminho pra me esquecer do ardor
Procriamos como coelhos e quando nos derem pelos joelhos
Procriamos mais um pouco porque eu adoro fedelhos
Escrevo o teu nome no meu corpo para toda a gente ver
Bem piroso e amaricado, como o amor deve ser…entre machos!!!
Olá bicha, quero tratar de ti
Dar-te um mundo e o outro tenho tudo aqui
Chega só um pouco perto de mim
Acredita que nunca me senti assim
Gostas de filmes? Podíamos fazer um em privado…
Eu escrevo, realizo e actuo do teu lado
Podes ser a minha estrela, vou-te dar um bom papel
Pouca palavra, muita acção, acredita que é mel
Nasceste para isto, tá tudo previsto
Por isso insisto e não resisto a dar-te mais um pouco disto
Amor puro, fresco como a brisa do mar
Tenho montes dele guardado, e tá quase a estragar
Envelheço ao teu lado, eu bicha gorda tu bicha magra
Acabamos com o stock nacional de Viagra
Faz-me gemer e eu prometo que te faço chorar
Trata bem de mim e eu bem de ti vou tratar
Olá bicha, chega ao pé de mim
Deixa-me dar-te o que tu mereces
Tu és a resposta para as minhas preces
Senta-te aqui vais ver que é tão bom
Doce como tu, como um bombom
Olá, bicha quero tratar de ti
Dar-te um mundo e o outro tenho tudo aqui
Chega só um pouco perto de mim
Acredita que nunca me senti assim

terça-feira, novembro 09, 2004

Urgência de um leitor da "Maria"

"Tenho uma urgência... e esta é das graves! Acreditem que há muitas
urgências, mas ser incontinente urinário e estar preso no metro não vem nada
a calhar. Bolas! Logo hoje é que tinha de me acontecer. Também... não sei
quem me manda vestir calças brancas em Dezembro. Agora não sei muito bem que
faça. O metro é de fole... das duas uma: ou fico aqui e serão sempre os
mesmos que se vão habituar ao odor ou vou ser um adepto da partilha e dividir
um pouco por todos. Quem diria? Logo tinha de aparecer na minha cabeça um
conflito de ideologias políticas neste momento... E agora? Tenho pelo menos
urgência em decidir se é Marx ou a economia de mercado que me guiam pelas
avariadas (e em breve fétidas) carruagens do Metro..."

sexta-feira, novembro 05, 2004

Crianças...



Apanhada... esquece! Escondidas... já eram! Cabra cega... um bocado gay, não?

As crianças de hoje em dia mudaram as brincadeiras. Os jogos tradicionais foram como que vaporizados e passam agora a ter formas de entretenimento muito particulares. Ou então não e sou só eu a inventar...

- "Sou israelita, tu és palestiniano": ideal para brincar na praia, o catraio A atira toscas bolas de areia ao catraio B. O catraio B irrita-se e fuzila o catraio A com a sua fabulosa Super-Soaker, último modelo. Como vê que o catraio A vai buscar mais areia para fazer bolas decide construir um muro gigante à sua volta para se defender. Só passado um bocado é que se apercebe do tédio que é estar rodeado por um muro...

- "Sou jogador do Benfica": muito popular entre a pequenada. Correm uns atrás dos outros e de repente um diz "Eu sou jogador do Benfica" e fica parado, pura e simplesmente não se mexe e não corre atrás dos outros. Ideal para crianças autistas, também conhecidas por "futuros Paulo Almeida".

- "Sou um habitante da Quinta das Celebridades": este é um jogo mais restrito... só pode ser praticado pela criançada mais pindérica lá da escola!!! Geralmente quem joga é o Tony (que é filho do Toy e da dona Arlete), o Cacholas (que é grande e desajeitado), o José Fortaleza Preta (que ainda não se definiu sexualmente), o Pequeno Saúl (é o cantor da pequenada) e mais uns quantos com defeitos inerentes à sua personalidade. Como jogam eles? São fechados na casa do guarda e ficam lá a brincar, para gáudio da outra pequenada, que se vê livre deles de uma vez por todas!