Segunda-feira, Junho 29, 2009

Som



A minha relação com o som?

Quem me conhece sabe que gosto de falar. Muito. Gosto de ouvir. Muito. Sou capaz de estar 20 horas a falar. Seria um óptimo amigo para o Fidel Castro (até pelo estado de saúde dele...) ou para o Boutros-Ghali, especialistas de discursos de 20 e tal horas nas suas funções políticas.

O som tem um papel fundamental. Tem restrições. Tem controlo. Usá-lo ou não usá-lo define a nossa vida. O que se disse. O que não se disse. O que se disse e não se devia ter dito. O que não se disse e se devia ter dito.

Gosto do som. Uma destas noites dei por mim, na enfermaria, a reparar num silêncio absoluto. Apeteceu-me de repente quebrar com a regra. Ter à mão uma buzina de camião e dispará-la loucamente durante 30 segundos. Acordar tudo e todos em sobressalto, mostrar-lhes que precisam do som. Que têm de respeitar o som. Que o som é bom.

No dia seguinte... Gui Boratto no Lux. Até que enfim alguém me percebe e trata o som como ele deve realmente ser tratado! Brilhante!

Domingo, Junho 14, 2009

Lisboa menina e moça, festeira!



Já dizia a letra da música:

"Cansados vão os corpos para casa
Dos ritmos imitados de outra dança
A noite finge ser... ainda uma criança
De olhos na lua
Com a sua
Cegueira da razão e do desejo"

Lisboa é isso. É isso e muito mais. A noite do dia 12 de Junho é apenas um corolário do que Lisboa pode ser. Do que Lisboa devia ser mais vezes ao ano.

A sardinha assa no braseiro.

Nisto a criança pede uma moedinha para o Santo António ("Não tenho moedas""Não faz mal, eu aceito notas"). O traquina que descaradamente se aproveita desta noite para ser uma espécie de "arrumador" das almas, cruza-se com o nórdico que olha espantado para todo este movimento, para toda esta côr, para este bulício e vontade de viver, que o fazem acreditar que este povo pode ser pobre, pode ser melancólico, mas que tem a capacidade de se mobilizar em massa para a rua e encher de alegria a noite de uma cidade.

Pára naquela janela. Pede uma ginjinha. Quem ta serve? Um argentino? Que foi estudar para a Bulgária, conheceu uma portuguesa e acabou por vir parar a este histórico "melting pot"? O quê? Já tem 3 filhos? Vai vender ginjinha muitos mais anos, está visto. Promete-me uma mesa para o próximo ano, no mesmo sítio, à mesma hora. Será o mundo assim? Digo-lhe que sim, cá estarei, combinado.

Ouvem-se sons pelo meio do fumo dos braseiros. É música brasileira. Faz mal? Tem algo de nós. Ponham também música africana, música indiana, música malaia, música timorense, música japonesa, música hawaiana. Podemos passar a noite a desenrolar música de todo o mundo... há-de ter sempre um toque português. Faz parte desta noite. Deixa-a ficar.

A Rosa Martins vai subir ao palco. O arroz doce da Tia Beatriz está um espanto. Cheira a cerveja, a carvão, a manjerico, a Lisboa.

A sardinha continua a arder no braseiro. Felizmente, felizmente há-de lá continuar.

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Novo dentista, novos temores



Vou dentro de minutos a um novo dentista. Desde pequeno que sou um fiel participante do grupo de pessoas que têm semi-pânico do dentista.

Para começar, o facto de ter de abrir a boca em extensão máxima durante vários minutos é logo para o desagradável. De seguida somos submetidos a uma espécie de tortura (é pelo menos isso que me parece) com a utilização de instrumentos que parecem saídos de uma caixa de ferramentas do Ikea, ou pior, de um estojo inquisitório da Idade Média. Daí para a frente é sempre a piorar.

A picada da anestesia é desagradável.
O sabor dos produtos é estranho.
A força das brocas faz-me acreditar que em breve terei um túnel escavado encéfalo dentro, ou no mínimo uma vista vazada.

E para terminar, no caso de termos sido anestesiados, a felicidade de terminar a visita ao dentista é prontamente estragada pelo deprimente facto de nos estarmos a babar por um dos cantos da boca. Assim... não há dignidade.

Figas preparadas. Aí vou eu!

Domingo, Abril 05, 2009

Horários



Negócio. Está difícil. Quem tem um negócio queixa-se muito que "está difícil". Ou pela crise, ou pela competitividade, todos acham que é cada vez mais complicado triunfar num negócio. Mas onde começarão os erros?

Exemplo: ontem fui a três bares na zona de Santos, sendo que todos tinham um traço em comum - fechavam às duas. A um Sábado à noite. Está certo que os horários existem para ser estabelecidos, mas uma postura destas é quase igual a um restaurante que fecha para almoços e jantares. Nisto faz-nos falta atravessar a fronteira e ver o que é a noite dos nossos vizinhos espanhóis. Famílias inteiras invadem a noite madrileña, preenchendo a Latina, e fica tudo aberto noite fora. Até pequenos supermercados e outro tipo de comércio prolongam os seus horários para ganhar com isto.

Por cá: vamos fechar, vai tudo dormir.

Terça-feira, Março 31, 2009

Mas afinal? Tu queres ver?



Coisas que aprendemos com os reformados dos jardins lisboetas: quando não se tem tema de conversa sobre o que é que se fala? Sobre o tempo, pois claro está. Não a dimensão inexorável de medida, mas sim a meteorologia.

E, portanto, lembrei-me hoje de comentar este tempo "nojentinho" que por aí anda. Tão depressa parece que afinal já é Verão, como vem um vento frio de cortar a respiração. E então não há roupa certa. Por isso se vêem desde pessoas encasacadas a malta quase em tronco nu. O que é parvo. E pouco digno.

Sábado, Março 28, 2009

De noite tudo se passa



Com a minha longa paragem na escrita não tive ainda oportunidade de comentar esses expoentes máximos do enchimento de chouriços que são os concursos telefónicos da madrugada.

SIC e TVI degladiam-se para tirar o máximo de roupa possível a uma apresentadora (que tem como critério obrigatório de selecção ter aparecido na capa de uma revista masculina) e dessa forma levar os "toinos" e "toinas" que acreditam no Pai Natal a gastar uma pipa de massa em chamadas de valor acrescentado para tentar ganhar 300 ou 400€.

Os temas vão variando, embora tenham sempre um traço em comum: a estupidez. Quando os participantes têm de descobrir coisas como "Josés famosos" penso que está tudo dito. A única solução para eu ultrapassar isto é passar a deitar-me mais cedo. Assim, mesmo que depois acorde às 4 ou 5 da manhã, sempre me divirto a ver o TV Shop, que é bem mais enriquecedor do ponto de vista cultural.

Terça-feira, Março 24, 2009

Eu sou o Bob, o construtor!



Passei uma infância a achar que não tinha jeito para trabalhos manuais.
Passei uma adolescência a achar que não tinha jeito para trabalhos manuais.
Passei um início de jovem adulto a achar que não tinha jeito para trabalhos manuais.

Percebi finalmente que o jeito não se tem, aprende-se. Lancei-me num desafio hercúleo de montar sozinho um móvel de sala de 2m por 1m (é um dos jovens altos que podem ser observados na fotografia). E não é que ficou direito? Não é que até o raio das portas ficaram ao mesmo nível e não arrastam por sítio nenhum?

Quando acabei senti-me verdadeiramente um Bob, o construtor. Ou pelo menos alguém com capacidade de unir peças e gerar um móvel (não é gerar vida, mas já é um primeiro passo).

O melhor disto tudo é que poupei 70 Euros de montagem, e consegui fazê-lo martelando nos sítios certos e saindo com os dedos intactos.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Até arranhar a fita



Na brilhante série "How I Met Your Mother", há um episódio em que o Marshall tem de se despedir do seu velho carro. Nesse episódio recorda os bons momentos passados na viatura e ficamos a saber que há vários anos tem encravada no leitor de cassetes uma cassete dos Proclaimers, onde tinha gravado apenas a música "Im gonna be (500 miles)".

Lembrei-me de perguntar a mim próprio que cassete eu gostaria de ter posto no leitor de cassetes (se tivesse um e se ele encravasse). A escolha pareceu-me óbvia. Ia recair sem dúvida em "Bohemian Rhapsody" dos Queen.

Na, qualquer dia longínqua, década de 90, nas férias de Verão em Sesimbra, passava as tardes a gastar o meu Walkman com o terceiro "Greatest Hits" dos Queen. Invariavelmente enchia de "rewinds" o fim de Bohemian Rhapsody. Ao ponto de a entrada de "Another One Bites the Dust" se ter tornado quase inaudível com o passar do tempo, ao ser substituído por um arranhar semelhante ao passar de unhas num quadro da escola. Sempre que ouço esta música, lembro o sol, as festas, o cheiro a sardinha, as brisas do mar no café da esquina, e o som cansado do Walkman, a querer acompanhar os Queen e a ver-se à rasca.

Domingo, Março 22, 2009

You never get tired of...



Da família amarela que nunca cansa, hoje na FOX:

Bart cai, vai ao hospital e de repente o Dr. Hibbert desfibrilha as nádegas de Bart. Segue-se:

Marge: Why are you doing that?
Hibbert: Oh, it's good for the batteries. Now, I'm afraid your son has
cracked his coccyx.

Brilhante...

Home-made pizza




Sou o fã mundial número um de pizza quatro queijos. Acredito que existam outros admiradores que lutem com igual intensidade por uma 4Q (vamos chamá-la assim, carinhosamente, como se fosse um modelo de automóvel), mas lutar mais do que eu... tenho cá para mim que é impossível.

Como quatro-queijista experiente, venho levantar um dos grandes problemas para os quatro-queijistas: os queijos escolhidos. Raramente, se alguma vez, conseguem as pizzerias acertar nos quatro queijos favoritos do quatro-queijista.

Como forma de protesto a essa situação, vou pôr a minha Bimby a tratar da massa e depois vou ganhar respeito a mim próprio com uma combinação fatal: mozzarella, parmeggiano, gorgonzola, roquefort e chévre. Espera... São cinco queijos? E o que é que isso me interessa? Não vou vender para fora.

Sábado, Março 21, 2009

Bip



Fiquei tão contente! Tinha os meus 15/16 anos, o telemóvel ainda era algo em fase experimental, e o que estava na moda eram os bips. Vi um concurso numa revista ao qual concorri prontamente: era para escrever uma frase sobre bips. Havia um como prémio. Como a pior das fashion-victims que sou, logo concorri, e passadas umas semanas recebo a agradável notícia de que era o vencedor do passatempo. A minha alegria foi temporária... Afinal o bip não servia para grande coisa. Permitiu-me estar no topo da moda, e receber regularmente linhas com notícias sobre o desporto ou o tempo, mas não me ajudou muito nem a ser melhor pessoa nem a coisa nenhuma. A moda do bip passou rápido, cilindrada pelo telemóvel (nos primeiros tempos quase literalmente, com o tamanho de tijolo que estes últimos tinham).

Nunca mais ouvi falar de bips.

Até agora. Voltei a ter um. E este não o pedi. Obrigam-me a usá-lo e é a minha companhia no hospital. Não me dá notícias, nem o tempo, nem o resultado do Benfica. Quando apita estridentemente às quatro da manhã e me acorda de rompante, lá vou eu de cabelo (o que me resta) despenteado e olhos sonolentos em riste para salvar uma vida. Na maior parte dos casos não há uma vida para salvar. É só alguém que de repente ficou com uma ligeiríssima dor de cabeça e o bip (faz de conta que é ele) lembrou-se de me chatear (não há aqui qualquer ressabiamento pela última noite, cof cof).

Os bips perseguem-me. Mas agora foram eles que me escolheram a mim. Será vingança?

Quinta-feira, Março 19, 2009

Sopa



Dizem que a sopa foi inventada provavelmente há mais de 8000 anos, a partir do momento em que foram inventados recipientes à prova de água, feitos de barro. Permitam-me duvidar disso. Acho que a sopa consegue ser mais básica do que isso, e provavelmente já os répteis faziam um gaspacho em três tempos, muitos anos antes.

De facto, juntar legumes, cozê-los, e a seguir triturá-los, não tem grande ciência. Já juntar as quantidades certas tem o seu quê de entendido, mas para os pré-históricos qualquer coisa serviria (até porque não lhes tentavam impingir sopas pré-feitas da Knorr).

A sopa agrada ainda a ambos os sexos. Escolher legumes no supermercado é pouco másculo, mas aplicar uns golpes ou "estrafegar" com uma varinha mágica são coisas para gente de barba rija (não querendo eu ferir a susceptibilidade de senhoras que andem sem tempo para a depilação).

Paz à sopa... lá vou eu comprar os legumes...

Quarta-feira, Março 18, 2009

Escrever



Porque motivo alguém escreve num blog?

Será para escrever piadas e esperar que alguém se ria? Será por acreditar que, partilhando com o mundo o que escreve, se sente maior? Será para sentir interiormente que as suas opiniões e pontos de vista são lidos por todos?

Provavelmente sim e não. Provavelmente a maior parte das pessoas que se dedica a escrever num blog tem a mesma intenção que tantos outros tiveram ao longo da história da Humanidade, ou seja, transformar em palavras algo que sente.

É por esse motivo que nem é assim tão importante ser lido. Se alguém ler o que escrevemos, obtemos reconhecimento (mais não seja pelo tempo dispendido a apreciar algo produzido por nós), mas o nosso objectivo final é sempre egoísta, é o de aliviar a pressão de pensar em algo e ter de o dizer. Acho, por isso, que a escrita é um escape, seja ela de que tipo for.

Eça com certeza teria vontade de criticar muito mais abertamente a sociedade numa conversa de café. E talvez até o tenha feito. Mas nunca conseguiria ser tão mordaz como escrevendo crónicas de costumes em que, com o disfarce de um romance, conseguiu tão bem atacar tudo e todos, ganhando reconhecimento, mas decerto ganhando também o alívio da sua pressão.

Pergunto-me muitas vezes porque nunca escrevi um livro. Sempre tive ideia de que o queria fazer. Várias vezes comecei a escrever romances. Mas o resultado final foi sempre o mesmo. A vontade é tanta de partilhar outras ideias, que se as tentasse enfiar todas numa história, saíria algo de semelhante a uma Nova Iorque da escrita, uma mistura que de tão complexa seria impossível de descodificar.

Por isso, vou continuando com as minhas crónicas. Pequenos Maias, pequenas Cidades, pequenas Serras, sempre tão longe do brilhantismo de quem escreveu essas histórias, mas perto do mesmo sentimento de que a escrita serve para libertar.

Segunda-feira, Março 02, 2009

Cheiros



Todos os sentidos do corpo humano têm a sua beleza. Mas o olfacto tem um jeito especial de moldar o mundo. Andando numa cidade como Lisboa, pela manhã, somos chamados para centenas de odores diferentes que povoam o ar de modo disfarçado e envergonhado. Desde o café de máquina que sai por aquela porta, ao perfume barato da reformada esforçada por tudo pagar com a renda, ao "espirrável" pólen, à borracha que ficou de uma travagem, a água que ficou de uma lavagem, a terra que foi remexida e viu chover-lhe em cima...

Tudo ali fica, tudo ali aparece, e tudo se mistura, como que numa varinha mágica de perfumes e faz aquilo a que podemos chamar "o cheiro a Lisboa".

E afinal, não diz até a canção que esse é um bom cheiro?

Sexta-feira, Fevereiro 27, 2009

De novo na blogosfera

Sinto vontade de voltar a escrever. Fica aqui só a vontade, a escrita volta em breve.

Terça-feira, Junho 03, 2008

O valor do aplauso



Gosto de viajar. Pode ser a pé, de carro, de comboio. Para destinos mais longínquos o avião é "ferramenta" essencial. Após todo o processo de reserva, viajar de avião tem ainda vários aspectos incómodos associados: chegar ao aeroporto vinte horas antes de o avião descolar; fazer fila para o check-in, fila para a segurança, fila para o boarding, fila para sentar, fila para a casa de banho (chego mesmo a imaginar que em situação de emergência ainda teria de aguardar pacientemente pela minha altura de saltar para o insuflável que iria sair da asa do avião...).

E não acaba aqui: o strip forçado para a segurança; o "ah, realmente este corta-unhas consegue atravessar vários abdómens de uma vez só"; ao mesmo tempo uma família de romenos (podiam bem ser portugueses, só estou a falar de uma experiência vivida) passa alegremente pelos guardas com um pão de quilo e filetes de peru, guardados em sacos de plástico sem o mínimo piu das autoridades.

Mas nada me irrita tanto numa viagem de avião como a singularidade de aterrar no aeroporto de Lisboa. Não, já nem estou a falar do carácter sempre deprimente de se saber que as férias estão a acabar, mas sim de outro flagelo da sociedade!

Aterrar em Lisboa tem todas as condições para ser perfeito. A vista é magnífica, as ruas estendem-se perante os nossos olhos, as cores e os relevos da cidade ganham toda uma nova dimensão do ar, mas...

...quando as rodas de trás do avião se lembram de tocar a pista, lá começa o afamado flagelo e desata tudo a bater palmas! Mas o que é que se passa? Porque é que isto só acontece aqui? E não, não estamos a falar de uma aterragem no meio de um ciclone, ou num atol do Pacífico por falta de combustível... é uma aterragem normal!

Pergunto-me porque é que estas pessoas não batem palmas ao empregado do restaurante quando este traz os cafés? Ou ao funcionário da estação de serviço quando acaba de pôr a gasolina? Afinal, tal como os "pobres" dos pilotos, estão todos "só e apenas" a fazer o que é suposto ser feito na sua profissão.

Sexta-feira, Abril 04, 2008

Estava quase...

Ah! Bolas... Estava quase a passar um ano sem escrever e não consegui atingir tão nobre efeméride...

É verdade. Parece mentira, mas vocês aí (esses largos milhões de leitores que aqui vêm parar por engano) podem rejubilar de gáudio, que há um novo post no Oranginalidade!

Porquê tanto atraso? Porquê tanto tempo sem textos? Provavelmente por falta da dita or(ang)inalidade que se eleva no título do blog (ser burrinho é tramado). Quiçá por ter sido um ano de muito trabalho e pouco tempo livre. Mas finalmente volto para pôr a conversa em dia.

Não vou prometer um post por dia nem nada parecido. Mas sempre que alguém andar a dormir na forma, cá estarei para tentar dar a minha ferroadazinha.

Até já...

Terça-feira, Maio 15, 2007

Ecoterapia uma ova



Diz-nos o Público que um estudo britânico refere que caminhar no campo diminui a depressão e aumenta a auto-estima.

Se bem que eu concorde bastante com este conceito de Ecoterapia, penso que o estudo peca por escassez de especificidade, e os campos em causa deveriam ser esclarecidos.

Se for um campo de malmequeres, um milheiral, um arrozal não muito encharcado... até aí tudo bem. Agora caminhar por exemplo num campo de minas terrestres tem o potencial de diminuir muita coisa, mas a depressão não está entre elas.

Ao mesmo tempo, também não aumenta a auto-estima caminhar num campo de concentração. E sou levado a acreditar que a depressão também não está muito orientada para diminuir assim tanto.

Era só para esclarecer...

Domingo, Maio 13, 2007

O preço da fama



Vamos por partes. Estão passados os meus cinco (bolas, até tive direito a cinquenta vezes dois!) minutos de fama na Rádio Comercial, ontem às seis da manhã e hoje às oito da noite.

Para quem não ouviu (acho que a constituição chama nomes muito feios a essas pessoas), os posts abordados e músicas utilizadas foram, por esta ordem:


Post #1: Onde param as adaptações?
Song #1: "Como o macaco gosta de banana", José Cid
Post #2: São Valentim, São Valentim, arranjarás tu um lugar para mim?
Song #2: "Girlfriend", Avril Lavigne
Post #3: Os filmes de animação que ninguém viu
Song #3: "Grace Kelly", Mika
Post #4: Tapa-carros
Song #4: "Chasing cars", Snow Patrol
Post #5: 12 horas para mim, uma vida nova para outros
Song #5: "Teardrop", Massive Attack
Post #6: Crianças
Song #6: "Since I don't have you", Guns N' Roses
Post #7: República das Bananas
Song #7: "Hungry like the wolf", Duran Duran
Post #8: Capitão Planeta , gentilmente escrito pelo colaborador Zé M
Song #8: "Fragile", Sting
Post #9: Politicamente (in)correcto
Song #9:"Bad", Michael Jackson


E o preço da fama qual foi? Nada menos que uma corrente de alternador partida em plena auto-estrada... e JP apeado da sua viatura. Será que agora tenho fãs? Não haverá por aí um que seja mecânico? Epá... é que dava cá um jeito!

Sábado, Maio 12, 2007

Compra terrenos na lua! (urso!)



O americano Dennis Hope garante ser dono de todo o sistema solar, com excepção do Sol e da Terra. Até aqui nada de mal. Para estes indivíduos foram inventadas já há algum tempo umas casas especiais, que dão pelo simpático nome de manicómio. O problema é quando o aprendiz vence o mestre. Neste caso... quando o maluco burla uns quantos tipos "inteligentes".

O que se passa é que Dennis "O Pimentinha" Hope facturou já nove milhões de dólares com esta sua esquizofrenia de vender terrenos na lua. Entre os compradores de terrenos na Lua incluem-se Tom Cruise e Nicole Kidman (se calhar só um é que comprou e tiveram de dividir no divórcio...), Jimmy Carter, Ronald Reagan ou George W. Bush (ok, este era o único nome óbvio que me viria à cabeça).

O Oranginalidade conseguiu apurar que além de vender os terrenos, Dennis Hope prometeu aos compradores que o arquitecto Frank Gehry será responsável pela planificação urbanística da Lua, pelo que se acredita que seja para aí o Siza Vieira a ir acabar o projecto. Um grupo de actores de revista portugueses manifestou-se favorável ao projecto de Hope. É que aparentemente são defensores de tudo aquilo em que seja prometido Gehry.

Quinta-feira, Maio 10, 2007

Celebrity look-alike

E pronto, em mais uma parvoíce da "rede", descobri este site onde pomos uma fotografia e descobrimos (após uma análise ultra-científica da nossa cara... deve ser deve...) com que celebridades somos parecidos. O meu resultado foi...



Agora a análise:

Devia ter usado a outra fotografia, em que o programa dizia que eu era muito parecido com o Josh Hartnet, o Leonardo DiCaprio e o Jesse Metcalfe, mas achei que se até eu me ria com o ridículo... não valia a pena.

Ainda bem que sou muito parecido com o Dennis Quaid, é sempre bom acharem que temos 53 anos aos 23! São só mais 30... No entanto, até não é mau actor.

Quanto ao Michael Bublé e ao Conor Oberst, sempre tive a oportunidade de descobrir quem são tais seres, mas acreditem que não vos interessa assim tanto...

O Villeneuve não está mal, mas o meu pai não dá nome a nenhum circuito em Montreál, de onde... perde a validade.

Preocupo-me de me acharem meio parecido com o Howard Dean, mas pronto... considerando que ainda me acham mais parecido com a Julie Andrews, o Dean nem era tão mau. Por último Clark Gable e David Coulthard: mas qual é a tara com velhos e pilotos de F1?

A caminho de ser uma grande campeã



Se dúvidas restassem sobre a grande campeã que Vanessa Fernandes se encaminha para ser, basta olhar para a fotografia da nossa atleta. Está claramente a seguir os passos (até visuais) de Rosa Mota ou Fernanda Ribeiro, começando até a alinhar os dentes desde bem cedo na carreira. Quem sabe ainda vai acabar a correr com as unhas pintadas e o cabelo arranjado como a grande Fernanda! E também se prova que a Merche ou a Isabel Figueira nunca deveriam sair dos campeonatos regionais de 110m barreiras, pela desconcentração que a sua presença iria gerar nas provas.

P.S.: Que não restem dúvidas de que vibrei com as vitórias da Vanessa Fernandes e a acho uma grande atleta. Antes que apareçam aí fãs a trucidar-me, como os do Tony Carreira. Ou pior: fãs simultaneamente da Vanessa e do Tony.

Diz que dá uma espécie de programa de rádio!



Parem tudo! Esta sexta-feira ninguém vai sair ou então sai até bem tarde! O motivo? Este vosso humilde antro da parvoíce conseguiu entrar no passeio da fama, que é como quem diz, no programa O meu blog dava um programa de rádio

E o que é que isso tem a ver com sexta à noite? Nada. Só que o programa passa Sábado às 6h da manhã. Não agrada? Então também podem tentar Domingo às 20h da noite, que é quando repete.

Uff, por pouco apanhava o Gato Fedorento e ninguém via os pobres coitados.

Não sei o que se passou com aquela gente... obrigar-vos a ouvir uma hora de posts deste blog misturados com músicas a rigor. É bem capaz de gerar uma terceira guerra mundial...

Quarta-feira, Maio 09, 2007

Portugal presta-se a isso e muito mais



Assim que se ouviu o rumor da possível incapacidade da África do Sul para organizar o Mundial de Futebol em 2010, logo apareceu Portugal a abanar os braços, mostrando estar aí na linha da frente para país substituto.

O que a maior parte das pessoas não sabe, é que em mais uma série de áreas Portugal tem tentado ficar com a organização de uma série de eventos de nível internacional.

Óscares 2008 - o Grupo Desportivo da Brandoa ofereceu a sua sede para a realização da entrega dos prémios de Hollywood, no caso de o Kodak Theater não estar recuperado a tempo da edição deste ano.

Vancouver 2010 - no caso de os canadianos não terem tudo pronto a tempo para os Jogos Olímpicos de Inverno, Portugal vê como perfeitamente plausível a realização dos jogos em Lisboa, falando até já em comprar milhares de canhões de neve artificial, gerando pistas incríveis nas zonas de Alfama, Mouraria e Túnel do Marquês.

Guerra do Iraque - pelo andar da carruagem, em breve não haverá mais nada para destruir no país árabe, e um comité português pondera oferecer os terrenos junto a Tróia para continuar a épica batalha. Os militares norte-americanos já se mostraram contrários a esta ideia, por acharem que há muito trânsito em Portugal, sendo particularmente difícil chegar ao cenário de guerra.

Segunda-feira, Abril 30, 2007

Revival for Jamaican Crew

American Pie


A melhor versão


Negril


Bob Marley's tribute


Dunn's River Falls


Hero

Sábado, Abril 28, 2007

Novas Oportunidades



Gosto particularmente dos anúncios do "Novas Oportunidades" e do lema do "Aprender compensa". Agrada-me ver que se a Judite de Sousa não tivesse estudado poderia estar agora a trabalhar num quiosque a vender jornais.

E os vendedores de jornais em quiosques também devem ter gostado do anúncio.

Já agora... alguém pensou que uma bela fatia dos licenciados portugueses nem a vender jornais num quiosque arranjam trabalho? É...

Pensar nisto compensa.

Sábado, Abril 21, 2007

Is this love?


Custa voar 10 horas para um destino (embora outros ainda fiquem mais longe...), mas a Jamaica é uma boa recompensa. As águas turquesa de Negril, o espírito relaxado (ou talvez "haxixado") de um povo muito pobre, mas ainda mais simpático, o significado de um grupo de amigos que partilham um pré-paraíso: a Jamaica é tudo isso e muito mais.

Não esperem é muita variedade musical, porque na terra do reggae o mesmo cd do Bob Marley ouve-se em todo o lado, do autocarro ao barco, do hotel ao mercado, das altas montanhas até debaixo do mar. E ninguém reclama!

Esqueçam a fama de ser um país violento, esqueçam o cricket (não vão aprender o raio das regras), esqueçam outras coisas (para isso basta fumarem muito...), mas não se esqueçam de aproveitar ao máximo cada dia nesta ilha.

Seja a andar de kayak, de catamaran, a fazer snorkeling, a mergulhar, a saltar dos rochedos do Rick's Café, todos nus a fazer festas tipo Eyes Wide Shut no Hedonism (ei... eu isto não fiz! Hmm, e também não saltei dos rochedos! Bem visto também não mergulhei com garrafa de oxigénio. Os outros pronto, está bem...), a fugir dos vendedores nos mercados, a ser confundidos com indianos, a subir cascatas ao lado de americanos velhos e gordos e crianças com dentição de leite... os dias são para ser ocupados.

E assim, ao sentirem as rodas traseiras do avião a dizer adeus ao chão jamaicano, sentem aquele quentinho no coração e a certeza de que, contrariamente ao que diz o Carlos Tê na voz do Rui Veloso, saberá sempre bem voltar ao lugar onde já se foi feliz.


Terça-feira, Fevereiro 20, 2007

Carnaval do Rio



Pois é. O Carnaval pode ser muito divertido, sim senhor, mas não o é para toda a gente.

Que o diga um grupo de vinte turistas portugueses que, ao que o Oranginalidade conseguiu apurar, contratou os serviços da agência de viagens "Tudojóia" para marcar umas inesquecíveis férias no Carnaval do Rio. Qual não foi o espanto deles quando no último Domingo descobriram que o seu meio de transporte seria um autopullman (de luxo, é preciso admitir) com destino a Rio Maior. Ficaram instalados na Residencial Belinha, mesmo no centro da cidade portuguesa.

Perante a irritação dos turistas, que se imaginavam em Ipanema e não burlados em Rio Maior, a agência foi confrontada e como respostas promoveu um upgrade do pacote oferecido aos vinte pacóv... viajantes, oferecendo-lhes totalmente grátis a pensão completa, com pequeno-almoço no "Café Central" e almoço e jantar no Snack-bar "Ponto de Encontro".

O Oranginalidade consultou o Provedor do Viajante, que nos disse que "realmente a agência vendeu um Carnaval no Rio... e era isso que as pessoas queriam". Perante a pouca ajuda do Provedor, um dos turistas, que pediu o anonimato e se chama Jerónimo Fagundes (ops!), já admitiu que as vinte pessoas também se vão juntar para garantir que tanto o Provedor como os fulanos da agência passem o próximo Carnaval no Rio. Mais precisamente no rio Trancão.

Segunda-feira, Fevereiro 19, 2007

Mika



Para quem ainda não conhece, está aí em força um novo cantor chamado Mika (juro que não leva um "el" a seguir e não é filho do Tony Carreira). O single de apresentação, "Grace Kelly", é poderoso e tem tocado sem parar no meu iPod.

Não, não o trouxe aqui para fazer as minhas habituais e parvas piadas do género... "Sabem quem é a mulher dele? Sabem?""É a Mine". O objectivo foi dizer que são indesmentíveis as semelhanças com Queen. Toda a gente o diz e não é mentira.

O que também temos de admitir é que em certas partes da música (já para não falar do videoclip), Mika parece-se menos com Queen e mais com uma DragQueen... mas pronto, são estilos. Estamos a vê-lo fazer a primeira parte dos Scissor Sisters não tarda. E merece.

Domingo, Fevereiro 18, 2007

O Santo Graal



Descobri! Finalmente!

Não, não descobri o Santo Graal, mas se ler mais oitecentos e vinte e três livros relacionados com o Da Vinci... talvez lá chegue. O que eu descobri foi porque é que a malta do Norte troca os "V"s pelos "B"s! É olhar para a fotografia do teclado, e descobrir a causa de tão famosa dislexia: dedos trapalhões.

Sexta-feira, Fevereiro 16, 2007

Eu também conheco o Pinóquio



O Ministro da Economia prometeu hoje uma redução do preço da electricidade para breve.

Ao que o Oranginalidade conseguiu apurar, a táctica pretendida pelo Ministério passa por tentar aumentar tanto o preço do Kilowatt, que o consumidor comum deixe de utilizar electricidade, reduzindo assim consideravelmente o preço da sua factura mensal. Soprou-nos um passarinho ao ouvido que medidas semelhantes serão tentadas com a água e com o gás. Como se sabe, este modelo de gestão de preços tem vindo a ser implementado com o custo dos combustíveis, com sucesso considerável.

Quarta-feira, Fevereiro 14, 2007

São Valentim, São Valentim, arranjarás tu um lugar para mim?



Não. Para os que pensam que este é mais um post de alguém encalhado irritado com esta data, estão redondamente enganados. Eu estou muito bem entregue e acompanhado, mas este dia tem os seus pormenores bem irritantezinhos.

Para começar: a programação da televisão. Porque é que o programa do Goucha é dedicado ao Dia dos Namorados? Quando aquilo só tem idosos na plateia e em casa a ver? Irá aquela gente ligar tanto a este dia? Irão os velhotes presentear o seu companheiro de sueca com um coraçãozinho anti-stress? Não me parece...

As prendas estúpidas: inventam de tudo para dar neste dia. O engrançado é que tudo serve como prenda de Dia dos Namorados. Pode ser o último livro do Tiago Rebelo como pode ser o Guerra e Paz do Tolstoi. Podem ser os vídeos das viagens do Michael Palin como o DVD do Sin City... Haja critério, meus amigos. O Natal é a 25 de Dezembro, não é preciso inventar um "Natal II - O Regresso", dois meses depois.

O jantar
: claro, o jantar... não podia faltar mais um ritual. Que começa qualquer dia uns meses antes, dada a dificuldade em reservar uma mesa, seja em que restaurante for, independentemente do preço. Em cima do mais, a UEFA tem o desplante de pôr o raio do jogo do Benfica neste dia, e alguns restaurantes a pouca sensibilidade (ou então a real sensibilidade... eheheh) de não ter televisão nas suas salas. Assim sendo..."Beijinhos, beijinhos, gosto muito de ti!... O golo foi de quem? Do Miccoli? Ah ganda Fabrizio..."

Sábado, Fevereiro 03, 2007

O sinal estúpido



Antes de mais, a ideia deste post não foi minha...

No entanto não podia concordar mais com a revolta de quem tão bem comentou o sinal de perigo "Possível queda de pedras".

Ora bem, vamos lá a ver. Todos nós sabemos que o Código da Estrada não é famoso por ser uma obra literária de referência. No entanto, tem por objectivo controlar "mais ou menos" o que podemos ou não fazer com as nossas viaturas, de modo a chegar em boa condição física e psicológica ao destino pretendido.

No entanto, era escusado inventar sinais estúpidos. Para que é que nos serve um sinal de perigo sobre possível queda de pedras? Vamos por acaso deixar de passar nesse troço - "Ora bolas, possível queda de pedras... se calhar é melhor andar 20kms para trás e contornar toda esta região através de um caminho para aí com 80kms..."? Terá por objectivo a escrita do testamento - "Bem, se me cai um calhau destes no carro ainda vou desta para melhor. É capaz de não ser má ideia deixar o testamento escrito"? Ou será que o inventor do sinal achou divertido gerar o pânico entre as hostes?

A meio do Alvito



Quis a sorte que o Alvito fosse a minha terra durante duas semanas. Estou agora precisamente a meio desta aventura e confirmam-se as melhores expectativas.

Acabei por não ficar a trabalhar no Alvito, sou sim humilde proletário no "Posto" de Saúde de Vila Nova da Baronia, mas estando a viver no Alvito até acabo por ficar a conhecer as duas povoações.

Pago bom dinheiro se me provarem que existem no nosso país vilas e aldeias mais limpas que as do Alentejo. É impressionante como não se vê um papel no chão, como estão quase sempre presentes inúmeros funcionários camarários a limpar as ruas, como as casas impressionam de tão brancas. O Alvito em particular é um espanto na sua pequenez. Situado praticamente no centro geográfico de todo o Alentejo, é poiso preferencial para caçadores, que aqui vêem uma base para as suas demarches de sacrifício animal. Tem poucas casas, mil e trezentos habitantes, mas não deixa de ter uma câmara municipal, uma junta de freguesia, dois bancos, um mercado, uma pousada de Portugal histórica, duas barragens, uma igreja e uma ermida. Pelo meio dois ou três restaurantes e uma biblioteca municipal (de onde escrevo) capaz de fazer inveja às melhores infraestruturas do género no nosso país.

No meio desta quietude, é difícil perceber como um país tão pequeno como o nosso deixa ao abandono regiões destas. A prova disso está nos elevados números do desemprego, nas altas taxas de suicídio e no grave envelhecimento da população.

Enquanto não formos capazes de (como por exemplo fazem os vizinhos espanhóis) valorizar as regiões do interior nunca conseguiremos tirar os devidos rendimentos desta terra quente, deste ambiente calmo, desta gente encantadora.

Segunda-feira, Janeiro 29, 2007

Vou-me a eles!



Povo de Alvito, nada temas!

Eis que se aproxima do meio do nevoeiro esse salvador que há tanto buscas! Ou então não... Chego mais com a cauda entre as pernas e na esperança que estas gentes sejam simpáticas e acolhedoras neste Alentejo que eu amo.

E agora até vão ter um aeroporto e tudo, hein? Por isso, toca lá a ter poucas doenças nas duas próximas semanas para não me encherem o estaminé de pessoal, valeu?

Até já!