sexta-feira, abril 30, 2004

Telemarketing Power



Os nossos serviços de espionagem que fazem inveja à CIA, ao MI-6 e à Mossad, interceptaram esta tarde uma conversa de telemóvel entre uma operadora de telemarketing e um senhor, que passamos a reproduzir... OT será a operadora e não Operação Triunfo, como pensaram quando viram a sigla... S será o senhor.

(Triiiiiiiiiiiiiiiim, Triiiiiiiiiiiiiiiiiiiiim)
S- Tou sim?
OT - Olá boa tarde! Daqui fala bxbxbxbxbxbxbx (nunca se percebe o nome da operadora... isto é um aparte, não estava na conversa, não foi a OT que disse) e gostava de lhe fazer umas perguntinhas sobre telecomunicações, pode ser?
S- Mas demora muito tempo?
OT- Não não... no máximo 5 minutos!
S- Ah, então diga lá...
OT- Então... o senhor tem telemóvel?
S- Não.
OT- E qual é a sua rede?
S- Eu não tenho telemóvel...
OT- Ah, pois é... desculpe... e qual é a marca do telemóvel?
S- Oiça, eu já lhe disse que...
OT- Ah, desculpe novamente, mas agora diga-me... o senhor gosta de sumos de pêssego?
S- Mas isto não era sobre telecomunicações?
OT- Era, era, mas temos aqui um desvio para outros produtos do nosso grupo empresarial, se as primeiras perguntas não forem aplicáveis...
S- Ah! Mas não, não gosto de sumos de pêssego.
OT- E como classifica de 1 a 10 o sumo de pêssego da Chatol, sendo 1 muito mau e o 10 muito bom?
S- Eu não gosto de sumos de pêssego.
OT- Hmmm, então não sei... E gostava de passar uma semana de férias completamente grátis no Algarve?
S- Mas como é que pode ser grátis?
OT- É uma gentileza nossa... mas só se me disser qual a marca do seu carro...
S- Tenho um Renault Laguna...
OT- E como classifica a condução do Peugeot 206?
S- Nunca conduzi nenhum...
OT- Mas como acha que era se conduzisse?

E pronto, não vos queremos roubar mais tempo, mas podemos informá-los de que esta conversa durou mais quarenta e oito minutos, com temas tão variados como os chocolates com caramelo, o aspirador de titânio e a cinta adelgaçante... Ah! E o senhor também não ganhou férias nenhumas, parece que não obedecia a todos os parâmetros necessários para receber essa oferta. É que calçava o 43 e eles só ofereciam as férias a homens carecas, que calçassem o 37 e usassem às terças-feiras uma camisa aos quadrados encarnados e brancos...

quinta-feira, abril 29, 2004

Eu é que sou o presidente da junta



Com o seu sistema de milhares de câmaras espalhadas pelo país, o Oranginalidade conseguiu ter acesso completo a um dia inteiro de um Presidente de Junta de Freguesia em Portugal. Para não ferir susceptibilidades (e também porque o autor não quer ser preso... até é capaz de ser mais por causa disso...) vamos chamar à freguesia... Freguesia de Sardinha nas Brasas do Carvão em Baixo e ao nosso presidente Toni Manel Sousa ou algo que o valha... "Toni, ganda maluco" para os amigos... e "Shô presidente" para outros habitantes da freguesia.

O Dr. Toni acorda (o que é logo um milagre... como se chama doutor a um senhor com a quarta classe) na sua casa solarenga, com vista para o vale. A sua casa por fora não é a maior da aldeia sede de freguesia, isso dava muito nas vistas, mas por dentro está equipada com tudo do melhor. Por cima da cabeceira da cama está pendurado um crucifixo, e na parede em frente aos pés da cama, a fotografia de Toni a ser condecorado com a Grande Cruz da Ordem... da Ordem... parece que era da Ordem de chegada dos aviões ao aeroporto de Pedras Rubras.

Depois da sua higiene e refeição matinais, Toni mete-se ao volante da sua "pick-up" e lá chega à estrada alcatroada em direcção à casa que alberga a Junta. Parece que é dia de receber os cidadãos... O senhor "Jaquim" queixa-se das obras na estrada que não o deixam entrar em casa. A dona Elizete diz que o carteiro deixa sempre um niquinho dos envelopes de fora da caixa do correio. O senhor Reinaldo queixa-se da próstata... ao que parece a fila para ser atendido pelo presidente era mais pequena que a do posto médico... e como são ambos no mesmo sítio e as portas uma ao lado da outra... o senhor Reinaldo pensou que tinha descoberto a pólvora. Afinal acabou por só receber um sorriso amarelo do shô presidente e a garantia de que ia pensar no problema dele.

O shô presidente vai então almoçar com os industriais importantes da aldeia: a dona Marisa, proprietária da vacaria, o senhor Alfredo, que faz bonecos de madeira... e o Pipas, que é o dono do café-snack bar "Jogo da Bola". Depois de se inteirar dos progressos financeiros da manhã na sua aldeia, passa a tarde a visitar as casas que estão a ser construídas na aldeia. Claro... vai logo vendo quais os andares dos prédios que apanham mais sol, já que vai ter de escolher um, não é? Simpatia dos construtores, só isso... E tão lindo que é construir casas em leitos de cheia e terrenos agrícolas e ecológicos.

Depois deste dia muito intenso, o Toni ainda passa no "Jogo da Bola" para beber uma "begeca" e mordiscar uns tremoços, e volta para casa para jantar com a sua Maria. O serão é passado também com a sua esposa e com os meninos... o Márcio e a Tonicha... toda a família junta a ver os Malucos do Riso!

E assim se passa um dia em Sardinha nas Brasas do Carvão em Baixo...

quarta-feira, abril 28, 2004

Guernica

Para fugir um pouco ao tradicional texto bloguista, hoje trago-vos uma proposta diferente...

A 26 de Abril de 1937 um raide aéreo da Luftwaffe devastou a cidade Basca de Guernica deixando o mundo em estado de choque. Este trágico acontecimento inspirou Pablo Picasso a pintar aquela que é considerada por muitos como uma das maiores obras de arte do séc. XX.

Assim que lhe dedicamos um pouco da nossa atenção, facilmente chegamos à conclusão de que se trata de uma obra carregada de simbolismo, espelhando o que foi uma época de conflitos e interesses, morte e destruição, mas ao mesmo tempo representativo da grande conquista dessa mesma guerra... a Liberdade

E mais não me alongo, ou já estaria a fugir ao intuito deste meu post, deixando a apreciação de 'Guernica' ao critério de cada um...

Apenas vos peço que parem por 2 minutos,

que olhem

e depois voltem a olhar... espero que gostem



Agradecimento especial a GS pela dica

No meu tempo só as varinas

“Calçado sem tacão, para uso doméstico” diz o meu dicionário. Mas este é ainda uma primeira edição dos anos sessenta, herdada do meu pai, e o seu autor teria, muito provavelmente, de alterar esta definição, hoje tão desapropriada e ofensiva para as tias com nomes pomposos de consoantes duplas que aparecem na revista Caras (algumas quem as conhece?) e para a escandalosa quantidade de mulheres que as imita e invade as sapatarias em busca da nova moda – o chinelo.

Da praia para as festas e da intimidade do lar para o emprego, vestidas a rigor com a última criação de Tenente ou envergando um fato mais modesto comprado no pronto-a-vestir do bairro, o que parece indispensável é que o calçado faça tac-tac quando se sobem escadas e que os calcanhares estejam sempre bem polidos (rentável, sem dúvida, para as drogarias de esquina que não vendiam pedra-pomes há anos). “No meu tempo só as varinas usavam chinelos na rua”, diz a minha mãe. Nos dias que correm são médicas, professoras, jornalistas, cabeleireiras, vendedoras ambulantes, mulheres que nada fazem (leia-se Lili Caneças e afins)…
As modas vão mas mantêm-se as atitudes. É que quando a chinela desaparecer, pessoas que arrastam os chinelos nos mais diversos empregos não passarão, certamente, de moda!

terça-feira, abril 27, 2004

Viajar



Hoje acordei em Niigata no Japão. Senti o sol a queimar e por isso atravessei o mar do Japão a caminho da Coreia do Norte. Ainda de manhã encaminhei-me para a Mongólia, e almocei uma migalhita em Ullan Bator. A tarde foi bastante mais cansativa, oh se foi! Acelerei em direcção ao Cazaquistão, e cruzei o Uzbequistão e o Turquemnistão, ainda a tempo de ir lanchar a Teerão... Continuei deixando para trás Turquia, Bulgária, Sérvia e Montenegro e muito mais... Já precisei de luz artificial para ver bem o caminho quando cheguei ao fim do dia à Dinamarca.

Ah! Como é bom ser uma formiga no planisfério da secretária do JP...

segunda-feira, abril 26, 2004

O que se segue?

Já tiveram oportunidade de ver a nova série da TVI, Inspector Max? Gira, não é? Principalmente o facto de ser uma cópia descarada (embora muito mal representada) da série austro-germânica Rex, o Cão Polícia. Acho perfeitamente normal que se faça este tipo de adaptações nada escandalosas de séries estrangeiras. E como tal, o Oranginalidade conseguiu para vocês o exclusivo de algumas das próximas séries que a TVI e a empresa de telenovelas do Nicolau vão produzir, faladas a cem por cento na língua de Camões.

- O Terceiro Bacalhau a contar do Sol: série sobre um grupo de extraterrestres que aterra num planeta com a forma de bacalhau para tentar aprender como vivem os habitantes desse país. Para isso, tomam formas próprias desse planeta e em cada episódio vemos cenas hilariantes da sua tentativa de integração.

- Chouriço de Urgência: já esta série vai passar-se num banco de urgência de um hospital português, em que as pessoas, à medida que lá vão chegando, apanham um médico que é um "ganda chouriço" e cuja vocação era de astronauta e não medicina interna.

- 24 Horas: com vinte e quatro episódios, em cada um vemos um indivíduo a ser incriminado de algo por um jornal português, que dá nome à série. Depois... esse indivíduo tem cerca de cinquenta e cinco minutos para limpar o seu bom nome.

- Alf Aiate: um boneco castanho com um grande focinho (não... não confundir com aquele que faz peças no Caras Notícias...) vive na casa de uma família portuguesa, sendo muito engraçado, mas causando muitos estragos. A família tenta escondê-lo a todo o custo, porque tem as finanças à perna, a acusá-los de terem uma pessoa que não declara impostos em casa deles. O pai de família é alfaiate (tinha de se justificar o nome da série, não é?)

- Os Assobianos: uma família mafiosa de origem italiana vive no Cacém (não se percebe é porquê...) e organizam a sua rede criminosa a partir daí. O chefe da família, Tony Assobiano, tem pulso firme no mundo do crime, mas ao mesmo tempo tem crises psiquiátricas, e, como tal, tem consultas semanais com uma psiquiatra num consultório na Avenida Defensores de Chaves. A sua mulher está apaixonada pelo motorista do marido, que além de capanga da família, é mecânico na oficina do El Corte Inglés. Tony ainda não sabe, mas quando souber, é provável que o seu motorista se espalhe em farrapos no ar condicionado do cinema do centro comercial.

Próxima estação... Sr. Roubado

Tenho-me (e têm-me) questionado acerca do nome de uma nova estação da linha amarela do metropolitano de Lisboa – Sr. Roubado. Para responder às perguntas Quem foi roubado?, O que levaram?, Quem foi o ladrão?, resolvi investigar e aqui vos exponho o que descobri.
Parece que a vítima do assalto não foi nenhum senhor mas a igreja de Odivelas (lá se foi a minha suspeita de que o senhor roubado seria um velhote revoltado, a abanar o cajado no ar e a gritar impropérios por lhe terem levado as poupanças de uma vida escondidas no celeiro). O larápio era um certo António Ferreira (peço que não se ofendam os leitores homónimos deste indivíduo), fulano sem escrúpulos, que levou do templo religioso as contas de um rosário e deixou nus o Menino Jesus e a Senhora do Egipto. Isto há gente que não pensa… para que quer um homem feito os trajes de um menino e de uma senhora? Terá sido o primeiro travesti da história? O herege…

Na altura (1671), o roubo não foi visto com bons olhos e iniciou-se uma perseguição ao autor da malfeitoria, que nunca teria sido descoberto se não tivesse caído na tentação de roubar galinhas no Mosteiro de Odivelas. Estes criminosos importantes são sempre apanhados em delitos menores que mancham uma carreira bem sucedida no mundo do crime. Veja-se o Al Capone…
Depois de ter confessado o furto, e porque nesta época não havia meias-medidas, foi arrastado até ao Rossio (local onde ainda hoje se pode encontrar gente de má estirpe… serão, provavelmente, descendentes do jovem António Ferreira…) e foram-lhe decepadas ambas as mãos. O gatuno teve depois que as ver arder, mesmo antes do seu corpo mutilado ser queimado. Imagino o regozijo da população… “Ah! Agora sim, grande patife, tiveste o que merecias!” – que espectáculo horrendo, que perfídia!

E o local onde o metro pára actualmente corresponde a um antigo caniçal que serviu de esconderijo aos objectos roubados. Aí foi construído um recinto com um oratório para os fiéis pedirem perdão a Deus pelos seus pecados. Afinal este sítio é, apesar do nome, mais seguro do que estações como o Intendente ou Chelas e podemos ficar descansados… ladrões que conheçam esta história (e esperemos que muitos sejam leitores assíduos deste blog) jamais se atreverão a cometer um crime semelhante!

domingo, abril 25, 2004

30 anos após a revolução

O Oranginalidade orgulha-se de vos comunicar que conseguiu uma verdadeira pérola para se associar às comemorações do 25 de Abril. A célebre música cantada por Paulo de Carvalho, "E depois do adeus", nunca tinha até hoje sido interpretada no seu verdadeiro sentido. Ainda pensámos interpretar aquela da gaivota, mas com o calor que vai fazer hoje, podiam considerar isso ofensivo para quem queria ir para a praia ter com as gaivotas e não pode. Assim, aqui fica uma verdadeira "camaradice" nossa...

Quis saber quem sou (quem não quer?)
O que faço aqui (tipo soldado no Iraque?)
Quem me abandonou (malandros!!!)
De quem me esqueci (o Luisão pergunta isso muitas vezes…)
Perguntei por mim (daquelas cenas maradas nos hotéis, só por graça, não é?)
Quis saber de nós (relação na corda bamba e tal…)
Mas o mar
Não me traz
Tua voz. (pois não, amigo… geralmente traz botas, algas e petróleo… voz não)

Em silêncio, amor (devia ser no cinema, não se faz barulho!)
Em tristeza e fim (confirma-se… fim… é no cinema)
Eu te sinto, em flor (um tom de sensualidade…)
Eu te sofro, em mim (um tom de masoquismo…)
Eu te lembro, assim (a memória voltou, foi-se a amnésia!)
Partir é morrer (curioso… morrer também é partir…)
Como amar
É ganhar
E perder (é é… o fair-play é que é importante!)

Tu vieste em flor (florófilo… ele é um florófilo!)
Eu te desfolhei (floricida… ele é um floricida!)
Tu te deste em amor
Eu nada te dei (rico namorado…)
Em teu corpo, amor
Eu adormeci (boa… nem sequer nesta parte ele está à altura…)
Morri nele
E ao morrer
Renasci (espera… mas o Pessoa é que gostava do mito da Fénix renascida…)

E depois do amor (pois é, pois é, cá estamos…)
E depois de nós (depois de nós é vós, não é?)
O dizer adeus (tipo aeroporto?)
O ficarmos sós (raio dos elevadores sempre a avariar!)
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim (decide-te, não?)
Tua paz
Que perdi (e agora para encontrar… telefona para a Telelista!)
Minha dor que aprendi (o masoquismo continua…)
De novo vieste em flor
Te desfolhei... (já vai para aí no segundo ou terceiro crime de floricídio)

E depois do amor (muitas voltas dá esta relação…)
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós (influências africanas… refere-se a si próprio na 1ª pessoa do plural)

sábado, abril 24, 2004

Shot down



Por muitos vales que se percorram sem sofrer uma inundação ou uma derrocada, por muita floresta que se faça sem ficar preso no meio do incêndio, por muito mar que se nade sem afogamentos à mistura, não há por vezes escape e ficamos demasiado expostos, somos alvos demasiado fáceis. Parece que estamos no meio de uma praça, rodeada de edifícios, e em cada janela está um atirador, pronto a cumprir o seu serviço.

Passado um pouco... somos abatidos! As paredes do estômago colam-se, os olhos parecem querer saltar das órbitas, rapidamente o formigueiro se apodera das nossas pernas e nem sequer para chorar nos restam forças. Só indignação... fica só a indignação por ver como tudo isto corre. Dias atrás de dias... e sempre tiramos a mesma conclusão, merece imenso a pena viver neste mundo, mesmo com todos os problemas que tem. Mas é assim mesmo... muitos desses problemas abatem-nos, ferem, o tiro não passa ao lado, acerta e em cheio, mesmo no quarto espaço intercostal esquerdo e a bala vai alojar-se entre as fibras musculares do miocárdio, para que a cada oito décimos de segundo nos possamos lembrar que ela lá está. Afinal, um bocadinho da alma estará mesmo no coração, como os egípcios pensaram.

O "Oranginalidade" é bem disposto por natureza. Vocês não têm nada de levar com os estilhaços da minha bala, se era para mim que ela estava destinada, deixem-me ficar eu com ela e continuem a vossa política de "carpe diem".

Aproveitem, porque há muitas balas perdidas e nunca saberão quando será a vossa vez. Os estados de alma não se escolhem... existem, aparecem, brotam por si próprios, como se fossem seres autónomos. O meu agora está assim. E enquanto a bala continuar a dar sinal da sua presença aqui bem fundo, vai ser difícil pensar de outra maneira...

quinta-feira, abril 22, 2004

Indiana Jones português



Há cerca de 15 dias atrás, subi umas escadinhas em direcção à entrada da pirâmide de Mikerinos, no complexo de Pirâmides e Esfinge em Giza... Quando chego lá acima, o mal encarado egípcio que estava a controlar se ninguém levava máquinas fotográficas apalpou-me os bolsos e saiu-se com um irritado "Cell phone with camera! Go away! No enter!". Maravilha... tive de abandonar o grupo em que ia e voltar para trás para deixar o telemóvel cá fora. Depois dessa tarefa, lá voltei para a entrada da dita pirâmide...

A guia avisou antes: "As pirâmides não têm nada! Não são como os outros templos ou túmulos que temos visto! Não há pinturas, não há sarcófagos, não há rigorosamente nada, só os túneis!" Mas como toda a gente tem a mania que é Indiana Jones, as filas para entrar na pirâmide são de dezenas de pessoas e como tal... quem observar a situação vê algo de semelhante a dois carreiros de formigas, um a entrar e o outro a sair da pirâmide.

Entre americanos e italianos lá consegui entrar... num túnel com menos de metade da minha altura, onde o chão tem umas traves transversais para que não se escorregue na descida inclinada, e em que o ar é abafadíssimo e com baixos nivéis de oxigénio. A iluminação, perguntam-se vocês? É "assegurada" por umas ténues luzitas que correm ao longo do comprimento do túnel. De repente, já eu tinha andado uns bons cinco minutos... a luz apaga-se! Assim sem mais nem menos... Acreditem que até os não-claustrofóbicos como eu... se claustrofobizam um bocadinho...

Alguns gritam de pânico, outros viram para a saída e tentam acelerar, mas vá lá... no conjunto a calma até foi mantida, mas, por momentos... a brincadeirinha à Indiana Jones deixou de ter tanta piada... E então, qual egípcio de há milhares de anos, lá se foi tacteando a parede até finalmente ver a chamada "luz ao fundo do túnel" e alcançar a saída. Do fim do caminho é que não se viu nada... e se vocês quiserem ver, desçam vocês!!! Que a mim não me apanham lá tão cedo...

quarta-feira, abril 21, 2004

Frágil

Um instante para que uma explosão nuclear varra do céu uma estrela… e milhões de anos para que se forme uma nova; segundos para que um tremor de terra destrua uma cidade e anos para que se reconstrua; uma palavra menos agradável, um gesto irreflectido e é quanto basta para abalar uma amizade. Quanto tempo levará a consertá-la? Semanas, dias? Quantas horas para quebrar o silêncio incómodo entre duas pessoas que se compreendiam no silêncio?
Num universo que tende para o caos é tão fácil ceder à desordem… Custa bem mais “arrumar” o mundo, criar laços com as pessoas e manter esse equilíbrio frágil. Desculpa, D., não te ter posto debaixo de uma redoma, não te ter abrigado com um biombo, como um certo príncipe a uma certa rosa…

Don Valentino Corleone



Juíz - Don Valentino Corleone, o senhor sabe de que crimes está acusado?
Don Valentino - Senhôre juíze, é una injustiça prenter-me e tracer-me para este piazzo...
Juíz - Pois... mas sabe... na sequência da nossa investigação "Apitonne Doradotti" o senhor aparecia muitas vezes referenciado como sendo o verdadeiro major... quer dizer... padrinho desta malha toda...
Don Valentino - Questo é una mentira, tutto mentira... Io vivo somente para Gondolamare... e para la liga de calcio... e para il partito... e para il metro di Portoni... e para la Guineva Bissalo... e para... credo que è finito...
Juíz - Mas vai ter de ficar preso para averiguarmos se realmente "só" faz essas coisas...
Don Valentino - Bene, bene... Mio bambino John va tomari contoni des assuntatis... So aspetto que non va cantare como facia nos Bane... senoni... ainda va chateare piu les ouvitti dei personi que io...

terça-feira, abril 20, 2004

Carta



O Oranginalidade orgulha-se de vos comunicar que conseguiu traduzir em exclusivo para vocês uma música tradicional afegã chamada "Carta para Bin Laden". Ao que o Oranginalidade apurou esta música é cantada por um grupo afegão (a barba do seu vocalista não engana quanto à nacionalidade...) que se chama Al-Torhanjaeda. Dizem-me agora aqui do lado... que podem usar a música da "Carta" dos Toranja para cantarem esta letra...

Não falei contigo
com medo que os montes e vales em que te escondes
caíssem a teus pés...
Acredito e entendo
que a estabilidade lógica
de quem não quer explodir
faça mal ao terrorista que és...

Afegão é o ar
que vais sugando e aceitando
como fruto de Verão
nas cavernas do teu refúgio...
Mas sinto que sabes que sentes também
que num dia maior serás trapézio sem rede
a disparar sobre o mundo
e tudo o que vejo...

É que hoje acordei e lembrei-me
que não sou um feiticeiro
Que a tua bola de cristal é feita de plutónio
Nela cabem muitos núcleos
núcleos para fazer puuummm, pum, pum!

Desconfio que ainda não reparaste
que tás a ser procurado
por americanos marados
aos quais te vais escapando...
E todo o teu planeamento estratégico
de sincronização de explosão
são leis como as da gravidade
cujos limites vais explorando...

Anseio o dia em que acordares
por cima de todos os cadáveres
com odores marados de carnes corroídas
sempre na mesma posição...
Podias deixar de fazer da vida
um ciclo vicioso
harmonioso do teu gesto mimado
e à palma da tua mão...

É que hoje acordei e lembrei-me
que não sou um feiticeiro
e a tua bola de cristal é feita de plutónio
Nela cabem muitos núcleos
núcleos para fazer puuummm, pum, pum!

Desculpa se não fiz fogo e armas
sem pedir autorização por escrito
ao sindicato dos terroristas...
mas não fui eu que assim escolhi.
Desculpa se te usei
como boneco para dar murros
neste mundo cheio de burros
que não te encontra a ti...

É que hoje acordei e lembrei-me
Que não sou um feiticeiro...

...nela cabem muitos núcleos
núcleos para fazer puuummm, pum, pum!

Ainda magoas alguém
O tiro passou-me ao lado
Ainda magoas alguém
Se não mataste ninguém
magoaste alguém
A mim... passou-me ao lado.

segunda-feira, abril 19, 2004

'Socialight'




Pah ... pah ... pah . pah ... Pah ... OUT!!!
Público: AAAHHHH!!! (êxtase e aplausos)

Entretanto, num dos camarotes do court central...

Martim: Ah! Grande jogada! Estavam a correr imenso! Só não percebi porque é que aquele rapaz ali de chapéu gritou! Assim é óbvio que desconcentra os jogadores...

Sebastião: Não, ele fez muito bem em parar o jogo. Estamos aqui há imenso tempo! Já viu que não nos deixam sair. Não percebo porquê... obrigam-nos a estar aqui a levar com o pó do campo! Porque é que não fazem o pavimento em mármore ou azulejo? Era bastante melhor, não fazia lixo nenhum... Isto assim é um aborrecimento!

Martim: Tem razão Sebastião. E já agora arranjavam uns camarotes melhores, quer dizer já que temos de estar aqui à espera que nos deixem sair, ao menos podiam ter uma televisão para nos irmos entretendo com alguma coisa até podermos voltar para a tenda VIP.

Sebastião: Quem é que nos mandou sair do Village?!?

Martim: Oh, como é a final veio toda a gente importante ver um bocadinho do ténis, sabe como são estas coisas...

Sebastião: Ai, mas são exactamente estas coisas que eu não suporto... É o ténis no Estoril Open e os cavalos na Feira da Golegã!

A idade não perdoa



Não sei se viram hoje no telejornal da RTP 1 à hora de almoço, mas a dita televisão foi entrevistar um senhor (que até é/era professor e tudo...) e que, pelos vistos, tem mais de cem anos, ou seja, já viveu em três séculos diferentes. A ideia foi bonita e todos acham graça a ver o senhor a aparecer... Com isto começa a entrevista ao velhote.

Começa por lhe fazer uma pergunta sobre o 25 de Abril (porque parece que o senhor esteve vinte anos no exílio à custa disso), e ele responde "O 25 de Abril foi muito bom para o país, por acabar com a monarquia...", ao que a jornalista diz num tom maternalista (ou então tom de senhora do lar para um velhote) "Está a fazer confusão, isso foi o 5 de Outubro...". O senhor finge que não ouve, afinal, nem a idade nos rouba o orgulho...

Escusado será dizer que esta brilhante peça jornalística continuou no mesmo estilo, com as dissertações idosas sobre o "regimen"... perguntando ele até... "A senhora sabe qual era o regimen que existia em Portugal antes do 25 de Abril? Era o de sua majestade...".

E por entre o ar de "Hmpfff! Quem foi o anormal que me deu esta reportagem?" da jornalista... o velhote acaba a entrevista a desatar aos berros de "Viva o 25 de Abril!" embora parecesse que dizia algo como "Miva o minte çanq de avrol"...

domingo, abril 18, 2004

Tirar a carta...

Gosto dos meus instrutores de condução. Palavra! Tipos porreiros! Um deles chama-me Susana (“olhe lá, olhe lá… mais travão, Susana… mais, MAIS”), passa o tempo da aula a ouvir o relato da bola na rádio e, quando finalmente “imobilizo o veículo em segurança”, espera sempre que eu tenha imensas dúvidas acerca do funcionamento do automóvel. O outro, mais novo, falhou a vocação. Devia ter sido psicólogo. Faz-me falar sobre a minha vida, a faculdade, a família, pergunta-me se gosto de conduzir e o que é que isso me faz sentir, se já tinha conduzido antes… No final da aula chega à conclusão de que eu tenho cara de pediatra e que ando a praticar a condução no carro do meu pai. E eu fico sem coragem para lhe dizer que as criancinhas não são o meu forte e que o meu pai não me empresta o jipe desde que o atirei contra o muro da minha casa…

Os professores de código também têm feito muito por mim. Continuo a errar cerca de metade das perguntas dos exames que passam nas aulas mas já aprendi imensos sinais de “puribido” e estou bem mais atenta a “tricky questions” de exames. Por exemplo, quando me perguntarem se, perante determinado sinal, o peão pode andar com o cavalo pela mão, direi imediatamente que não! Segundo o meu professor – homem com um domínio perfeito da língua – “como é que se anda com o cavalo pela mão se o cavalo não tem mãos?”

Apesar destes senãos, quero deixar aqui expresso um elogio aos instrutores de condução: podem não ser muito perspicazes mas (ou por isso mesmo…) arriscam a vida ao meu lado quando eu vou a guiar. E nunca ninguém fez tanto por mim!

sábado, abril 17, 2004

Missão Impossível



Há uma rua de Lisboa de que eu gosto bastante, mas na qual evito passar... a Rua Augusta.

Porquê? Perguntam vocês... Porque conseguir fazer essa rua de uma ponta à outra sem ser violentamente abordado é a chamada "missão impossível".

Parece que toda a gente com algo a impingir se juntou naquela rua. Dos pedintes, aos músicos de rua, aos palhaços, todos estão lá... e esses até não me incomodam. Só dá quem quer e alegram a vida de quem por ali passa. Quem me irrita profundamente são aquelas pessoas estranhas que andam com um bloco e uma caneta nas mãos e nos querem bombardear com perguntas.

Acho seriamente que se devia vender nas farmácias um repelente anti-"vendedor chato"... Já tinham um cliente! É que não gosto nada de dizer "Não, obrigado!" e continuar a ser perseguido por pessoas que me dizem "Vá lá... são só 5 minutos, não demora mais do que isso...". Principalmente quando sabem que querem para aí meia-hora da vida do trauseunte. Um dia em que lá passei foi dos mais felizes da minha vida, quando um desses "weirdos" me bloqueou a passagem e perguntou "Trabalha?", ao que eu respondi com um seco "Não!", e ele disse-me: "Ah! Então não serve...".

Ainda hoje esse abrunho se deve estar a perguntar porque é que eu fiquei nesse instante com cara de quem ganha o totoloto...

sexta-feira, abril 16, 2004

Kinas, o mau da fita...



Há pessoas felizes. Há pessoas felizes com dias felizes. Há pessoas felizes com dias infelizes e... por último, há pessoas infelizes com dias infelizes... Infelizmente deve ter sido um dos últimos que foi escolhido para criar a mascote do EURO2004...

Mas como é que é possível criar um boneco tão horrível??? Em que é que a cabeça trapezoidal e defeituosa se identifica com o povo português? E até o nome... Tinha mesmo de se criar um conflito ao "baptizar" o "choninhas" com o nome de uma marca de fósforos... E ainda os jogadores da selecção se queixavam do Tuga no mundial passado. Ao menos o Tuga parecia assumidamente extraterrestre e não uma criatura resultante do cruzamento entre um ouriço e uma bigorna de desenho animado...

E os problemas que isto acarreta... Ainda na última manhã de Natal, eu abri um presente e vinha uma caneca do esKinudo... Meu comentário: "Ah, obrigado... não acho é graça nenhuma ao boneco, mas pronto, é para ajudar o Euro, não é...?". Noto algum nervoso miudinho na cara dos meus pais, que foi esclarecido quando descobri que os dez embrulhos seguintes me traziam a colecção completa de serviço de pequeno-almoço do Kinas...

quinta-feira, abril 15, 2004

A razão de Bin Laden querer a paz com os europeus...

O Oranginalidade orgulha-se de apresentar em primeiríssima mão uma conversa escutada entre o Boss do terrorismo internacional e um amigo seu (AS):

BL: Tou AS? Então, mano? Comé? Numa boa?
AS: Pá... vai-se andando... o calor do deserto aperta, mas cá continuo... a dar as minhas aulitas...
BL: Ya, pois é... Este ano tás a dar o quê?
AS: Este ano só tou a dar duas cadeiras, meu... "Técnicas de enrolar explosivos à volta do corpo" e "Armas químicas II"...
BL: Tá certo, tá certo... olha, eu tava-te a ligar para te dizer que se calhar não vou atacar mais os europeus.
AS: É? Então porquê? Tás te a passar, ou quê? Mas tu não os curtias nada...
BL: Não pá... É que os gajos têm muito poder... E escondido, ainda para mais...
AS: Como assim?
BL: Aqui o Mustapha conseguiu arranjar um cabo muita grande... e o pessoal passou a ter TV Cabo aqui na caverna... e então apanho umas cenas lá da Europa que me estão a dar volta à mioleira...
AS: Conta lá...
BL: Nem queiras saber... os gajos têm um canal onde durante todo o dia o pessoal escreve para lá do telemóvel... Mas... não penses que isso é o mais grave! É que por cada frase que eles mandam para esse canal pagam alguns 40 cêntimos...
AS: Txiiiiiii....
BL: Pois... agora já viste? Os grunhos que fazem isso... com uma espingarda na mão a vir aqui para as montanhas... São tantos que ainda me encontram. Mas há mais... e muito grave! Vi um programa de manhã em que estava uma mulher com cabelo à Songoku (isto porque eu vejo o Dragon Ball Z na SIC Gold, claro...) a acordar o pessoal! Bem... mas aos berros... Tinha nome de árvore... era Júlia Abeto ou que era... Se trazem para aqui a gaja... isto desmorona-se tudo...
AS: Tou a ver que é mesmo grave... Tem lá cuidado então... A Europa não é mesmo para atacar...
BL: Ah não é, não... É que tenho mesmo medo que em último caso eles mandem para cá o Toni... que é o correspondente em anti-matéria do Rei Midas... É que tudo em que esse homem toca se desfaz... :S

Cairo Experience



Há dias que têm quase mais de vinte e quatro horas. Este aqui começou a acordar às duas da manhã, ainda em Assuão, para fazer mais de três horas de estrada pelo meio do quente e seco deserto.

Há milhares de anos, também Ramses II se aventurara para estes lados e aqui ergueu os magníficos templos de Abu Simbel, espectacularmente escavados no interior da montanha, e, não menos espectacularmente, salvos de ficar submersos nas águas da barragem de Assuão, num trabalho predominantemente realizado por espanhóis, ao serviço da Unesco.

Ainda manhã bem cedo, e já o "throttle" está no máximo para descolar em direcção ao Cairo. Antes da aterragem, a visão das Grandes Pirâmides e da Esfinge pela janela do avião, são mais um ingrediente a apimentar o dia. Algum descanso... e a "experiência" estava guardada sobretudo para a noite.

"Cairo by night" é um programa que se recomenda. Vêem-se as gentes, as ruas, o bulício, o trânsito... sempre o trânsito cairota no seu melhor, onde conceitos como prioridade ou semáforos são meras teorias. Vale tudo nestas ruas...

E como por vezes é necessária uma imersão cultural completa, ali nos sentamos num café típico, a beber chá de menta e a fumar tabaco de frutos pelas típicas "shishas" à la norte-africana.

E quase nos sentimos egípcios...

(escrito a 8 de Abril de 2004 no Cairo)

quarta-feira, abril 14, 2004

Sol, câmara, acção!



Acordar às quatro e meia da manhã não é tarefa fácil. Mas quando o objectivo "merece a pena" (e acreditem que há quem não conheça há muito tempo esta expressão), esses pequenos "sacrifícios" são rapidamente compensados.

Primeiro vai-se lidar com a morte, já que, desde cedo, as visitas começam pelos túmulos faraónicos do Vale das Rainhas e do Vale dos Reis. A altura das câmaras funerárias e as fabulosas pinturas nas paredes são como um banho relaxante, que logo faz esquecer a hora do dia. Também o sol, que vai queimando lá bem do alto, nos faz parecer que é meio-dia e não oito da manhã.

Segue-se o incrível templo da rainha Hatshepsut (o que está na foto) e para continuar numa de templos... o tempo é ocupado até meio da tarde pelos templos de Luxor e Karnak. Em todos eles estão estampados sete ou oito milénios de história, e é isso que mais fascina. Não que o que vemos dos gregos ou dos romanos seja menos impressionante, mas, além de estar mais próximo de nós no tempo... percebo agora aqui que são muitas as influências arquitectónicas e culturais recebidas por esses povos. Obviamente não os podemos acusar de "plágio" civilizacional, mas é quase óbvio que em muitos aspectos vieram realmente "pescar" ideias por estes lados...

(escrito a 7 de Abril de 2004 no Cairo)

44 Moscavide

Mulheres gordas de ancas opulentas; o Casanova de óculos escuros e blusão de cabedal que sussurra obscenidades por cima do ombro da rapariguinha ossuda; o tipo que aproveita o tédio da viagem para pôr em dia a higiene nasal; a dona-de-casa que escolheu a hora de ponta para regressar a casa com embrulhos onde se adivinham vassouras ou varões de cortinado; o casal de namorados a trocar beijos ensalinguados – ele de boné encardido com pala de lado e ela de top justo que deixa o umbigo inflamado do piercing à vista; o indiano de rosto marcado por doenças tropicais, de que nem sei o nome, e que esfrega a barriga farta nas mulheres que passam; o senhor Barbosa que encontrou o Jerónimo do talho e discute a qualidade de alfaces que se dá melhor no quintal da casa “lá da terra”…
Tudo isto nos escassos lugares sentados mais quantos-caibam em pé de um autocarro da Carris. E eu neste microambiente fechado, a suar, a evitar desmaiar, a imaginar planos de fuga e a tentar (ainda) ser simpática e ceder o lugar que fica vago ao meu lado, e que eu tanto ansiava, à velhinha que arrastou as pernas coxas para dentro deste prodigioso transporte. E, quando chego à minha paragem, o perfume fresco que trouxe de casa foi substituído pela água-de-colónia do Casanova, pelo frango frito da dona de casa, pela noz-moscada do indiano e pelos odores de todas as pessoas que me tocaram…
E passo o resto do dia a ansiar por um banho, a jurar que, da próxima vez que o metro se avariar, perco o amor a 10 euros e vou de táxi até à Gare do Oriente. Tinha mais para fazer àqueles 45 minutos que passá-los no 44!

terça-feira, abril 13, 2004

Avionices!



Cada vez se confirma mais a minha ideia de que há uma conspiração montada contra mim na indústria aérea... São tantos os pontos em que sou violentamente discriminado, que não pode ser só a minha imaginação a funcionar...

1 - Apito sempre! Seja das chaves, das moedas, do telemóvel, dos sapatos... Nunca consigo passar naquela casa de banho portátil sem paredes sem que o polícia me faça cara de mau, me grunha qualquer coisa que nunca entendo e me faça voltar para trás... É que podia ser sempre a mesma coisa... Mas não! Vai variando que é mais engraçado.

2 - Vem a hora da refeição e é muito frequente que em Económica, o meu lugar seja precisamente dos últimos a ser servidos... a meio ou no fim do avião. Ou seja, mesmo quando há escolha, para mim não existe tal palavra... O que se traduz invariavelmente numa palavra: frango! Não sei que relações é que a indústria do frango tem com a máfia siciliana, as tríades chinesas, os barões da droga colombianos ou os grupos terroristas árabes, mas a verdade é que no avião a refeição tem de ser sempre frango! Seja o avião americano, francês, português, egípcio... enfim... frango e mais frango. Dá-me ideia que a única vez que não vi frango foi num vôo interno do Hawaii... aí era suminho de papaia e ananás... isso sim!!!

3 - Em cima de eu detestar comida de avião, há sempre um ingrediente que a torna mais agradável. É que... mesmo nos vôos em que quase não há turbulência... a pouca que há vem sempre à hora da refeição!!! O que só facilita uma tarefa por si tão agradável... Para esta última eu tenho uma teoria: acho que a esta hora o piloto e o co-piloto se estão a empaturrar o que explica a agitação... Ah! Claro... E o auto-piloto também está a almoçar, tem uma caixinha a ferver como os outros...

segunda-feira, abril 12, 2004

From Luxor to Esna



No mundo ocidental, a diferença entre países e culturas é já algo de bem marcado. Quando nos afastamos desta linha, aumenta esse fosso cultural. Por isso, acho que ficamos muitas vezes maravilhados com pormenores que, noutras ocasiões, não seriam sequer valorizados.

De Luxor para Esna o transporte é feito de autocarro, num "comboio" de veículos, com polícia no início, meio e fim. Desta forma procura-se garantir a segurança dos turistas, visto o turismo ser uma das principais (senão a principal) fontes de rendimento do Egipto.

O curioso nesta viagem, de cerca de uma hora, até às comportas de Esna, é olhar pela janela e observar a forma como o Nilo se vai desenrolando, bem como a fertilidade das suas margens e, principalmente, as casas e as pessoas.

As casas são muito "sui generis", pelo menos para nós, e o seu formato, o seu ar inacabado, a sua falta de cor... São tudo novidades para quem aqui chega.

Agora... o ponto alto deste trajecto é ver as crianças, e até os adultos, a correr acompanhando os autocarros, com um sorriso esfuziante e a dizer adeus energicamente.

Eu respondo! Não a todos, mas a alguns. E eles ficam contentíssimos, como se tivessem acabado de descobrir um poço de petróleo. E dizem aos amigos, e riem-se todos ainda mais, e continuam a correr... e dizem já adeus ao autocarro que se segue...

Como as pequenas coisas se tornam tão grandes...

(escrito a 6 de Abril de 2004 na estrada de Luxor para Esna)

domingo, abril 11, 2004

Fuga



Quando dei por mim... tinha a PP7 na mão e um corpo baleado jazia em frente a mim... Pela janela aberta, senti o "flash" do paparazzi que andava a seguir esta modelo de corpo escultural. Ao tirar a foto, reparei que ele tinha um sorriso irónico na cara. De repente percebi, quando vi que guardava ele próprio uma pistola (uma PP7 igual à minha!) e que desapareceu, como que por artes mágicas. Corri até à janela e não vi ninguém... Meu Deus! Como é que isto foi acontecer?

De repente, lembrei-me de sair do edifício a correr e ir para casa, tal o pânico que eu tinha. Não era ser polícia que me ia safar se ali entrassem os meus colegas e presenciassem a cena. E até já conseguia ouvir as sirenes ao fundo.

Muito a custo, lá consegui adormecer, mas a meio da noite acordei de repente com muito barulho lá fora. Acendi a televisão, e qual não é o meu espanto quando vejo a minha fotografia no ecrã, bem como câmaras em directo do exterior do meu prédio. Estava montada uma barreira policial como poucas que eu tivesse visto. Ouvi a locutora falar de "um polícia homicida" e compreendi o que se devia ter passado. O que só se confirmou... quando vi a foto que tinha sido tirada na altura do crime a aparecer na televisão.

Já não havia mais nada a fazer! As provas eram demasiado comprometedoras para eu me conseguir defender. Só fugindo é que eu tinha alguma esperança de sair vivo ou em liberdade desta situação. Mas como? A minha casa estava toda rodeada... Nesta altura bateram à porta. Pelos berros que se seguiram, percebi que tinha a SWAT Team do lado de lá da minha entrada...

Não pensei duas vezes, peguei na carteira, calcei os ténis e fui para as traseiras. Bolas! Quando levantei a janela, reparei que lá em baixo também estava um policiamento bem intenso. Então... lembrei-me de que da casa do meu vizinho havia um acesso ao sistema de refrigeração do prédio. Entrando silenciosamente, atravessei o quarto onde ele dormia, e saí para a sala, seguindo depois para a cozinha e para a casa das máquinas, onde estava a coluna de refrigeração. Lá consegui destapar a grelha... e lancei-me num mergulho sem fundo aterrando violentamente no fundo metálico das câmaras de ventilação, debaixo do meu prédio. Daí consegui observer o bulício do exterior, pela entrada da respiração. Vi, inclusive, dois colegas meus... com cara de caso e de irritação. Passaram ali perto dois membros da SWAT, que iam a conversar e um deles disse "Não está em casa, mas não deve estar longe!"

Raios! Já tinham entrado... E agora? Para onde iria eu dali? De repente tive uma ideia. Um armazém das câmaras de ventilação tinha explosivos C4, para emergências dos bombeiros, porque um dos meus vizinhos era bombeiro... Lá fui buscar o C4 e depois fiz a colocação estratégica... Pus primeiro um no canto oposto ao que desejava para sair. Quando ouvi a explosão... coloquei o outro junto da saída para a zona ribeirinha envolvente ao meu condomínio. Este rebentou a parede e quando saí, percebi que o plano tinha funcionado. A outra explosão atraiu toda a gente para o flanco oposto do prédio.

Mergulhei rapidamente nas águas pantanosas e muito a custo atravessei para a outra margem. Saí do rio e corri na direcção do que pensei ser uma das poucas ajudas que eu poderia ter... Depois de percorrer 5 quarteirões completamente encharcado, lá cheguei ao bairro chinês, onde recentemente tinha feito umas rusgas a casas onde se arranjavam passaportes falsos. Fui directamente à casa de Liu Ying, chefe da tríade da minha cidade. Depois de ter sido violentado pelos guarda-costas à entrada... consegui falar com Liu Ying e pedir-lhe que me arranjasse uma fuga para fora do país. Ele riu-se e deu ordem aos seus capangas para me deixarem que nem um queijo suíço.

Como estava a ver o caso mal parado, socorri-me do último truque a retirar da manga. Disse-lhe que lhe podia dizer quem estava contra ele e quem lhe andava a perturbar os negócios, tanto nos cartéis colombianos, como na Máfia russa, como no próprio governo... Aí Liu Ying mudou de atitude, ouviu-me pacientemente, e acabou por ceder... sendo cumpridor, seguindo a velha tradição chinesa de honestidade e negócio.

Foi assim que me vi sair do bairro chinês na mala de um carro e depois de andar umas boas 2 horas... fizeram-me sair do carro e indicaram-me a porta das traseiras do jardim zoológico. Inicialmente, não percebi muito bem o que estava ali a fazer... Ao entrar para um armazém do zoo, lá compreendi... Não me esperava uma fuga cómoda e agradável. Fui colocado no interior de uma caixa de madeira onde mal cabia... e tinha, nas caixas vizinhas, alguns simpáticos colegas como cobras piton ou sapos alucinogénicos.

A última coisa que vi antes de entrar na caixa, foi um autocolante de lado, que dizia "Fragile - Sea Transport". Ao fim de quase 14 dias... já quase morto de fome e sede lá vi a caixa ser aberta e um "quase anão" dizer-me "You ale flee"...

E foi assim que vim parar aqui, a Xangai, donde vos escrevo a relatar a fuga...

Oranginalmente falando...



Não é todos os dias que escrevo a 11000 metros de altitude. Nem o poderei fazer em nenhum sítio com os pés bem assentes na terra. Por isso, fiz questão de passar para o papel o que vai na alma quando se voa a esta altitude.

Tudo ganha outra dimensão. Tudo passa a ser simultaneamente grande e pequeno. Pequeno porque é visto de tão longe que as casas se tornam formigas e os carros nem sequer são visíveis. E é grande porque é amplo, porque o horizonte se expande e tem outro significado.

Apesar de em vinte anos de vida já ter tantas e tantas horas de vôo, é a primeira vez que ando cá em cima desde que fundei o meu blog, há cerca de três meses. E portanto, têm de ficar a saber que até no avião eu "trabalho" para "vós fiéis leitores", como a Ana gosta de vos chamar.

E é assim que terminamos por hoje, com a Serra Nevada em todo o seu esplendor ali ao fundo, tendo Granada a seus pés, terra que vai em breve acolher DdS, a partir do ano que vem... o "Furacão de Granada".

(escrito a 3 de Abril de 2004, a 11000 metros de altitude no vôo de Lisboa para Luxor... a falta de oxigénio em altitude faz destas coisas...)

Crescer

A adolescência é uma fase problemática para a maioria das pessoas. Esperam-se sempre grandes mudanças no corpo, na personalidade… mas o que tenho reparado (começo a achar que se calhar demorei tempo demais a perceber isto) é que, ao invés de alterações radicais, as nossas características pessoais mantém-se e tornam-se mais definidas.

Aquele menino que, na escola primária, chorava mais do que os outros quando se separava da mãe e nunca queria correr e jogar à bola é no liceu o rapaz “sensível” e pouco sociável que se senta na última fila. A menina de caracóis louros que usava os melhores vestidos e se via rodeada de amiguinhas que a admiravam é hoje a chefe de claque (peço desculpa pelo cliché tão indecentemente copiado dos filmes americanos) que as amigas continuam a admirar/ invejar e que todos os rapazes desejam (bem… talvez não aquele rapaz “sensível” da última fila de que falei há pouco).

Afinal, aqueles psiquiatras e psicólogos de que ouvimos falar (Freud, Piaget…) tinham mesmo razão e a primeira infância é, salvo casos pontuais, determinante no desenvolvimento dos traços mais marcantes da nossa personalidade. Então o que acontece connosco durante todos aqueles anos até à idade adulta? Nada senão o acréscimo de pequenas coisas a uns sólidos alicerces? Pois… parece que sim. Dizem que construímos um superego e aprendemos a interagir melhor em sociedade; que nos esquecemos de alguns instintos, fundamentais para a sobrevivência do indivíduo e da espécie, que vieram connosco da maternidade, e amadurecemos

quinta-feira, abril 08, 2004

From Cairo...



Ola portugueses e portuguesas,

Consegui arranjar uma mini-pausa entre tanta aprendizagem por imersao cultural, para vos vir deixar umas palavrinhas. Escrevo do Cairo e por isso e que nao consigo usar acentos. Mas tambem desta vez tenho desculpa... Eu queria ver o que e que voces conseguiam fazer com um teclado em arabe, no qual mal se veem as letras ocidentais.

Quando olho para a minha esquerda vejo o Nilo e a ilha de Zamalek... a Torre do Cairo, os barcos, algumas folhas de palmeira tapam a minha visao. Quando olho para a direita vejo uma parede... OK, tambem nao podia ser fantastico para todos os lados, nao e? Agora demorei horas para descobrir um ponto de interrogacao, valha-me... Ala...

Como o Hotel Sheraton leva caro pelos minutos de internet, nao vos posso escrever muito mais, ate porque tenho de ir apanhar o autocarro para ver o espectaculo de luz e som nas Piramides de Gize. Mas deixo-vos ca um ate breve... provavelmente em Lisboa... que vou voltar a fingir que estou, como ha alguns dias acontecia no deserto e la mais para sul, fora de qualquer contacto civilizacional...

O meu grande Shokran (obrigado em arabe) a todos por irem aparecendo por ca... e um "estao a portar-se bem" aos meus colaboradores... que ja vi que continuam activos ;) Nao tive foi tempo para ler tudo o que escreveram...

From Cairo with love...

terça-feira, abril 06, 2004

Dietas

Há dietas para todo os gostos. A dieta da salada, a dieta da fruta, a dieta da água, a dieta da seiva, a dieta dos batidos, a dieta da beterraba, and so on and so on...

O mais curioso, como certamente a maioria já reparou, é como as pessoas se lembram destas coisas quase quase em cima do Verão. Afinal, vem aí o bom tempo, vai apetecer ir para a praia, as roupas vão começar a encolher, t-shirts passam a tops, calças a calções, saias a mini-saias, e ninguém vai querer andar a exibir alegremente o seu pneuzinho.
Pois é, tudo normal até aqui. O problema surge quando a Primavera nos resolve pregar das suas e nos presenteia com dias de sol magníficos, em que as temperaturas sobem sobem e parece que não há nada que apeteça mais que um mergulho na piscina ou mesmo no mar.

'O problema?' estarão vocês a pensar, qual é o problema disso, afinal toda a gente gosta de sol! Lá isso é verdade, mas agora reparem bem em quantas das vossas amigas (peço desculpa por referir especificamente o sexo feminino nesta rubrica, mas hão de convir que estas coisas se aplicam mais às moças que aos moços...) respondem prontamente a uma ida à praia, e mesmo entre as que acabam por ir quantas é que debaixo de um sol que chega a fazer inveja a certos dias de Verão deixam ficar a sua t-shirt (exactamente uma t-shirt e não um top!!!) e o seu paréu? Parece que a época balnear veio cedo demais para algumas pessoas que se sentem incomodadas com as suas pequenas 'imperfeições' ainda por corrigir, não permitindo que desfrutem das oportunidades que o nosso solarengo Portugal vai oferecendo, o que é um tremendo desperdício!!!

Por isso (e retirando todo e qualquer sentido prejurativo à minha afirmação seguinte) dispam-se de preconceitos e aproveitem enquanto podem, vão ver que vale a pena! =)

Feira Curta

Nos dias 26, 27 e 28 de Março decorreu em Lisboa a Feira do Livro Estrangeiro. Pois… podia ter avisado mais cedo mas ainda não escrevia neste blog – como é que ia publicitar o evento? Mesmo eu só soube da sua ocorrência através de um postal free que um amigo fez o favor de apanhar… do chão!

É que estes acontecimentos que têm o mérito de tornar o conhecimento acessível ao grande público são sempre tão bem divulgados e têm uma duração tão longa, não acham? Se se tratasse da Feira de Enchidos do Continente tinha durado uns bons 15 dias… até se esgotar o stock de chouriços de porco preto. Assim, como se vendem clássicos da literatura estrangeira a preços convidativos, ninguém se interessa… Quem dá 2 euros por Dickens, Wilde, Victor Hugo, se com a mesma quantia se pode comprar uma farinheira ou um suculento naco de presunto?

Tendo ido à feira, percebo que a meia dúzia de cidadãos que a frequentava não justificava o seu prolongamento por mais tempo …

Aos meus amigos P.C., pelo postal, A.M., pela companhia, e J.P., por não acreditar que a feira fosse tão curta.

domingo, abril 04, 2004

Sit! Good dog.

Acho que de tantos nomes possíveis para se dar a um cão o nome Dick é o pior que se pode escolher! E como é que me lembrei disto? Num domingo qualquer fui visitar a minha família a uma aldeia do interior (sim, esses parentes afastados… sim, os que não param de dizer como estamos crescidos!) e dou por mim a entrar em casa de pessoas que não conhecia bem mas que insistiam em mostrar-me a intimidade dos seus lares e dos seus quintais… Ora, havia em todos eles (os quintais) um ponto em comum: um cão vadio, maltratado, de pêlo escasso e desordenado, preso à casota por uma trela que lhe dava uma pequena área, correspondente a um semicírculo, para se esticar (acho bem… os animais não prezam nada a liberdade…). Estes cães chamavam-se, invariavelmente, Dick.

E porque não Bobby, Snoppy, Farrusco? Como é que com uma gama tão vasta de nomes – e reparem como os que mencionei são bem menos sugestivos do aparelho genital externo masculino – se escolhe o nome Dick? Não percebo… E coloco outra questão: onde é que estas simples e puras pessoas da província ouviram este nome? Será por ser diminutivo de Richard? Mas onde é que elas conheceram um Richard? Na série Dallas? Cá está a televisão outra vez a corromper as pessoas …
Não interessa. O relevante é que o nome foi bem acolhido e não se sabe como nem porquê. E ninguém me demove da crença de que algures na América profunda deve existir um cão chamado Pilinha

sábado, abril 03, 2004

Cafageste



Sempre achei imensa piada a esta palavra brasileira... Não sei porquê, mas sempre achei! E acho que já que ela não é utilizada no nosso dia-a-dia, poderia ser utilizada noutras situações.

Como por exemplo: uma empresa de gestão de stock de cafés podia obviamente chamar-se "Cafageste - Gerimos o stock do seu café!". Claro que isto poderia causar alguns inconvenientes, porque, imaginemos que o dono do café é brasileiro e telefona para a linha de apoio a clientes da Cafageste S.A. Do outro lado dizem-lhe "Cafageste, boa tarde, fala a Marta, em que posso ajudá-lo?". E é óbvio que o senhor leva a mal... porque aquilo na sua terra natal é ofensa...

Quem também podia ter utilizado este nome (ou quase) era o gestor de carreira do Franz Kafka (caso ele o tivesse tido, não é?)... Era a chamada "Kafkageste"...

Há ainda mais uma nuance a acrescentar... No nordeste transmontano ou na Beira Interior... o som "cafageste" pode bem ser igual a "Cá fizeste", quando dito por certas pessoas em certas ocasiões... Já viram isto? Até antropologia social vocês aprendem neste blog... ;)

sexta-feira, abril 02, 2004

Esperem... falto eu!

Um segundo de distracção e já todos escreveram um texto para o blog menos eu! Fiquei para trás e estaria menos envergonhada se o “patrão”, como diz a Joana, não tivesse ralhado comigo. É que ele é um editor bastante exigente: impõe regras severas e obriga-nos a cumprir os compromissos que assumimos! Bem… talvez não seja bem assim mas como estava em falta senti necessidade de me justificar de alguma maneira…

E sim, eu também fui convidada para colaborar na elaboração deste blog. Não sou suficientemente audaz para, por livre iniciativa, me oferecer para esta tarefa hercúlea! :)

Não tenho relatos maravilhosos de viagens fantásticas, não trabalho na rádio e não sou o sucesso da tuna médica de Lisboa... Só passo à frente porque tenho 3 narizes em três gatos diferentes e isso deve contar alguma coisa… esperemos que sim!

Em comum com os outros blogueadores tenho a vontade de colocar a minha criatividade ao serviço da Oranginalidade e prometo que de ora em diante vou tentar fazê-lo tão assiduamente quanto puder. E tudo isto por vós, fiéis leitores (agora estive quase a escrever “por vocês, este público maravilhoso” mas parecia uma frase de cantor popular e não emprestava muita dignidade a este texto)!

O Sofrimento de Cristo



Primeiro que tudo, esclareço o título do meu post. O título original do filme (The Passion of the Christ) foi assim dado porque o termo "Passion" deriva da palavra latina "passio" para "sofrimento", daí a segunda leitura do título dado.

A seguir, tenho de dar os parabéns ao realizador e co-argumentista Mel Gibson, pela forma brilhante com que consegue retratar no ecrã as últimas doze horas da vida de Jesus Cristo... tanto do ponto de vista histórico e bíblico, como do ponto de vista cinematográfico. Após estes elogios, achei interessante expor a minha perspectiva sobre duas grandes polémicas que se levantaram em torno do filme.

Primeiro, a crítica da comunidade judaica, através da acusação de anti-semitismo ao filme. É realmente confuso ver esse tipo de condenação... A pessoa mais cega é sempre aquela que não quer ver... E quem tenta esconder o seu passado também não me parece estar no bom caminho. Um facto que devia fazer a comunidade judaica reflectir e ultrapassar pormenores históricos menos abonatórios (que todas as religiões têm, aliás...) foi utilizado pela mesma para criticar o realizador do filme e a forma como a história foi contada. Tiro uma conclusão disso: é que agora, como então, o povo judeu continua a ver as coisas por um filtro muito específico, e sempre com sentimentos muito próprios. Julgo que desconfiar de tudo, até da Verdade, e facilmente "entregar" o próximo, sem o julgar adequadamente, continuam a ser alguns desses defeitos, tal como há dois mil anos o eram. E assim se mostra que nem a História é boa conselheira para alguns...

Depois, a acusação de que o filme é violento. O filme é, de facto, muito violento. Mas... é violento como o foi a história que é contada. Muitas vezes o nosso defeito encontra-se na tentativa de tornar romances as maiores desgraças que encontramos perante os nossos olhos. Mas, será essa a solução? Eu não acho que o seja... e acho que muitas vezes as consciências só são alertadas pelo choque. A mim... este filme marcou-me, tal como espero que marque muitos de vós. O sofrimento de Jesus Cristo, a Sua fé, a Sua força, os Seus valores, mesmo na hora da morte, são um ensinamento para todos nós, e nunca é de mais trazer isso ao nosso presente. Mesmo quem não seja crente pode tirar uma boa lição ao ver este filme.

Assim, só espero que aqueles que O seguem sintam no filme mais um recordar do que Ele nos quis ensinar... e que os que não O seguem, sintam pelo menos por uma vez, ao ver o filme, porque é que quem acredita sente vontade de acreditar e acredita!

quinta-feira, abril 01, 2004

O Grande Golpe



Portugal sabe-a toda!

Estou verdadeiramente maravilhado com o trabalho de Gilberto Madaíl, esse grande IECA (isto é uma piada privada para estudantes de Medicina...), bem como de Luiz Felipe Scolari, esse mágico, esse mestre, essa pérola que nos chegou do país irmão. É que, realmente, nunca pensei que conseguissem imaginar e pôr em prática um plano tão brilhante como este que estamos a observar.

É delicioso ver como a selecção nacional se arrasta em todos os jogos que faz... não joga nada à bola... e também não consegue o mínimo resultado decente. Vê-se logo... não é que os malandros dos jogadores também são cúmplices no "Grande Golpe"?

É que assim já quase se estão a denunciar! Já muita gente percebeu que o truque é fingir que não jogamos nada, que andamos muito em baixo e que não conseguimos criar a mínima coesão de equipa. Quando chegarmos ao Europeu... surpreendemos tudo e todos e a Europa em peso vai ficar tão abananada, que quando se aperceberem do sucedido... já nós estamos em plena Praça do Comércio com a taça e a festejar...

Estas cabeças na FPF não param... é gente de outra estirpe... de outro nível de inteligência!!!

Quem sou eu? O que é isto? O que é que eu tenho que dizer? Dói?

Ainda bem que arranjei emprego! Isto de viver de subsídios tinha que acabar. Permitam-me dizer que o “Patrão” deste blog tem um grande coração (por ser estudante de medicina é natural que tenha implantes a metade do preço). Na verdade, os motivos que o levaram a convidar-me passam-me ao lado e acredito que vão passar ao lado de quem leia isto. Perguntem-lhe directamente. O número é 911... (estão aqui a fazer-me sinais... pois... ah, não convém dar o número? Tudo bem.)

Passo a apresentar-me. Quero dizer, eu até gostava de me apresentar, mas com 26 anos ainda tenho crises de identidade. Passemos à frente.

Acordo (acordava... uma das vantagens de escrever para um blog é trabalhar a partir de casa, li o anúncio no tronco de uma árvore... “Trabalhe a partir de casa”... pensei, aí vem mais um parti-time a lamber envelopes. Mas não. Isto é a sério, caramba. Um emprego a sério e igual a tantos outros. Trabalha-se primeiro, recebe-se depois, em data a combinar e indefinida) Acordo, dizia eu, às 5 da manhã e passo o dia fora de casa. O que faço? Respiro, e já me considero uma mulher de sorte se respirar em condições aceitáveis. A bomba da asma é a minha melhor amiga. Não tenho muitos mais, para ser sincera. No regresso a casa... Ah! O regresso a casa às 10 da noite. Alguém me espera. É tão gratificante ter alguém à espera mesmo que esse alguém, ou esses alguéns, sejam duas bolas de pêlo com uma vida activa de fazer inveja: comem, dormem, e pouco mais (e acreditem o pouco mais não é dos cheiros mais agradáveis....). Ah!! E têm dois narizes... porque são dois... dois gatos com dois narizes, um de cada gato entenda-se! Tenho piada não tenho?

Não estão com vontade de trocidar o “Patrão” da oranginalidade?? Era oranginalidade, não imbecilidade, digam-lhe!

Ah!! Também não tenho histórias de viagens para contar, porque sempre que viajo é em trabalho (sim, eu sei, estou a contradizer-me... afinal trabalho ou não trabalho? Eis a questão... já dizia... como é que é mesmo? Aníbal Cavaco Silva. Sou culta, sou muito culta!).

E... shame on me! Não conheço Nova Iorque.

Será que vou conseguir manter o meu emprego de bloguista? Aceitam-se apostas.

É doido

Ora digam lá,
Se eu vos disser Oranginalidade em quem é que vocês pensam logo?
Exactamente, lembram-se do gato de dois narizes, do Jean d'Orange, dum Vic Vapospray gigante do deserto, dum Al Capone campeão da bisca dos três, e os mais atentos certamente lembrar-se-ão dum JP. Era esse a quem eu queria chegar. Pois bem, parece que este senhor conhecido pela 10ª e 16ª letra do alfabeto (não esquecendo de contar o 'k', porque, quer-se dizer lá por nós não o utilizarmos não significa que ele não exista, não vale a pena estar a discriminá-lo só por isso) achou que devia convidar colaboradores para o auxiliarem na sua tarefa de oranginalizar, e vá-se lá saber porque carga de água resolveu convidar-me... não sei o que lhe terá passado pela cabeça, se foi deliberado ou apenas um momento de devaneio, mas a verdade é que agora o mal está feito!
Aceitei o convite sem grandes pretensões. Porventura não terei a minha veia literária desenvolvida o bastante, nem tão pouco terei o sentido de humor suficientemente apurado, mas espero de uma maneira ou de outra poder dar um pequeno contributo a este blog tão oranginal.
Por isso já sabem, quando mais dia menos dia virem um post diferente não se assustem, é tudo pela oranginalidade!!!

Surpresas 2.0



Está imenso trânsito! Assim nunca mais vamos chegar a horas a Paris... e temos de parar para almoçar. Qual é a próxima saída? Ah, é para Gent... no mapa até parece não ser feio...

Apontar ao centro é o truque nalguns casos. E aqui é um exemplo. Estaciona-se junto da Catedral e, como a fome aperta, procura-se rapidamente, numa rua minúscula, um restaurantezinho para almoçar. Depois de alguma busca, lá se encontrou uma cervejaria "à la Flandres", onde umas deliciosas "Moules avec des frites" foram saboreadas...

Mas a surpresa estava guardada para a fase pós-prandial. Rica surpresa esta cidade de Gent... Nas margens do rio há uma quantidade tal de palácios e edifícios majestosos, que surpreende qualquer um... E logo bem perto, também as típicas casas da região se recortam na paisagem pitoresca. O cenário ideal para pintores, escritores, estudantes, enfim... para quem se queira inspirar.

Foi curta a minha visita a Gent... mas ficou bem premente o desejo de lá voltar...