sábado, abril 24, 2004

Shot down



Por muitos vales que se percorram sem sofrer uma inundação ou uma derrocada, por muita floresta que se faça sem ficar preso no meio do incêndio, por muito mar que se nade sem afogamentos à mistura, não há por vezes escape e ficamos demasiado expostos, somos alvos demasiado fáceis. Parece que estamos no meio de uma praça, rodeada de edifícios, e em cada janela está um atirador, pronto a cumprir o seu serviço.

Passado um pouco... somos abatidos! As paredes do estômago colam-se, os olhos parecem querer saltar das órbitas, rapidamente o formigueiro se apodera das nossas pernas e nem sequer para chorar nos restam forças. Só indignação... fica só a indignação por ver como tudo isto corre. Dias atrás de dias... e sempre tiramos a mesma conclusão, merece imenso a pena viver neste mundo, mesmo com todos os problemas que tem. Mas é assim mesmo... muitos desses problemas abatem-nos, ferem, o tiro não passa ao lado, acerta e em cheio, mesmo no quarto espaço intercostal esquerdo e a bala vai alojar-se entre as fibras musculares do miocárdio, para que a cada oito décimos de segundo nos possamos lembrar que ela lá está. Afinal, um bocadinho da alma estará mesmo no coração, como os egípcios pensaram.

O "Oranginalidade" é bem disposto por natureza. Vocês não têm nada de levar com os estilhaços da minha bala, se era para mim que ela estava destinada, deixem-me ficar eu com ela e continuem a vossa política de "carpe diem".

Aproveitem, porque há muitas balas perdidas e nunca saberão quando será a vossa vez. Os estados de alma não se escolhem... existem, aparecem, brotam por si próprios, como se fossem seres autónomos. O meu agora está assim. E enquanto a bala continuar a dar sinal da sua presença aqui bem fundo, vai ser difícil pensar de outra maneira...

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