quinta-feira, novembro 24, 2005

Falta de chá



Estava hoje a lembrar-me se haveria na Pérsia alguma terra com o nome de Menta ou Camomila. É que nesse caso o Xá da Pérsia seria também obrigatoriamente Xá de Menta e Xá de Camomila.

Se pensam que as duas frases anteriores são tradutoras de senilidade em estado avançado... é melhor nem contar que mais uma mão cheia de piadas más estavam na manga, como por exemplo falar-vos da emigração de Xás da Pérsia:

- O Xá Vimbi, que andava por Angola e já não anda.
- O Xá Pinto, que ainda joga no Sporting.
- O Xá Ra Picasso, esse monovolume dos nossos dias.
- O Xá Vedefendas, que é muito útil para a bricolage.
- O Xá Dam Hussein (bem, esta é quase verdade geograficamente...)
- O Xá Lá lá lá lá, xá lá lá in the evening dos Vengaboys.
- O Xá mpô de pêssego da Garnier.

Uff, felizmente não partilhei nenhuma dessas.

quarta-feira, novembro 23, 2005

Wake up little Susie



A Susie até pode acordar, como a mandavam fazer os Everly Brothers, mas apenas lhe recomendo que não vá de metro para lado nenhum. Pelo menos no de Lisboa.

É que ainda esta manhã fui gozado pelos convenientes "problemas técnicos" e pelo caos que isso gera quase diariamente neste péssimo serviço de transporte. E ainda bem que escrevo este post algumas horas depois, quando a ira já assentou e se recolheu de novo ao interior dos poros de onde transpirou de manhã.

E depois ainda recomendam que se ande de transportes públicos... Grumpf!

domingo, novembro 13, 2005

Elizabethtown



Chegou pelas mãos de Cameron Crowe o filme que para mim foi uma das grandes surpresas deste ano cinematográfico.

Uma história simples, um elenco simples, uma fantástica fotografia, uma banda sonora excelente, tudo combinado com quantidades q.b. de comédia, drama, sensualidade, conservadorismo, vanguardismo, alegria, tristeza, tipicamente à american movie. Para não falar das fantásticas paisagens do Kentucky (que afinal não tem só Fried Chicken) e de alguns dos estados envolventes.

Pelo meio Orlando Bloom e Kirsten Dunst surpreendem, com papéis bem mais densos que em filmes em anteriores (se bem que o "Legolas" tem a sorte de figurar nos filmes que retratam o universo LOTR em que eu sou mais do que viciado...).

Como alguém que me é muito querido se referiu ao filme: "um filme complexo disfarçado de comédia romântica". Estão retiradas as palavras da minha boca...

quinta-feira, novembro 10, 2005

A família da Segunda



Todas as manhãs milhares de lisboetas cumprem o ritual do trânsito. Muitos são obrigados a fazê-lo devido aos incapazes transportes públicos, que apesar de reconhecidas melhorias nos últimos anos, continuam a não ser capazes de suportar todo o tráfego de pessoas em torno da capital em hora de ponta.

Pelo meio do ritual quase se criam famílias, portugueses típicos para todos os feitios, com carros para todos os tamanhos, desde os camiões que andam de obra para obra ou a distribuir vegetais, à moçoila que acaba de ajeitar o baton em frente ao espelho (quase batendo no da frente), ao pintas que tem de usar o seu "tuningzado" carro para ir para o trabalho que paga os cromados e ailerons, ao velhote que se encaminha para mais uma consulta tentando lembrar-se das queixas que tem e dos medicamentos que toma (numa clara prova de que se anda a esquecer de tomar os da memória), até a mim que tenho de desesperadamente chegar a horas ao Pulido Valente, para mais um dia de enfermidades e, espera-se, subsequentes curas.

No meio deste bulício todos andam a passo, todos têm tempo para se observar entre si, para barafustar para com o chico-esperto que finge que vai sair para a Repsol e afinal só estava a passar meia dúzia de carros pela direita, para tremer com a vibração dos aviões que nos passam por cima alheios ao nosso trânsito. Dá tempo para tudo, até para ler as gordas do jornal, acabar aquele relatório importante ou tomar o pequeno-almoço.

Uns minutos à frente, e tão à portuguesa, descobre-se o motivo do pára-arranca... não há nada do nosso lado, mas no sentido contrário houve um acidente e há que gentilmente lentificar a nossa marcha e meter o bedelho na situação em causa. Afinal... quem está do lado de lá do separador faz parte desta nossa família...