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Mensagens

Novo dentista, novos temores

Vou dentro de minutos a um novo dentista. Desde pequeno que sou um fiel participante do grupo de pessoas que têm semi-pânico do dentista. Para começar, o facto de ter de abrir a boca em extensão máxima durante vários minutos é logo para o desagradável. De seguida somos submetidos a uma espécie de tortura (é pelo menos isso que me parece) com a utilização de instrumentos que parecem saídos de uma caixa de ferramentas do Ikea, ou pior, de um estojo inquisitório da Idade Média. Daí para a frente é sempre a piorar. A picada da anestesia é desagradável. O sabor dos produtos é estranho. A força das brocas faz-me acreditar que em breve terei um túnel escavado encéfalo dentro, ou no mínimo uma vista vazada. E para terminar, no caso de termos sido anestesiados, a felicidade de terminar a visita ao dentista é prontamente estragada pelo deprimente facto de nos estarmos a babar por um dos cantos da boca. Assim... não há dignidade. Figas preparadas. Aí vou eu!

Horários

Negócio. Está difícil. Quem tem um negócio queixa-se muito que "está difícil". Ou pela crise, ou pela competitividade, todos acham que é cada vez mais complicado triunfar num negócio. Mas onde começarão os erros? Exemplo: ontem fui a três bares na zona de Santos, sendo que todos tinham um traço em comum - fechavam às duas. A um Sábado à noite. Está certo que os horários existem para ser estabelecidos, mas uma postura destas é quase igual a um restaurante que fecha para almoços e jantares. Nisto faz-nos falta atravessar a fronteira e ver o que é a noite dos nossos vizinhos espanhóis. Famílias inteiras invadem a noite madrileña, preenchendo a Latina, e fica tudo aberto noite fora. Até pequenos supermercados e outro tipo de comércio prolongam os seus horários para ganhar com isto. Por cá: vamos fechar, vai tudo dormir.

Mas afinal? Tu queres ver?

Coisas que aprendemos com os reformados dos jardins lisboetas: quando não se tem tema de conversa sobre o que é que se fala? Sobre o tempo, pois claro está. Não a dimensão inexorável de medida, mas sim a meteorologia. E, portanto, lembrei-me hoje de comentar este tempo "nojentinho" que por aí anda. Tão depressa parece que afinal já é Verão, como vem um vento frio de cortar a respiração. E então não há roupa certa. Por isso se vêem desde pessoas encasacadas a malta quase em tronco nu. O que é parvo. E pouco digno.

De noite tudo se passa

Com a minha longa paragem na escrita não tive ainda oportunidade de comentar esses expoentes máximos do enchimento de chouriços que são os concursos telefónicos da madrugada. SIC e TVI degladiam-se para tirar o máximo de roupa possível a uma apresentadora (que tem como critério obrigatório de selecção ter aparecido na capa de uma revista masculina) e dessa forma levar os "toinos" e "toinas" que acreditam no Pai Natal a gastar uma pipa de massa em chamadas de valor acrescentado para tentar ganhar 300 ou 400€. Os temas vão variando, embora tenham sempre um traço em comum: a estupidez. Quando os participantes têm de descobrir coisas como "Josés famosos" penso que está tudo dito. A única solução para eu ultrapassar isto é passar a deitar-me mais cedo. Assim, mesmo que depois acorde às 4 ou 5 da manhã, sempre me divirto a ver o TV Shop, que é bem mais enriquecedor do ponto de vista cultural.

Eu sou o Bob, o construtor!

Passei uma infância a achar que não tinha jeito para trabalhos manuais. Passei uma adolescência a achar que não tinha jeito para trabalhos manuais. Passei um início de jovem adulto a achar que não tinha jeito para trabalhos manuais. Percebi finalmente que o jeito não se tem, aprende-se. Lancei-me num desafio hercúleo de montar sozinho um móvel de sala de 2m por 1m (é um dos jovens altos que podem ser observados na fotografia). E não é que ficou direito? Não é que até o raio das portas ficaram ao mesmo nível e não arrastam por sítio nenhum? Quando acabei senti-me verdadeiramente um Bob, o construtor. Ou pelo menos alguém com capacidade de unir peças e gerar um móvel (não é gerar vida, mas já é um primeiro passo). O melhor disto tudo é que poupei 70 Euros de montagem, e consegui fazê-lo martelando nos sítios certos e saindo com os dedos intactos.

Até arranhar a fita

Na brilhante série "How I Met Your Mother", há um episódio em que o Marshall tem de se despedir do seu velho carro. Nesse episódio recorda os bons momentos passados na viatura e ficamos a saber que há vários anos tem encravada no leitor de cassetes uma cassete dos Proclaimers, onde tinha gravado apenas a música "Im gonna be (500 miles)". Lembrei-me de perguntar a mim próprio que cassete eu gostaria de ter posto no leitor de cassetes (se tivesse um e se ele encravasse). A escolha pareceu-me óbvia. Ia recair sem dúvida em "Bohemian Rhapsody" dos Queen. Na, qualquer dia longínqua, década de 90, nas férias de Verão em Sesimbra, passava as tardes a gastar o meu Walkman com o terceiro "Greatest Hits" dos Queen. Invariavelmente enchia de "rewinds" o fim de Bohemian Rhapsody. Ao ponto de a entrada de "Another One Bites the Dust" se ter tornado quase inaudível com o passar do tempo, ao ser substituído por um arranhar semelhante ao pass...

You never get tired of...

Da família amarela que nunca cansa, hoje na FOX: Bart cai, vai ao hospital e de repente o Dr. Hibbert desfibrilha as nádegas de Bart. Segue-se: Marge: Why are you doing that? Hibbert: Oh, it's good for the batteries. Now, I'm afraid your son has cracked his coccyx. Brilhante...