quarta-feira, junho 16, 2010



Já dizia Max Ehrmann "listen to the others, even the dull and the ignorant. they too have their story".

A azáfama da consulta permite pouco tempo para fugir ao acelerar da burocracia e da conversa puramente médica, deixando pouco espaço no tempo para conversas paralelas. A entrada em conversas paralelas cria-nos injustamente um nervoso miudinho por atrasar toda uma lista de doentes, que se vão revoltar. Entre muitas outras coisas, tira-nos tempo para aproveitar o facto de falar com centenas de pessoas diferentes, o que permitiria aprender coisas novas a toda a hora. Exemplo de histórias de vida que mereciam mais dar um filme do que muitas que são forçadas como argumentos de Hollywood.

(bolas, esta senhora não se cala... e tudo são problemas, dói-lhe tudo, queixa-se de tudo, podia ser uma daquelas 'velhinhas' do sketch do gato fedorento, eheheh)
- E agora ando muito mais em baixo, Dr.
- Então porquê dona L?
- Porque morreu o meu cachorro, que era a minha companhia.
- Então e que idade tinha ele?
- Tinha 17 anos, já, Dr.
- Pois, isso deve ter sido bem difícil... Mas já se sabe que eles nunca vão viver toda a nossa vida. Porque é que não arranja outro novinho agora?
- Não posso... Com esta doença não consigo tomar conta do pobre animal (silêncio) Eu nem consegui ir ao funeral deste. Gastei o que tinha e o que não tinha para o tratar. Fui ao Veterinário, paguei 280 euros e não se conseguiu salvá-lo. Disse-me que ele já tinha quase 100 anos, em idade dos cães. No dia a seguir, quando me levantei do sofá para me ir deitar, disse 'vamos deitar, lindo' e só quando não ouvi as patinhas dele a correr é que me lembrei que ele tinha morrido... a minha única companhia...
- Pronto, dona L não fique triste. Os animais vivem poucos anos. Muito menos do que a senhora gostaria, mas tem de se conformar.
- O que mais me prendia ao animal é que ele tinha sido um presente para o meu filho, quando ele andava na Faculdade. Ele disse-me 'ó mãe, eu quero um cão' e eu dei-lhe este. Ele entretanto tornou-se professor no Instituto Superior Técnico e o cão continuou em minha casa, mas ele sempre teve uma adoração pelo animal. Há 5 anos apareceu-lhe subitamente um linfoma e morreu ao fim de 3 meses. A última coisa que ele me pediu foi para tratar sempre muito bem o cão, que ele o adorava.

...

1 comentário:

Ana disse...

Não preciso de te dizer o quanto esta história me angustia... Ai o meu Lino que já vai fazer 15 anos!
Beijinho