domingo, setembro 11, 2011

o mundo como ele é

no dia 10 de setembro de 2001 lembro-me de um momento preciso em que pensei como o mundo era quase perfeito. tinha acabado de sair da água magicamente aquecida do oceano pacífico e estava então sentado entre duas palmeiras, a olhar o horizonte, onde peixes saltavam na água, e a constatar a felicidade que a própria pele sente nestas situações, em que as pedras de sal desenham novos mapas pelo corpo e dão outro sabor ao dia.


poucas horas depois fui visceralmente lembrado de que esse planeta quase perfeito existe, mas existia sobretudo antes da evolução humana. se, por um lado, sem evolução humana, eu não existiria e não teria os meios para chegar ao outro lado do mundo, por outro lado, os milhares e milhares de anos de acumulação de ambição desmedida, egoísmo, fanatismo e todos os ismos que vos possam ocorrer, levam o homem (devia vir com h grande, mas há dias em que não o merece) a cometer os actos diários de terrorismo que comete.


o de 11 de setembro de 2001 tocou-me particularmente. porque atacou a minha cidade do coração. porque destruiu um local no topo do qual tinha estado dois anos antes. porque, sobretudo, arrancou a vida a milhares de inocentes, perdidos na linha da vida por um mero acaso ou apenas inocentes que tentavam ajudar outros inocentes em perigo.


não nos enganemos contudo. o mediatismo deste ataque de seres humanos contra seres humanos é superior. mas os actos de terrorismo são diários. a cada dia que passa contribuímos globalmente para diminuir o número de dias que nos restam. a escalada da falta de solidariedade e da falta de respeito pelo outro tem essa consequência.


há precisamente 2 anos atrás escrevi as seguintes palavras:


" estranho. o destino faz este dia chegar nalguns dos mais belos locais do mundo. há 8 anos (dilacerante o modo como o tempo passa por nós...) estava sentado num banco junto ao fabuloso mar de oahu, e agora estou sentado num banco com gigantescas dunas de areia do deserto mongol aqui mesmo à minha frente. o que mudou em 8 anos? eu mudei muito, o mundo infelizmente mudou pouco. "


infelizmente acho que isto vai ser aplicável substituindo 8 por 80. faz-nos falta conhecer o mundo. ver que as fronteiras estão na nossa cabeça e não no terreno. que o coração humano traz sempre agarrados dois braços, uma cabeça e duas pernas, e que estamos em modo de auto-destruição acelerada se não percebermos que falta amar, respeitar e entender o outro, bebendo das suas diferenças para casar as nossas igualdades.


todos juntos caçámos animais saindo de cavernas. só nos falta fazer o mesmo para caçar um futuro melhor.


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