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Mensagens

meu filho, nasceste para isto

a NBC ter um tipo chamado Bob Costas como jornalista responsável pela natação é no mínimo épico . espero rapidamente que arranjem um José Roda para cobrir o ciclismo e uma Manuela Peso para ver como anda a halterofilia .

sobre decadência

a observação da decadência de um ser vivo traz sempre consigo o peso de não sabermos lidar bem com as descidas . por mais que nos afirmemos corajosos e tentemos fingir que todas as coisas têm um ciclo natural a percepção do ciclo não significa que o mesmo passe a doer menos . tenham um bom dia e aproveitem a vida, porque ela passa mais rápido do que num ápice .

a ditadura dos números

o mundo mudou. só importam os números e as pessoas ficaram para segundo plano, perdidas entre ambições que lhes foram vendidas e que nem sequer sabiam que tinham mas que afinal têm e têm mesmo de lutar por aquilo que há meia hora nem sabiam que existia mas que agora é crucial. quase tão crucial como eu ter usado mais vírgulas na frase anterior, mas todo eu sou a favor de se ficar sem fôlego. o mundo é dos números. por isso não te admires que um dia destes me apaixone pela perna do teu sete.

a página em branco

a página em branco e o cursor a piscar são vendidos ao mundo como sinónimo da desgraça de quem escreve. isso mostra bem como o mundo anda sempre tão dedicado na perseguição da quantidade e tão distraído na aplicação de crivos de qualidade. nas minhas visitas, muito selectivas, pela blogosfera, encontro tantas vezes tanto em tão pouco e outras vezes tão pouco em tanto. com isto não sou apologista de que só os resumos sejam bons. há livros grandes que parecem pequenos e há livros pequenos que parecem enormes de tão chatos que são. cada vez nos é oferecida mais informação, cada vez há mais vias de fazer chegar essa informação. a menos que batalhemos constantemente pela selectividade e pela criação de um limiar pessoal de qualidade na informação que queremos, vamos acabar vítimas desse paradoxo que é saber cada vez menos num mundo que permite saber cada vez mais.

na vida como nas ementas americanas

as ementas nesta terra que me acolheu têm um grave problema de complexidade. por mais agradável que seja a multiplicidade de oferta, almoçar ou jantar fora num restaurante americano é um desafio com laivos de hercúleo. escolher um entre milhares de pratos e quando acharem que a tarefa chegou ao fim ainda vem a altura de vos perguntarem como querem a carne, que molho querem, todos os acompanhamentos à disposição, e por aí fora, o que me faz sempre acreditar que para se ser empregado de mesa nos estados unidos é preciso um curso de decoranço. ou então são só actores sem sucesso em hollywood que vêm parar a esta profissão em segunda instância. há dias em que só nos apetece limitar as dúvidas a dois ou três pratos. e mesmo isso às vezes é demais. a vida moderna sofre do mesmo trauma. vestidos do maravilhoso livre arbítrio que o tempo de agora nos trouxe, temos que, quase do berço, decidir tudo e um par de botas. o que vamos ser, o que queremos fazer, com queremos estar, o que isto, como ...

mesmo quem não acredita em santos vai lá pela parte do populares

todas as cidades são frequentemente acusadas de frias, impessoais, carreiros de formigas trabalhadoras, despidas de sentimentos, que trabalham durante o dia e fogem para os seus suburbanos refúgios quando o sol se despede. havendo alguma (muita, quiçá, em muitos dos dias) verdade nisto, há um dia especial em que um povoado como lisboa deita completamente abaixo esta estrutura. apesar de o avançar dos tempos trazer algumas adaptações fatelas ao que é verdadeiramente a noite de doze de junho em lisboa (nunca percebi porque é que algumas casas acham excelente ideia pôr música electrónica na encosta do castelo ou porque é que algumas banquinhas vendem açaí com granola) ainda continua a ser a noite do ano em que a alma mais marialva do verdadeiro alfacinha se manifesta em todo o seu esplendor. recebendo bem quem é de fora, quem veio de fora, quem adoptou lisboa como sua, renegando ao preconceito fácil e à crítica pouco construtiva. eu sempre me confessei um alfacinha a toda a linha....