terça-feira, novembro 02, 2010

NYC, a extensão filosófica do meu eu físico

Ha' cidades que não aquecem nem arrefecem. Ha' cidades boas. Ha' cidades óptimas, verdadeiramente fantásticas. E depois ha' Nova Iorque. Num patamar distinto. Uma epifania do ser a cada momento, a cada olhar, a cada passo, a cada movimento respiratório.

Mesmo a Nova Iorque turística e' uma bela cidade, capaz de encantar novos e velhos, judeus e muçulmanos, fanáticos religiosos e ateus. Mas a verdadeira cidade esconde-se atrás dos autocarros vermelhos de dois andares, que apregoam mostrar a essência de ny em quatro ou cinco horas.

Perco-me na minha cidade, e descubro-me perdendo-me. Poucas coisas me dão tanta paz como sentar-me em brooklyn a olhar o skyline do outro lado do rio. O east river corre com pressa, muita pressa. Pressa de quem quer passar pela cidade onde tudo acontece e rapidamente chegar ao mar. A pressa de milhões de gotículas de água que pensam não aguentar a pressão desta cidade. Pressão essa que e' constante. Ninguém fica indiferente.

Para la' da vertiginosa velocidade de vida da cidade, sentado no meu banco consigo olhar a calma que me envolve. Como tudo flui numa calma apressada. Dois namorados sentados partilham histórias, amores, com um pano de fundo que faz inveja a muito cineasta. Uma modelo despe-se de preconceitos enquanto e' fotografada para um novo catálogo de roupa interior. Sinto-me quase impelido a avisar os produtores dessa sessão que e' um risco tirar fotografias ali, as pessoas não se vão concentrar a cem por cento no produto a vender.

E ando. Caminho sem parar. Entro aqui, entro ali. Corro a High Line de cima a baixo, de baixo a cima. Petisco no Pastis, entro na Little Marc Jacobs. Paro quatro, cinco, seis horas na loja de vinis que se esconde do bulício dos cafés da St. Marks Place. Meia dúzia de 'nós' passam ali estas horas, a correr disco atrás de disco, a descobrir o que era a 'pacatez' inicial do Joey Negro ou a relíquia redonda dos Stardust. E saio, ando mais, entro no cafe', procuro o jardim nas traseiras, sento-me a ler e peço um copo de um Chardonnay. Como e' bom misturar os prazeres todos nos mesmos momentos... acho que fomos programados para ser assim.

A vertigem não me assusta. Antes, puxa por mim.

Desoriginalizando, 'new york, i love you'.


(picture by me)

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