Avançar para o conteúdo principal

Futebol profissional (ou quase...)



- 'Pessoal, vai uma partidinha de futebol hoje à tarde? Vai ser bom para desanuviar, limpar esses pulmões e abater essa barriguinha!'

Não se poderá dizer que a adesão (ou adesividade como diriam alguns) seja em massa, porque 'é à última da hora', 'já tinha coisas marcadas', 'não consigo chegar a tempo', 'não estou em lisboa', 'tenho uma reunião', etc, etc e tal...
Porém, no meio de inúmeras mensagens e telefonemas, lá se conseguem desencantar 10 jovens com pretensões a desportistas e com aquela paixão pelo desporto rei do nosso Portugal.
Já temos os jogadores... o campo também se arranja a custo zero... balizas... balizas já é mais chato, vamos ter que recorrer aos tradicionais postes de 30 cm de altura compostos por um acumulado de mochilas e sweatshirts... Parece que está tudo! O jogo pode finalmente começar!

Não esperem! A bola!!! Quem é que trás a BOLA???

Lá se têm que fazer mais mil e um contactos para descobrir um elemento que possua o 'esférico' (como os excelsos comentadores de futebol da nossa praça gostam de dizer...). Ao fim de 10 minutos de telefonemas para telemóveis de outras redes lá se consegue finalmente resolver mais uma incógnita desta grande equação que é organizar uma mero jogo de futebol entre 'solteiros e casados'.
Parece que desta é que é! Está tudo pronto para mais um encontro de futebol espectáculo!

18.00 - Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii! começa a partida
Os jogadores mostram uma grande entrega ao jogo, jogam com raça, com vontade. Um
pouco mais com o coração que com a cabeça, mas é normal, faz parte da irreverência da
juventude e da vontade de mostrar o seu futebol.
18.05 - Já se viram algumas jogadas interessantes. As equipas ainda estão um pouco partidas,
mas a pouco e pouco o entrosamento vai aumentando.
18.06 - GOOOOOOOOOOOOLLLLLOOOOOO!!! Um remate de meia distância a fuzilar
o guarda-redes. Não.. Esperem... parece que foi anulado! Em virtude dos postes terem
apenas 30 cm de altura não foi possível aferir a legalidade deste golo...
18.15 - O jogo decorre com normalidade. Já se começa a notar um ligeiro desgaste em alguns
jogadores.
18.20 - O lugar de guarda-redes começa a ser cada vez mais concorrido.
18.25 - Como não podem ir todos à baliza ao mesmo tempo...
INTERVALO
19.00 - O jogo recomeça
19.05 - ...
19.10 - ...
19.15 - A segunda parte decorre com menos interesse que a primeira. A equipa que vai à frente
no marcador abrandou o seu jogo, está apenas a tentar gerir o resultado. A equipa
adversária faz uma boa recuperação...
19.20 - Já está tudo de rastos...
Surge finalmente o já ansiado momento... 'Quem marcar ganha!'
Recorrem-se às energias finais! Os jogadores voltam a correr! O golo teima em não
querer surgir! E eis senão quando, num rasgo de génio surge um remate indefensável
(ou não...)!
19.23 - Piii Piiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
O jogo termina! Os jogadores mal se mexem, ainda pensam em trocar camisolas, mas
não há amizade suficientemente grande que os faça vestir as t-shirt encharcadas dos
adversários, por isso cada um fica com a sua... é melhor assim!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

pedras

acho muito simpático da parte do fernando guardar todas as pedras do caminho para um dia construir um castelo, mas aqueles de nós que as têm nos rins apreciavam outro tipo de eficácia diferente de apenas contemplá-las durante o passeio diário para abater barriga. com tanto heterónimo ao barulho, pasmo-me que o fernando, pessoa de bem, não tenha dado vida a um ente que se tornasse urologista e arranjasse maneira de ajudar a prevenir várias noites em posição fetal a namorar com o chão frio da casa de banho. diz o povo que as cólicas renais são piores que as dores de parto, mas o povo não pensa no facto de quase metade da população não poder atestar essa comparação. é provável que seja o povo feminino, e esse sim pode saber das duas, como sabe de tudo o resto, sempre em demasia, que o conhecimento verteu todo para o segundo cromossoma x. enquanto um brufen beija um ben-u-ron e abraça outro, vou continuar aqui no meu canto, meio revoltado com o fernando, enquanto pesquiso qual o valor da p...

o homem já conseguiu ir à lua, mas continua a usar meias brancas com sapatos .

gosto muito de pensar sobre a tendência natural do ser humano para querer conhecer o que está mais longe desvalorizando o que está mais perto. também gosto muito de pensar sobre a lista de compras para a semana. e em taças gigantes de leite-creme. mas acredito que as minhas ilações sobre estas duas últimas sejam (ainda) menos interessantes. foi de facto um passo de gigante o homem ter-se conseguido enfiar dentro de um cilindro de lata e ir dar umas passeatas pelo único satélite da terra que não serve para retransmitir canais de televisão ou coordenadas geográficas. pensar que quatrocentos anos antes ainda se duvidava da esfericidade da terra e se acreditava que o mundo acabava num precipício gigante e, tão pouco tempo depois, já nos dedicávamos à conquista do céu. no meio de tanto empreendorismo não deixa de ser irónico que se parta em direcção ao que mora para lá da ionosfera, estratosfera e todas-as-outras-o-esfera, sem saber ainda muito bem uma série de coisas sobre a própria esfe...

seguir os sonhos é no fundo terrivelmente idiossincrático

nunca acreditei em sonhos. pelo menos não no sentido vulgar que lhes costumam dar. voltei a pensar nisto nos últimos dias, porque me lembraram do livro de interpretação que o freud escreveu sobre os sonhos, com o qual me deleitei ainda jovem (sim, na altura em que não tinha contracturas do trapézio como esta que me atormenta agora). e também voltei a pensar nisso por algumas outras coisas. que têm quase tanta importância para o assunto como o ponto de rebuçado tem para o caramelo. o sonho não o é. acredito em convicções. acredito em vontades. os sonhos não são mais do que a coragem de realizar essas vontades, de pôr no papel da vida as ideias que fervilham, ali entre uma circunvolução e outra, repousando calmamente em pescoços acéfalos. quando nos deitamos à noite. melhor, quando adormecemos à noite, desligamos o nosso censor, e os nossos atrevimentos ganham cor, ganham luz e são vendidos no mercado das emoções como sonhos. mas é só um nome bonito para as coisas. inventado ape...