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o beijo

isto dos dias internacionais do tudo-e-mais-alguma-coisa dava-me para ter um tema para escrever por dia. em que momento se perdeu a espontaneidade deste mundo, e se decidiu dedicar a celebrar algo em dias específicos, gostava eu de saber. não sei se o dia internacional do beijo implica comemoração específica ou particular, ou se a dose em que hoje os beijos são servidos tem mais um terço do que o habitual por ser o seu dia.

o beijo não só é para uso frequente como é intemporal. imune a dias. às vezes até imune a noites. a quantidade de informações sensoriais acumuladas na língua e nos lábios mostram a importância que a própria biologia deu ao beijo. a troca é mais que táctil. o conhecimento é sinuoso, navegador, partindo-se à descoberta de uma envolvência que é própria de cada beijo. não há dois beijos iguais. e há decerto mais beijos que genes. cruzamentos de beijos ao longo da história geram tantos outros. emparelhados, desemparelhados, igualmente belos. aprende-se a beijar como se aprende a andar de bicicleta. não se esquece jamais. aperfeiçoa-se enquanto se conhece. com o tempo o beijo ganha tons de cartão de identidade e vale mais que as cores que dançam na retina.

e quanto à dúvida de beijar de olhos abertos ou de olhos fechados, experimentem antes beijar de coração aberto e a questão responde-se a si própria antes de ser sequer colocada.

Comentários

Mad Hattress disse…
Não podia estar mais de acordo!

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