Avançar para o conteúdo principal

Mistério na Linha de Sintra



Confesso que já não ponho os pés num comboio da linha de Sintra vai para um ano ou algo do género... Mas isso não impede que sempre tenha ficado por resolver, pelo menos na minha cabeça, o grande mistério da Linha de Sintra.

Um dia entrei no dito comboio, passando antes pela arabesca estação do Rossio, e lá me sentei numa daquelas máquinas, agora todas jeitosas, climatizadas e tudo, melhores que a casa de muita gente (por isso é que se calhar alguns lá adormecem... ou então não). Mas continuando... o maquinista lá encarrila pelo túnel e o meu espanto começa sensivelmente a meio do túnel, quando ouço o anúncio da estação seguinte. Primeiro ainda me assustei e olhei para trás! Estariam a oferecer-me favores sexuais por ir num túnel escuro...? O tom de voz fazia-me pensar nisso, mas não... não era o caso! A voz em causa era mesmo a do sistema do comboio para anunciar a estação seguinte.

Por amor de Deus, pensei eu! E é mesmo caso para pensar... Quem é que no seu real juízo, se lembra de anunciar as estações seguintes num tom de voz orgásmico? Qual a alegria das pessoas em ouvir dizer "Massamá" ou "Damaia" num tom provocatório...? Assim até já quase sinto saudades da voz pesada e completamente estrangeira (devia ser... pelo menos não se percebia nada...) que os maquinistas dantes utilizavam para esta mesma função.

Parece que andam ultimamente muitos senhores de gabardine e com ar suspeito na Linha de Sintra. Pudera!!! Não têm cuidado... e depois queixam-se!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

pedras

acho muito simpático da parte do fernando guardar todas as pedras do caminho para um dia construir um castelo, mas aqueles de nós que as têm nos rins apreciavam outro tipo de eficácia diferente de apenas contemplá-las durante o passeio diário para abater barriga. com tanto heterónimo ao barulho, pasmo-me que o fernando, pessoa de bem, não tenha dado vida a um ente que se tornasse urologista e arranjasse maneira de ajudar a prevenir várias noites em posição fetal a namorar com o chão frio da casa de banho. diz o povo que as cólicas renais são piores que as dores de parto, mas o povo não pensa no facto de quase metade da população não poder atestar essa comparação. é provável que seja o povo feminino, e esse sim pode saber das duas, como sabe de tudo o resto, sempre em demasia, que o conhecimento verteu todo para o segundo cromossoma x. enquanto um brufen beija um ben-u-ron e abraça outro, vou continuar aqui no meu canto, meio revoltado com o fernando, enquanto pesquiso qual o valor da p...

o homem já conseguiu ir à lua, mas continua a usar meias brancas com sapatos .

gosto muito de pensar sobre a tendência natural do ser humano para querer conhecer o que está mais longe desvalorizando o que está mais perto. também gosto muito de pensar sobre a lista de compras para a semana. e em taças gigantes de leite-creme. mas acredito que as minhas ilações sobre estas duas últimas sejam (ainda) menos interessantes. foi de facto um passo de gigante o homem ter-se conseguido enfiar dentro de um cilindro de lata e ir dar umas passeatas pelo único satélite da terra que não serve para retransmitir canais de televisão ou coordenadas geográficas. pensar que quatrocentos anos antes ainda se duvidava da esfericidade da terra e se acreditava que o mundo acabava num precipício gigante e, tão pouco tempo depois, já nos dedicávamos à conquista do céu. no meio de tanto empreendorismo não deixa de ser irónico que se parta em direcção ao que mora para lá da ionosfera, estratosfera e todas-as-outras-o-esfera, sem saber ainda muito bem uma série de coisas sobre a própria esfe...

seguir os sonhos é no fundo terrivelmente idiossincrático

nunca acreditei em sonhos. pelo menos não no sentido vulgar que lhes costumam dar. voltei a pensar nisto nos últimos dias, porque me lembraram do livro de interpretação que o freud escreveu sobre os sonhos, com o qual me deleitei ainda jovem (sim, na altura em que não tinha contracturas do trapézio como esta que me atormenta agora). e também voltei a pensar nisso por algumas outras coisas. que têm quase tanta importância para o assunto como o ponto de rebuçado tem para o caramelo. o sonho não o é. acredito em convicções. acredito em vontades. os sonhos não são mais do que a coragem de realizar essas vontades, de pôr no papel da vida as ideias que fervilham, ali entre uma circunvolução e outra, repousando calmamente em pescoços acéfalos. quando nos deitamos à noite. melhor, quando adormecemos à noite, desligamos o nosso censor, e os nossos atrevimentos ganham cor, ganham luz e são vendidos no mercado das emoções como sonhos. mas é só um nome bonito para as coisas. inventado ape...