Avançar para o conteúdo principal

O submundo da cozinha... portuguesa, com certeza



Podemos encontrar verdadeiras maravilhas gastronómicas pelo nosso país fora. Do Norte ao Sul, passando pelo Centro e sem esquecer o interior.

Porém, não obstante a qualidade culinária destes nossos verdadeiros manjares dos deuses, vamos lá esclarecer uma coisa:

Quem é que dá o nome aos pratos nacionais?

Não sei quem é, ou quem são, mas de certeza que devem ser pessoas altamente qualificadas para ocupar esse cargo, porque, 'quer-se dizer', temos que dar crédito a estas pessoas que se esfalfam por arranjar nomes tão originais e diferentes para os cozinhados dos outros.

'Que disparate!' estarão por esta altura vocês aí a pensar, mas o facto é que o Oranginalidade teve acesso a provas irrefutáveis que claramente indiciam que os nomes dos cozinhados não são dados pelos seus talentosos auto-intitulados inventores. Os cozinheiros compram essas ideias a indivíduos que mediante o pagamento de uma determinada quantia em dinheiro cedem os direitos de um nome que possa dar a maior projecção possível à sua iguaria.

Ao que conseguimos apurar existem preços para todos os gostos, indo dos mais baratuxos, como o simples 'Bifinhos com cogumelos' ou 'Peixe Saloio', até aos mais caros como 'Francesinha' ou 'Bacalhau Soberbo', nomes mais delicados e com um certo glamour.

Também trabalham por encomenda, adequando-se aos diversos pedidos dos autores (no seu top de vendas está o bacalhau, uma matéria prima com grande saída junto dos cozinheiros portugueses) e.g. 'Bacalhau à Zé do Pipo', 'Bacalhau à Lagareiro', 'Bacalhau à Gomes Sá', 'Bacalhau à Maria', 'Bacalhau à Mónica', 'Bacalhau da velha Tomásia', 'Bacalhau à Susana', 'Bacalhau à moda da Dona Deolinda' and so on and so on...

Existem também pedidos mais religiosos como o 'Bacalhau Espiritual', 'Bacalhau de frade', 'Barriga de Freira'; outros mais regionais 'Bacalhau à Francesa', 'Bacalhau à Italiana', 'Bacalhau à Transmontana'; ou ainda temas de ordem política 'Bacalhau à Diplomata' ou 'Bacalhau à Príncipe'...

No entanto, não se ficam por nomes tão consensuais como os já referidos, outros também da sua autoria são capazes de ferir algumas susceptibilidades, tais como ‘Rabanadas’, ‘Jaquinzinhos’ ou ‘Pipis’...

A nossa investigação está apenas no início e por ora foi tudo (quase tudo...) o que conseguimos apurar. Na posse de tão importantes informações não podemos deixar de as publicar independentemente das consequências que possam daí advir. Contamos com a colaboração de todos. Caso tenham mais informações sobre este caso que promete abalar a Cozinha Portuguesa, por favor não hesitem em contactar-nos.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

o homem já conseguiu ir à lua, mas continua a usar meias brancas com sapatos .

gosto muito de pensar sobre a tendência natural do ser humano para querer conhecer o que está mais longe desvalorizando o que está mais perto. também gosto muito de pensar sobre a lista de compras para a semana. e em taças gigantes de leite-creme. mas acredito que as minhas ilações sobre estas duas últimas sejam (ainda) menos interessantes. foi de facto um passo de gigante o homem ter-se conseguido enfiar dentro de um cilindro de lata e ir dar umas passeatas pelo único satélite da terra que não serve para retransmitir canais de televisão ou coordenadas geográficas. pensar que quatrocentos anos antes ainda se duvidava da esfericidade da terra e se acreditava que o mundo acabava num precipício gigante e, tão pouco tempo depois, já nos dedicávamos à conquista do céu. no meio de tanto empreendorismo não deixa de ser irónico que se parta em direcção ao que mora para lá da ionosfera, estratosfera e todas-as-outras-o-esfera, sem saber ainda muito bem uma série de coisas sobre a própria esfe...

pedras

acho muito simpático da parte do fernando guardar todas as pedras do caminho para um dia construir um castelo, mas aqueles de nós que as têm nos rins apreciavam outro tipo de eficácia diferente de apenas contemplá-las durante o passeio diário para abater barriga. com tanto heterónimo ao barulho, pasmo-me que o fernando, pessoa de bem, não tenha dado vida a um ente que se tornasse urologista e arranjasse maneira de ajudar a prevenir várias noites em posição fetal a namorar com o chão frio da casa de banho. diz o povo que as cólicas renais são piores que as dores de parto, mas o povo não pensa no facto de quase metade da população não poder atestar essa comparação. é provável que seja o povo feminino, e esse sim pode saber das duas, como sabe de tudo o resto, sempre em demasia, que o conhecimento verteu todo para o segundo cromossoma x. enquanto um brufen beija um ben-u-ron e abraça outro, vou continuar aqui no meu canto, meio revoltado com o fernando, enquanto pesquiso qual o valor da p...

seguir os sonhos é no fundo terrivelmente idiossincrático

nunca acreditei em sonhos. pelo menos não no sentido vulgar que lhes costumam dar. voltei a pensar nisto nos últimos dias, porque me lembraram do livro de interpretação que o freud escreveu sobre os sonhos, com o qual me deleitei ainda jovem (sim, na altura em que não tinha contracturas do trapézio como esta que me atormenta agora). e também voltei a pensar nisso por algumas outras coisas. que têm quase tanta importância para o assunto como o ponto de rebuçado tem para o caramelo. o sonho não o é. acredito em convicções. acredito em vontades. os sonhos não são mais do que a coragem de realizar essas vontades, de pôr no papel da vida as ideias que fervilham, ali entre uma circunvolução e outra, repousando calmamente em pescoços acéfalos. quando nos deitamos à noite. melhor, quando adormecemos à noite, desligamos o nosso censor, e os nossos atrevimentos ganham cor, ganham luz e são vendidos no mercado das emoções como sonhos. mas é só um nome bonito para as coisas. inventado ape...